Diesel domina 98% dos veículos geridos pela Arval em Portugal

Na recente visita feita a Portugal, Philippe Bismut, o CEO da Arval, deu conta aos jornalistas portugueses da realidade desta empresa que, a nível global, tem garantido uma taxa de crescimento de oito por cento, o mesmo que cresceu a Arval Portugal no último ano.

Na recente visita feita a Portugal, Philippe Bismut, o CEO da Arval, deu conta aos jornalistas portugueses da realidade desta empresa que, a nível global, tem garantido uma taxa de crescimento de oito por cento, o mesmo que cresceu a Arval Portugal no último ano.

A electrificação do automóvel pode afinal estar a ser feita num ritmo bem mais lento do que se poderá supor, havendo ainda uma predominância muito forte dos motores diesel que irá ter continuidade nos próximos anos. Esta foi a convicção transmitida por Philippe Bismut, o CEO da Arval Corporate que, em Portugal, promoveu um encontro com jornalistas onde deu conta da realidade desta entidade, mas também da realidade de um sector global no qual a Arval, companhia detida pelo BNP Paribas, se movimenta na condição de uma das principais empresas internacionais no sector do renting.

Naquele encontro com os jornalistas, em que o responsável máximo da Arval se fez acompanhar de Roberto da Fonseca (director geral da Arval Portugal), Gonçalo Cruz (director de Marketing e Comunicação da Arval Portugal) e João Soromenho (director comercial da Arval Portugal), foi possível dar conta da realidade desta entidade que, no mercado mundial, controla actualmente uma frota formada por cerca de 1.150.000 veículos, para uma actividade empresarial que tem conhecido uma taxa de crescimento global na Arval na ordem dos 8%, taxa de crescimento que se aplica também ao crescimento em Portugal como deu conta Roberto da Fonseca, segundo o qual a Arval gere já uma carteira de 10 mil veículos. Nestes, a “lei” é claramente ditada pelo diesel, que domina em termos de motorizações 98% dos veículos a cargo desta entidade

Em termos globais, a Arval possui hoje o que Philippe Bismut (na foto ao lado) definiu como “uma plataforma comum em termos de tecnologia, infraestruturas e plataforma de comunicação”. “Sempre que lançamos um produto conseguimos fazê-lo em termos globais. Os nossos clientes, aliás, reconhecem na Arval uma presença internacional e esperam uma resposta da nossa parte capaz de os servir em todos os países com o mesmo nível que qualidade e prestação de serviços. A verdade é que conseguimos fazer isso mesmo, conseguimos permitir o mesmo nível de propostas em todos os mercados e até mesmo os mesmos níveis de preços”, explicou.

Curiosamente, numa análise caso a caso, há mercados mais ou menos maduros, com maiores ou menores crescimentos, tendo Philippe Bismut avançado com o exemplo do mercado aqui bem ao lado, em Espanha, apelidado pelo CEO da Arval como “um mercado maduro” que regista um crescimento de 18%, em contraponto com outros mercados que cresceram 3%, para os 8%  de crescimento médio referido.

Apesar do crescimento apontado como “significativo”, Philippe Bismut deu conta de algum cepticismo sobre a conquista de importância no mercado por parte dos veículos eléctricos que, no mercado europeu, poderá vir a aumentar mas apenas em três por cento nos próximos três anos, mantendo-se o domínio do mercado por parte dos veículos diesel.

No norte da Europa, nomeadamente nos países nórdicos, a aposta nos veículos eléctricos para as frotas poderá vir a ser certamente mais consolidada: “As diferenças surgem no desenvolvimento das tecnologias e na transformação de energia, áreas em que, aí sim, existem diferentes níveis de resposta conforme os países e os mercados. A longo prazo esta realidade poderá mudar, mas há naturalmente uma questão porventura cultural que justifica estas diferenças. Os países do norte da europa, por exemplo, possuem uma preocupação ambiental mais elevada, procurando reduzir os níveis de poluição e as emissões de CO2.”

Já em relação aos países do sul, e também porque a electrificação começou aí bem mais tarde, Bismut considera que será necessário mais tempo para que esse crescimento de verifique de forma consolidada. A inexistência de estruturas indispensáveis à electrificação, pouca oferta de veículos eléctricos e a ausência de conhecimento acumulado efectivo sobre os custos operacionais em frotas com este tipo de motorizações deverá impedir que o crescimento da aposta nos automóveis eléctricos possa ter maior desenvolvimento, isto enquanto que o domínio das motorizações diesel deverá continuar.

Em Portugal, Philippe Bismut defende que o crescimento da influência dos veículos eléctricos será naturalmente num ritmo menor comparativamente com o que se passa no norte da Europa, justificando esta ideia pela existência, nos países a norte, de “uma maior consciencialização ambiental”. Já para Portugal, Bismut afirmou ser expectável que os motores diesel possam “dar lugar a motores a gasolina e híbridos mas ainda não os eléctricos”, justificando esta convicção com o facto das infraestruturas que se relacionam com os eléctricos, nomeadamente em relação aos carregamentos, poderem demorar a dar uma resposta satisfatória às necessidades das frotas.

Apesar de tudo, o diesel continua a ser rei e senhor deste mercado, acreditando Philippe Bismut que a haver uma mudança será a transição, e ainda assim lenta, para as motorizações a gasolina e híbridas. Acreditando que será possível assistir à chegada de um número “muito reduzido de veículos eléctricos”, Bismut não hesita em adiantar que não ainda esse ainda assim o caminho: “Nos próximos cinco anos, veremos cada vez menos veículos diesel e mais gasolina e híbridos, mas se olharmos para o momento presente a realidade é dominada pelo diesel.”

Visando garantir o crescimento consolidado da Arval, Philippe Bismut apontou a importância de situações como algumas parcerias conseguidas, nomeadamente aquela que foi iniciada recentemente com o banco BPI, através da qual foi estabelecida uma solução direccionada para particulares, com um produto de aluguer operacional específico para o Fiat 500. Até aqui, o posicionamento da Arval era de algum modo afastado do “cliente final”, algo que agora muda em face destas parcerias: “Com a aposta nos canais correctos, e nomeadamente no canal digital, teremos que desenvolver a nossa presença digital pois acreditamos que a procura vai crescer.”

Para além das parcerias, também o desenvolvimento de outras áreas de acção, nomeadamente em redor dos veículos usados, obriga a atenções diferenciadas por parte da Arval, isto porque, defende Bismut, uma empresa que funciona na área do renting também tem como missão encontrar soluções para que o seu cliente não tenha de se preocupar com a revenda do carro. “Também temos como missão encontrar as melhores vias de escoamento de veículos, seja através de leilões, de portais de usados ou fisicamente”, explicou Philippe Bismut, apontando deste modo mais uma faceta que deve, no seu entender, nortear a actividade da Arval.

No final deste diálogo com os jornalistas, e depois assumir a sua satisfação pela realidade do momento actual da Arval, em face do já referido crescimento global na ordem dos 8%, Philippe Bismut afirmou-se convencido de que as mudanças irão acontecer, sendo certo que o custo operacional do automóvel continuará a ditar as tendências. Esta realidade, aliás, acaba por dificultar o maior crescimento da electrificação do sector já que, sendo o preço da energia mais em conta, os custos estruturais de uma efectiva aposta nos veículos eléctricos ainda torna essa opção demasiado dispendiosa no renting automóvel. Resta esperar que o diesel dê o seu lugar a outras opções, cabendo essa mudança de agulha ao mercado, para um novo rumo relativamente ao qual a Arval terá que ter uma resposta. Bismut não hesita: “No momento certo estaremos preparados!”

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