Ensaio VW Polo 1.0 95 CV: racionalidade

A versão de 115 CV já foi por mim analisada no seu AUTOMONITOR, é chegada a vez da variante de 95 CV, mais barata e, veremos, se mais ou menos interessante.

A versão de 115 CV já foi por mim analisada no seu AUTOMONITOR, é chegada a vez da variante de 95 CV, mais barata e, veremos, se mais ou menos interessante.

Depois do ensaio ao Polo com 115 CV e, agora, ao 95 CV, não tenho dúvidas nenhumas: este VW tem o melhor nível de refinamento do segmento.

Quando se fala de Volkswagen, muitos atacam o mensageiro e está na moda “bater” no jornalista e em tudo o que venha da Alemanha. Está longe de ser perfeita e tem tantos problemas como outra marca qualquer, porém, o Polo é o exemplo perfeito de como fazer, bem, um utilitário. O Polo chegou à sexta geração depois de ter começado a sua vida, em 1974, como um Audi 50 rebatizado. Quatro anos depois, a Audi virou.se para os modelos de topo e a VW ficou com o Polo. Do velhinho Audi 50 até ao atual carro, o Polo conheceu cinco gerações e mais um ou dois pares de renovações de meio de ciclo, sendo que a partilha de bases não é novidade. A terceira geração partilhou a base com o Ibiza II, a quarta geração alargou a partilha ao Skoda Fabia e a quinta geração chegou à partilha com o mais pequeno Audi A1. Uma espécie de fecho de ciclo...

Veja quanto lhe pode custar este VW Polo 1.0 TSI 95

Hoje, o Polo serve-se da mesma plataforma que o grupo VW desenvolveu, que o novo Seat Ibiza estreou e o futuro Skoda Fabia irá usar, a MQB A0, mais leve e rígida que a anterior base do utilitário alemão. Graças a este novo ponto de partida, o Polo e consideravelmente maior e mais largo que o anterior.

Contas feitas, os 4,053 metros de comprimento e 1,75 metros de largura do atual modelo são maiores que as três primeiras gerações do... VW Golf! Um carro utilitário que, desta forma e com 2564 mm de distância entre eixos, oferece muito espaço interior e uma bagageira aceitável.

No que toca ao estilo, nada de muito novo ou original e o Polo passa por ser uma réplica do Golf, com detalhes próprios que o diferenciam. A linha de cintura e os vincos que desenham formas geométricas na parte lateral, fazem parte dessas diferenças, juntando-se os novos faróis, um pequeno friso colorido na grelha e farolins traseiros redesenhados.

Vamos então aquilo que interessa, ou seja, praticabilidade, funcionalidade e utilização quotidiana.

A VW reforçou estas áreas com o aumento da capacidade da mala para 355 litros, valor que pode fazer arte das cifras habituais em modelos de segmentos acima. Contas feitas, são mais 70 litros que o anterior e menos 30 litros que o atual Golf. Nada mau, não acha?

Outra coisa onde a VW investiu bastante foi na tecnologia a bordo, nomeadamente, aquela que ajuda o condutor. Por isso, vindo do Golf, o Polo exibe monitorização do ângulo morto e a travagem de emergência autónoma, entre outros.

Interior de qualidade. Olhando para o interior do Polo, fica a sensação de maior qualidade que anteriormente, mesmo que aqui e ali existam alguns plásticos duros. Que acabam esquecidos quando olhamos para a consola central e para o tablier onde está, a meio, um generoso ecrã com o sistema de conectividade, navegação (quando aplicável), enfim, tudo enquadrado num estilo que é conhecido de outros modelos da marca.

Porque a VW quer que o Polo dê o salto em frente rumo à liderança do segmento, até a versão da VW do Virtual Cockpit (denominado Active Info) está disponível como opcional, com um ecrã de 10,5 polegadas que ocupa o lugar dos convencionais instrumentos.

Espaço no interior não falta e quem tiver um Golf e tenha de “descer” até ao Polo, não se vai sentir acanhado. Claro que se levar consigo alguém com mais de dois metros de altura, sim, vai sentir dificuldades e se habitualmente anda com cinco pessoas no seu carro, a escolha terá de ser outra, pois no banco traseiro três não é uma multidão, mas o elemento do meio vai sofrer.

Mantendo a confiança no bloco 1.0 TSI, a VW colocou no Polo a versão de 95 CV. Se a versão com 115 CV serve perfeitamente, os 20 CV menos não são um problema no que toca ao dinamismo. Claro que o Polo é mais lento, mas numa utilização quotidiana, o Polo manteve-se ágil, veloz e capaz de navegar entre o tráfego, tendo como vantagem um menor consumo de gasolina, mesmo utilizando uma caixa manual de cinco velocidades. Muito à vontade em cidade, o motor revela-se equilibrado e é suficientemente capaz de nos levar para uma viagem média em auto estrada.

É verdade que a insonorização não chega para amordaçar o “prrrrrr” habitual dos motores tricilindricos, chegando ao interior em doses elevadas. Não é novidade nos motores do grupo VW termos ruídos menos simpáticos dos motores, pelo que no Polo esta situação não é defeito, é feitio e acaba por ser o maior defeito do motor 1.0 TSI da VW.

Curiosamente, quando cumpri o percurso de auto estrada entre a Azambuja e Lisboa, apanhei uma bela surpresa. Apesar de se sentir que não tem tanto fulgor como o bloco mais potente, o 1.0 litros com 95 CV revelou-se refinado e capaz de manter um ritmo de cruzeiro suficiente com um conforto assinalável. A forma como assimila as irregularidades do piso, das junções, é de carro do segmento superior, o que deixa evidente o bom trabalho feito nas suspensões. As vias bem mais largas também ajudam á festa.

Não fique a pensar que o Polo é um desportivo pois o comportamento fica longe do melhor do segmento, o Ford Fiesta e a envolvência na condução é nula. É fácil de conduzir e não fossem algumas vibrações que nos chegam pelos pedais, o Polo estaria próximo de poder figurar no segmento acima. Se desejar mais animação ao volante, opte pelo Polo GTI que, dentro em breve, vou ensaiar para si.

Veredicto

Depois do ensaio ao Polo com 115 CV e, agora, ao 95 CV, não tenho dúvidas nenhumas: este VW tem o melhor nível de refinamento do segmento. Como já tinha dito, é confortável, seguro, prático, espaçoso e, agora, consegue “conversar” com a estrada ajudado por uma suspensão muito bem calibrada, uma plataforma de qualidade e uma direção leve e precisa, mesmo que com alguma falta de sensibilidade. Não é excitante a conduzir, mas é um carro que faz tudo bem, mesmo com este motor de 95 CV. Amadureceu mais um pouco e aproxima-se, muito, de se transformar num mini Golf! E ta como já tinha referido – e o galardão de Carro do Ano 2018 em Portugal atesta - o seu mais perigoso rival é o seu “irmão” Seat Ibiza.

FICHA TÉCNICA

VW Polo 1.0 TSI 95 Confortline

Motor 3 cilindros em linha, injeção direta, turbo; Cilindrada (cm3) 999; Diâmetro x curso (mm) nd; Taxa compressão 10,0; Potência máxima (cv/rpm) 95/5000 - 5500; Binário máximo (Nm/rpm) 175/2000 - 3500; Transmissão e direcção Tração dianteira, caixa manual de 5 vel.; direção de pinhão e cremalheira, com assistência elétrica; Suspensão (fr/tr) Independente tipo McPherson; eixo de torção; Dimensões e pesos (mm) Comp./largura/altura 4053/1751/1461; distância entre eixos 2564; largura de vias (fr/tr) 1499/1483; travões fr/tr. Discos vent./discos; Peso (kg) 1070; Capacidade da bagageira (l) 355; Depósito de combustível (l) 40; Pneus (fr/tr) 185/65 R15; Prestações e consumos aceleração 0-100 km/h (s) 10,8; velocidade máxima (km/h) 187; Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km) 3,8/5,5/4,4 (consumo real medido 5,1l/100 km); emissões de CO2 (g/km) 101; Preço da versão ensaiada (Euros) 18.180

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