Ensaio Jeep Cherokee Limited: um SUV à americana

A Jeep mantém os nomes nos seus modelos ao longo de gerações e se alguns se perderam, o Cherokee é daqueles que faz parte do nosso imaginário. Está muito diferente e o estilo não lhe faz justiça, mas é a forma americana de fazer um SUV.

A Jeep mantém os nomes nos seus modelos ao longo de gerações e se alguns se perderam, o Cherokee é daqueles que faz parte do nosso imaginário. Está muito diferente e o estilo não lhe faz justiça, mas é a forma americana de fazer um SUV.

O Jeep Cherokee é dos modelos mais complicados de analisar, pois divide opiniões e há elementos que servem os adeptos e os detratores do Cherokee.

O Cherokee está muito diferente e carrega o estigma de ser o primeiro a receber alterações estéticas no sentido de moderniza a imagem e seduzir os europeus. Claramente correu mal e o desenho do Cherokee não foi imitado por mais nenhum modelo, em favor de uma versão muito mais bem conseguida das nove barras verticais da grelha típica de um Jeep.

Pelo caminho desde o original até aos dias vividos debaixo da governança da Fiat Chrysler Automobiles (FCA), foi ficando a capacidade de andar fora de estrada, agora remetida a uma versão, já que o modelo que ensaiei tem ração dianteira. Por outro lado, quando foi lançado há 40 anos (1974), o Cherokee não se destinava a vender fora dos EUA e não tinha concorrência. Hoje, tem de ser vendido em quase todo o mundo e vive em um dos mais concorridos segmentos onde os tubarões são mais que muitos.

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Enfim, o Cherokee teve de mudar muito para se adaptar aos novos tempos. A pergunta é: vale este Jeep os 54 mil euros que custa dentro de um segmento com tanta e boa proposta? Já agora, outra pergunta: mudou o Cherokee o suficiente para não ser o peixinho dourado no meio dos grandalhões?

Olhando para as fotos, salta á vista que o Cherokee está muito mais civilizado – sim eu sei tem a frente pontiaguda que não ajuda nada, mas esqueçamos isso por agora – e encaixa no segmento na prateleira do Volvo XC60, Audi Q5, Mercedes GLC, Porsche Macan, por exemplo. Quer isto dizer que é maior que o Renegade e o Compass, mas mais pequeno que o Grand Cherokee, ambos já ensaiados pelo AUTOMONITOR.

Em Portugal o Cherokee é vendido com o nível de equipamento Limited, tração dianteira e motor turbodiesel com 2.0 litros e 140 CV com caixa manual de seis velocidades.

O interior é espaçoso e a posição de condução agradável e facilmente encontrada. A bagageira oferece 591 litros que se estendem aos 1267 litros com os bancos rebatidos, duas cifras que são importantes no segmento, mesmo que não sejam referênciais. A superfície vidrada é suficientemente ampla para iluminar bem o habitáculo, desenhado e preenchido com peças vindas de outros modelos da marca e com o sistema UConnect proprietário da FCA e usado em todas as marcas do grupo.

Dizer, também, que a qualidade é muito boa – parece que tudo no carro está feito para durar décadas – graças a uma montagem rigorosa e materiais que são aceitáveis. Naturalmente que comparado com os Premium, falta-lhe o brilho e o refinamento dos materiais. isto que significa que esquecendo os Premium, o Jeep Cherokee está no topo em termos de qualidade.

Levado para a estrada, o Cherokee mostra-se um automóvel suave, capaz de rolar a velocidades de cruzeiro sem esforço e com baixos consumos. A condução, aliás, foi uma das boas surpresas deste Cherokee. A direção tem o peso certo e permite-nos saber com relativa fidelidade o que as rodas da frente estão a fazer. O conforto é muito bom e não são lombas ou ressaltos que perturbam o comportamento deste Jeep, conseguindo, mesmo, andar em zonas degradadas com alguma confiança e sem nos abanar em demasia dentro do carro.

Claro está que o outro lado da moeda está no rolamento da carroçaria. Em curva, o carro não tem a mesma estabilidade que em linha reta e para colocar mais alguns problemas, a travagem é pouco potente e tem tendência para revelar alguma fadiga. Isto porque o adernar da carroçaria leva-nos a abusar dos travões e o sistema do Cherokee não está para aí virado. Lá está... nos EUA ninguém anda a curvar, é sempre a direito. E nesse ambiente, o Cherokee será dos melhores do segmento.

O motor deste Jeep não é o mais suave ou refinado, mas cumpre de forma admirável o seu papel, mesmo que fiquem aqui e ali a faltar aquela dose extra de binário que o bloco 2.2 litros a gasóleo oferece. A caixa manual é agradável, sendo suave, minimamente precisa e capaz de assegurar a tal desenvoltura que acima refiro. Porém, não faz milagres e apesar de ser ligeiramente curta, não esconde que debaixo do capot só estão 140 CV e o Cherokee pesa quase 1,9 toneladas.

Tendo apenas tração dianteira, o Cherokee não faz jus à fama do modelo original nem da marca americana, limitando-se a cumprir o seu papel de carrinha arregaçada com aspeto de jipe. Um papel que outros fazem, mas com menos resistência porque pertencem a marcas sem passado no fora de estrada. Mas a fiscalidade é assim e por isso o Cherokee à venda entre nós não vai muito mais longe que a estrada de terra de acesso ao turismo rural ou de uma propriedade privada.

Veredicto

O Jeep Cherokee é dos modelos mais complicados de analisar, pois divide opiniões e há elementos que servem os adeptos e os detratores do Cherokee. Do lado dos primeiros, a habitabilidade, a bagageira razoável, a qualidade de construção, enfim, várias coisas muito boas. No outro lado da barricada, o estilo nada, mas mesmo nada, consensual, o menor controlo dos movimentos da carroçaria em curva e os travões. E alguns mais picuinhas podem, ainda, apontar alguns comandos menos sólidos. Mas o maior problema é mesmo o preço de 54.200 euros. É verdade que o equipamento é muito completo, mas por estes valores fica complicado quando um Audi Q5 começa nos 51 mil euros, um Volvo XC60 arranca nos 56.232 euros e, abaixo dos Premium, um VW Tiguan fica por menos de 40 mil euros.

FICHA TÉCNICA

Jeep Cherokee 2.0 Limited

Motor 4 cilindros em linha, injeção direta, turbodiesel; Cilindrada (cm3) 1956; Diâmetro x curso (mm) 83 x 90,4; Taxa compressão 16,5; Potência máxima (cv/rpm) 140/3750; Binário máximo (Nm/rpm) 350/1500; Transmissão e direcção Tração dianteira, caixa manual de 6 vel.; direção de pinhão e cremalheira, com assistência elétrica; Suspensão (fr/tr) Independente tipo McPherson; independente multibraços; Dimensões e pesos (mm) Comp./largura/altura 4623/1859/1669; distância entre eixos 2669; largura de vias (fr/tr) 1586/1584; travões fr/tr. Discos vent./discos; Peso (kg) 1828; Capacidade da bagageira (l) 591/1267; Depósito de combustível (l) 60; Pneus (fr/tr) 225/55 R18; Prestações e consumos aceleração 0-100 km/h (s) 10,9; velocidade máxima (km/h) 187; Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km) 4,6/6,4/5,3 (consumo real medido 6,7 l/100 km); emissões de CO2 (g/km) 139; Preço da versão ensaiada (Euros) 54.200

De segunda a sábado,

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