Ensaio Audi Q7 3.0 TDI: imponente

O anterior Q7 destacava-se pelas suas dimensões avantajadas que o estilo menos conseguido tinha dificuldade para esconder. O segundo andamento do SUV de topo da Audi é mais pequeno, mais leve e o conteúdo está a anos luz. Ensaio à versão 3.0 TDI quattro.

O anterior Q7 destacava-se pelas suas dimensões avantajadas que o estilo menos conseguido tinha dificuldade para esconder. O segundo andamento do SUV de topo da Audi é mais pequeno, mais leve e o conteúdo está a anos luz. Ensaio à versão 3.0 TDI quattro.

Entre uma motorização aveludada, um refinamento inigualável no interior e um conforto excelente, o Q7 é um automóvel altamente desejável.

Uma década durou o anterior modelo tendo movido luta intensa a rivais de peso com o BMW X5 e o Mercedes ML e às versões diferentes do Range Rover. Apesar das críticas ao estilo e às dimensões, o Q7 foi fazendo o seu caminho e os resultados foram bem interessantes, do ponto de vista da Audi. Porém, como cantava Paulo de Carvalho, “dez anos... é muito tempo, muitos dias, muitas horas...” e o cerco foi-se apertando como um nó na garganta do condenado. A Land Rover mudou de mãos, apresentou vários modelos absolutamente fantásticos e até a Volvo entrou no “baile” com o imponente XC90. Condições reunidas para que a segunda geração do Q7 nascesse. Há três anos que anda por aí...

Veja quanto lhe pode custar este Audi Q7 3.0 TDI quattro

Recordo-me na apresentação mundial do modelo de ter pensado para os meus botões “olha que SUV bem interessante” e a verdade é que tudo apontava para um modelo de sucesso, embora não tenha despido o aspeto de navio almirante. Porque se o anterior Q7 era enorme, este é apenas ligeiramente mais pequeno.... Foi com alguma ansiedade que regressei ao SUV da Audi, desta feita equipado com o V6 3.0 litros TDI. E porque fiz este regresso? Bom, porque o mercado dos SUV está cada vez mais na moda e depois de ter andado com o Range Rover Velar, entendi que era uma boa oportunidade de rever a matéria dada, leia-se, recordar como é o Q7. E, brevemente, mostrar a versão híbrida a gasóleo, deveras interessante.

O Audi Q7 continua enorme, mas o estilo permitiu “esconder” um pouquinho os cinco metros de comprimento e os quase dois metros de largura do SUV de topo da casa de Ingolstadt. Mesmo assim, o carro é mais pequeno que o anterior e, felizmente, substancialmente mais leve. Desta forma, o Q7 passa a ser mais controlável, pois o anterior modelo era tão grande e pesado que a massa tinha vontade própria.

A frente é dominada pela grelha hexagonal e pelos faróis rasgados, desenho que acabaria por surgir depois no Q5 e no Q3, sendo o resto da carroçaria um exercício onde dominam as cavas das rodas de generosas dimensões (muito generosas, mesmo!) e uma linha de cintura elevada e muito bem gravada que dá um aspeto de carrinha e não de SUV ao Q7. Um desenho germânico que é assim, goste-se ou deteste-se.

Depois, temos o interior do Q7 e aqui entramos no domínio onde a Audi – como já disse mais que uma vez – é excelente, particularmente no que toca á ergonomia. Tudo está no local onde todos queremos que estejam os botões dos vidros, do controlo do sistema de conectividade, enfim, tudo está no sitio certo e com uma qualidade verdadeiramente impressionante. Até o estilo, tal como o exterior, germânico e por vezes algo aborrecido, ganha vida com a qualidade da ergonomia e dos materiais utilizados. E na verdade, o ambiente a bordo é fabuloso e não haja dúvidas nenhumas que os melhores interiores do momento são da Audi.

Para lá da colocação perfeita de todos os comandos e da visibilidade do enorme ecrã que encima a consola central, existe uma dotação de equipamento que não pode deixar de ser referida. É verdade que a lista de opcionais é quase do tamanho da Bíblia, mas há muita coisa que é oferecida de série. Por exemplo, os fabulosos bancos com excelente apoio e ampla regulação que, no caso do condutor, permitem encontrar a posição de condução perfeita (ou quase) numa mão cheia de segundos. Os faróis LED, o sistema de navegação, enfim, há ainda muita coisa oferecida pela Audi, de série, no Q7.

Depois, a questão do espaço. O carro tem cinco metros, mas o espaço oferecido pelos quase três metros de distância entre eixos, é verdadeiramente impressionante. Há lugar para uma terceira fila de bancos (com dois bancos razoavelmente confortáveis e espaçosos) sendo a segunda fila de bancos a mais versátil. Os bancos exteriores avançam e recuam, dobram-se, recolhem-se para dar acesso aos lugares da terceira fila (através de um só gesto que tem de ser feito com decisão). Cujos bancos recolhem para o piso do carro de forma elétrica. Menos bem a Audi ao não providenciar um lugar na imensa bagageira para “esconder” a chapeleira quando recorremos aos dois lugares extra.

Naturalmente que os bancos, apesar de confortáveis e com algum espaço, não servem para um adulto viajar durante muito tempo. Já as crianças encontram liberdade de movimentos suficientes para não se queixarem nem sequer roçarem com os joelhos nos bancos da frente.

Quando estiver a usar o Q7 com apenas cinco lugares, fica com uma bagageira com absurdos 770 litros que vão encolhendo com a utilização da terceira fila de bancos. Se rebater a segunda fila de bancos, o interior do Q7 mais parece um contentor com 2075 litros de capacidade.

Equipado com o motor V6 3.0 litros turbodiesel do grupo, o Q7 oferece 272 CV e um binário de 600 Nm, cifras simpáticas que, mesmo depois da rigorosa cura de emagrecimento, ainda têm de carregar com quase duas toneladas de peso. Mesmo assim são menos 325 quilogramas que o anterior modelo! Dizia, então, que o bloco turbodiesel do Q7 destaca-se por ser muito silencioso – e o barulho que produz quando sobre mais um pouco de rotação é muito agradável e nem parece ser um motor a gasóleo – e muito suave, graças, também, à utilização da caixa automática Tiptronic de 8 velocidades. Uma caixa pensada para o conforto e para estes grandes cruzadores, funcionando sempre nos regimes certos para oferecer uma boa desenvoltura sem que o conforto e tranquilidade a bordo sejam prejudicados.

Esta preocupação é bem visível na forma como a caixa navega por todas as relações e como é raríssimo escutar o motor. Isso não significa que este Q7 não seja capaz de excelentes prestações: chega aos 234 km/h e acelera dos 0-100 km/h em 6,5 segundos. Nada mau para um SUV a gasóleo que fica a 10 quilos de pesar duas toneladas!

O Audi Drive Select oferece-nos vários modos de condução e se optar por comprar a suspensão pneumática, verá como estes modos tem influência no comportamento do carro. O modo Sport, por exemplo, endurece a suspensão, melhora a resposta do acelerador e a caixa fica mais rápida e pode usar as patilhas do volante para o modo Manual da caixa de velocidades. Verá como o imenso binário dá muito jeito quando queremos andar depressa.

Não vale a pena exagerar no ritmo em estrada sinuosa porque o Q7 não está pensado para competir, diretamente neste particular, com o Porsche Cayenne ou com os Range Rover. É verdade que numa estrada sinuosa, o Q7 não se nega e o sistema quattro ajuda a oferecer bons níveis de aderência. Porém, há demasiado movimento da carroçaria (apesar de melhor, o Q7 ainda tem muita massa e é um carro alto com quase 1,8 metros) sendo incapaz de ser tão incisivo como os seus rivais naturais. A direção tem alguma sensibilidade e é precisa e direta (pode comprar nos opcionais a direção às quatro rodas) ajudando o sistema quattro – com regulação 40/60 pelo eixo dianteiro e traseiro – a oferecer muita aderência. E, na verdade, o Q7 curva muito bem. Apenas não é tão incisivo como um Cayenne ou um Range Rover Sport, por exemplo.

Mas aquilo que me ficou na retina ao longo do ensaio a este Audi Q7 3.0 TDI quattro, foi o conforto. As suspensões são brilhantes neste particular e a não ser que passemos por uma lomba ou banda sonora a mais de 160 km/h, tudo é absorvido com classe e competência. Então viajar a bordo do Q7 é uma experiência única, que os seus rivais não conseguem oferecer. Lá está, são melhores no comportamento, ficam mais longe no conforto e na qualidade de vida a bordo.

Veredicto

Entre uma motorização aveludada, um refinamento inigualável no interior e um conforto excelente, o Q7 é um automóvel altamente desejável. Tem no Volvo XC90 um rival duríssimo devido ao estilo exterior e interior, ao equipamento de série e ao preço, bem mais pequeno que o do Audi. O Q7 esgrime um interior mais espaçoso, mais harmonioso e as qualidades acima referidas. Além disso é eficiente, não é um gastador inveterado (a média final ficou-se pelos 7,4 l/100 km) e carrega consigo a imagem da casa alemã. Mas os 96.676 euros que a Audi pede por ele acabam por ser o maior obstáculo pois são mais 11 mil euros que o Volvo, menos potente, é verdade (230 contra 272 CV) mas igualmente imponente.

FICHA TÉCNICA

Audi Q7 3.0 TDI quattro

Motor V6, injeção direta, turbodiesel; Cilindrada (cm3) 2967; Diâmetro x curso (mm) 83 x 91,4; Taxa compressão 16,0; Potência máxima (cv/rpm) 272/3250 - 4250; Binário máximo (Nm/rpm) 600/1500 - 3000; Transmissão e direcção Tração integral permanente quattro, caixa automática Tiptronic de 8 vel.; direção de pinhão e cremalheira, com assistência elétrica; Suspensão (fr/tr) Independente multibraços; Dimensões e pesos (mm) Comp./largura/altura 5052/1968/1741; distância entre eixos 2994; largura de vias (fr/tr) 1679/1691; travões fr/tr. Discos vent.; Peso (kg) 1990; Capacidade da bagageira (l) 770/2075; Depósito de combustível (l) 75; Pneus (fr/tr) 255/60 R18; Prestações e consumos aceleração 0-100 km/h (s) 6,3; velocidade máxima (km/h) 234; Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km) 5,4/6,2/5,7 (consumo real medido 7,4 l/100 km); emissões de CO2 (g/km) 149; Preço da versão ensaiada (Euros) 96.679

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