Foi um ano interessante na Fórmula 1. O que nos reserva 2018?

Caiu o pano sobre a Fórmula 1 de 201, um ano bem interessante sob vários pontos de vista. Venha 2018...

Se olharmos apenas para os resultados da temporada de 2017 do Campeonato do Mundo de Fórmula 1, podemos ser levados a pensar que foi mais do mesmo, com títulos e domínio da Mercedes. Mas a equipa de Brackley teve que se aplicar a fundo para bater a ressurgida Ferrari que chegou a ser a força competitiva em pista.

Esta época era aguardada com grande expetativa, uma vez que a introdução de um novo pacote regulamentar para os chassis e para a aerodinâmica prometiam os carros mais rápidos de sempre, para além de monolugares mais apelativos esteticamente.

Os objetivos foram amplamente alcançados, com a esmagadora maioria dos recordes batidos e com os Fórmula 1 – mais largos, pneus maiores, asas mais baixas e largas – a evidenciarem uma agressividade e sensualidade que já não eram vistas desde o longínquo ano de 1997.

É evidente que nem tudo é positivo e, apesar da maior largura dos pneus, a aderência aerodinâmica ganhou maior preponderância, o que causou maiores dificuldades na realização de ultrapassagens.

No entanto, nem sempre isso foi um problema evidente, tendo sido possível assistir a ultrapassagens extraordinárias ao longo do ano, verdadeiramente conquistadas e não oferecidas pelo DRS, o que acabou por ser positivo. Mas em Abu Dhabi o problema agravou-se num traçado em que ultrapassar sempre foi quase uma impossibilidade – que o diga Fernando Alonso que perdeu um título em 2010 por não ter conseguido ultrapassar Vitaly Petrov.

Foi um bom ano para a Fórmula 1, na generalidade, assistimos a grandes batalhas em pista com protagonistas que são a fina flor do automobilismo mundial – Lewis Hamilton, Sebastian Vettel, Max Verstappen, Daniel Ricciardo, Fernando Alonso – ao volante dos carros mais rápidos do mundo e não raras as vezes foi possível ver a olho nu o elevado nível a que qualquer um opera – a forma como o holandês realizava os esses do Circuit Hermanos Rodríguez é um exemplo avassalador.

Tivemos heróis e vilões como é preciso em qualquer desporto – a Vettel assentou na perfeição o segundo papel com a sua atitude de Baku, ao passo que Verstappen se assume cada vez mais como o herói da juventude, Hamilton o herói dos adeptos e o Alonso “Homem que nunca desiste”.

No final, os resultados refletem justamente quem foi melhor ao longo do ano – Hamilton foi mais forte que Vettel, que errou em demasia com profundo impacto na sua campanha, e a Mercedes, muito embora não tenha tido sempre o melhor carro, maximizou o material que tinha à sua disposição e, principalmente, demonstrou fiabilidade, aspeto em que a Ferrari falhou nos momentos decisivos. Politicamente, viveu-se um ano de acalmia e, fora das pistas, o grande tema da temporada foi perceber se a McLaren aguentava a Honda por mais um ano ou não, que acabou em divórcio.

Foi a primeira época sob a égide da nova FOM, liderada pelos homens da Liberty, vivendo-se um período de “lua de mel”, com novas iniciativas na promoção da categoria e uma maior abertura da Fórmula 1 aos fãs e às redes sociais. Mas no final de ano, quando as coisas começaram a ficar a sérias, com a apresentação de um esboço para o regulamento de motores de 2021 e o início das negociações para um novo “Acordo da Concórdia”, o “período azul” terminou rapidamente com a Ferrari, como habitualmente faz, ameaçar abandonar a categoria e a Mercedes e a Renault a mostrarem-se pouco satisfeitas com os caminhos apontados.

2018 promete ser apaixonante dentro das pistas, com Mercedes, Ferrari e Red Bull a poderem estar na luta pelas vitórias, tudo indica que a McLaren e a Renault se vão chegar mais à frente. Talvez até mais a McLaren do que os homens de Enstone. Neste momento a Williams está na corda bamba, por causa da escolha do segundo piloto, mas a Force India deverá manter-se no grupo logo atrás das três melhores. Por fim, restam a Haas, Toro Rosso e Sauber/Alfa Romeo, e por cá desconfiamos que o lugar de lanterna vermelha vai ser muito ‘disputado’. E não pela Haas, que provavelmente vai ter um ano muito ‘só’. Claro que isto são apenas suposições baseadas no facto das regras não mudarem muito, e a incógnita que falta nesta equação é a capacidade de trabalho de cada equipa na pré-época. Veja-se por exemplo o que fez a Ferrari o ano passado e a forma como surgiu em 2017.

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