Alejandro Mesonero-Romanos o “segredo” do sucesso SEAT

A presença do Seat Arona e do Seat Ibiza entre os concorrentes ao Essilor Carro do Ano 2018 e às categorias de SIUV/Crossover e Citadino do Ano, respetivamente, no Volante de Cristal, foi motivo suficiente para que o “segredo” do sucesso da marca espanhola viesse a Portugal. Chama-se Alejandro Mesonero-Romanos, destaca-se pela sua personalidade encantadora e toque de Midas quando falamos de estilo automóvel. Já percebeu? Sim, foi ele quem desenhou o Arona e o Ibiza, dois sucessos absolutos da casa de Martorell. O homem parece ter o toque de Midas!

A presença do Seat Arona e do Seat Ibiza entre os concorrentes ao Essilor Carro do Ano 2018 e às categorias de SIUV/Crossover e Citadino do Ano, respetivamente, no Volante de Cristal, foi motivo suficiente para que o “segredo” do sucesso da marca espanhola viesse a Portugal. Chama-se Alejandro Mesonero-Romanos, destaca-se pela sua personalidade encantadora e toque de Midas quando falamos de estilo automóvel. Já percebeu? Sim, foi ele quem desenhou o Arona e o Ibiza, dois sucessos absolutos da casa de Martorell. O homem parece ter o toque de Midas!

Sabia que...

Para definir o estilo de um carro são necessários:

1400 dias/4 anos

+ mil litros de tinta

cerca de 500 desenhos

5 toneladas de argila

São três os pilares do design:

- Estilo exterior

- Estilo Interior

- Cores e acabamentos

Que o estilo final é definido com a ajuda de:

- Argila (Clay Model)

- CAD (desenho assistido por computador

Que para homologar uma cor

- São precisos testes caros e demorados

- Que são precisos quase 4 anos para o processo

- Um dos testes é colocar o carro ao sol no local mais quente da terra e esperar para ver se há degradação na cor

O estilo define-se desta forma

“Ver o que todos vêm, pensar o que ninguém pensou!”

Nasceu há 50 anos em Madrid, filho do engenheiro José Luis Mesonero-Romanos Sanchez Pol e de Sonsoles Aguillar Barbadillo e, curiosamente, conheceu a SEAT com tenros 8 anos de idade quando a casa espanhola escolheu o jardim da sua casa para as fotos para o lançamento do 128. Tetraneto de Ramón Mesonero-Romanos (1803 – 1882), um nome grande da escrita espanhola e do costumbrismo (tendência artística e literária que escolhe os costumes típicos de um local ou de um grupo social como tema principal para a sua obra) e de Eugenio Barrón, conhecido engenheiro esanhol de finais do século XIX (uma das suas obras emblemáticas foi o viaduto sobre a Rua de Segovia em Madrid), o responsável pelo estilo na SEAT tem uma árvore genealógica poderosa. Eugenio Mesonero-Romanos Barrón, reputado médico e impulsionador da Academia de Médicos Escritores, foi figura grada do jornalismo espanhol, tendo ficado na história por ter sido a única pessoa a ter feito uma fotografia do momento do atentado contra Alfonso XIII e Victoria Eugenia, no dia do seu casamento, na Calle Mayor, dia 31 de março de 1906. Guillermo Mesonero-Romanos Aguillar, seu irmão, foi vice presidente dos lacticínios Puleva e da poderosa construtora San José.

Apesar deste passado ilustre, Alejandro Mesonero-Romanos decidiu seguir a via do design e formou-se em Barcelona em design de produto na Elisava Design School entre 1986 e 1990. Depois de passar brevemente por uma empresa de fabrico de autocarros de luxo em Girona, decidiu ir fazer o mestrado em design automóvel no Royal College of Art, em Londres. Em 1994, deu-se o salto para a Seat onde trabalhava o seu irmão Carlos. Trabalhou debaixo da supervisão de Gert Hildebrand e Peter Knapp, até ser transferido para o Cento de Estilo Europeu do grupo VW, em SItges, em 1996. Foi ele quem desenhou o protótipo Bolero de 1998 e os protótipos Fórmula de 1999, tendo colaborado na definição do Ibiza de 2002, além de outros modelos para a Volkswagen e Audi.

Quando a Renault abriu um centro de estilo em Barcelona, Alejandro Mesonero-Romanos acabou seduzido pelo projeto de ser “Senior exterior designer”, tendo subido na hierarquia em 2004, quando passou a supervisionar a maioria dos projetos da casa francesa. O seu modelo mais importante foi o Renault Laguna Coupé de 2009.

Passando a estar no departamento de estidos avançados de design da Renault, esteve envolvido no projeto do Twizy, acabando por sair de Barcelona rumo á Coreia do Sul, para liderar o estilo da Renault Samsung Motors. Depois do belíssimo Laguna Coupe, Mesonero-Romanos desenhou o topo de gama da marca coreana, o SM7, aquele que seria o último carro feito para o grupo francês.

Uma “muito atraente e vantajosa proposta”, nas palavras do mesmo, chegou do grupo VW através de Walter da Silva, na altura já o responsável por todo o design do grupo VW. Que ficou entusiasmado com a recomendação dada por Luc Donkerwolle, ex-designer da Seat que foi “repescado” para tratar do estilo da Bentley, sobre Alejandro Mesonero-Romanos, tendo como exemplo o sempre bonito Laguna Coupe. Assim, o madrileno regressa à Seat em maio de 2011, como responsável máximo do estilo SEAT.

Sendo uma marca com 60 anos de história, metade dos quais debaixo do jugo da Fiat, limitando-se a ter um cento técnico que adaptava os modelos italianos às particularidades do mercado espanhol, a SEAT só teve um centro de estilo em... 2007. Titubeante, ainda muito na dependência do grupo Volkswagen, o Centro de Estilo da SEAT em Barcelona é, hoje, uma instalação muito diferente. Alejandro Mesonero-Romanos lidera um departamento com perto de um milhar de pessoas, dos quais 83 são designers profissionais e engenheiros altamente treinados com 13% de estrangeiros. Ali se encontram jovens de vários países (Reino Unido, Holanda, Alemanha, Polónia, Eslováquia, China, Italia e Portugal) num local que o patrão do estilo SEAT reputa ser “um centro moderno e dinâmico com excelente ambiente que oferece as maiores oportunidades para jovens que queiram iniciar a sua carreira em design industrial sem terem de sair de Espanha.”

Recorda Alejandro Mesonero-Romanos que “quando cheguei ao departamento, foi-me pedido fosse desenvolvendo um estilo que desse confiança aos clientes. Walter da Silva já tinha feito algo com o estilo da SEAT e tinha, mesmo, conseguido levar as pessoas a conhecer a marca SEAT e o seu desenho atraente e de qualidade.”

Para o responsável máximo do estilo da casa espanhola, “depois de algum tempo a solidificar a imagem, estabelecemos uma linha mestra que começou com o Leon e prosseguiu com o Ateca, o Ibiza e, agora, o Arona. Entendo que a SEAT já chegou à fase madura do estilo e vamos entrar num segundo momento onde vamos evoluir o estilo. Hoje os clientes já compram pelo nome da marca e do modelo e não pelo preço, por isso podemos dar o passo seguinte.”

Voltando a recuar no tempo, Alejandro Mesonero-Romanos deparou-se, quando chegou no dia 15 de maio de 2011 à SEAT, com muito do aludido trabalho de reconhecimento da marca feito. Porém, como conta numa entrevista dada há algum empo, “nada estava decidido e o salão de Frabkfurt estava ao virar da esquina, em setembro. Três meses e meio chegaram para finalizar o protótipo IBL, infelizmente com uma qualidade apenas sofrível e um conteúdo muito fraco. O possível na altura, quando, por exemplo, passámos uma noite em claro a refazer a tampa da mala depois desta se ter estragado na véspera de apresentação à imprensa. Recordo que a tinta original seguiu de Martorell durante a noite no avião privado da empresa, para chegar a horas de completarmos o carro!”

Quem conhece bem a gama da SEAT percebe uma identidade nos modelos da casa espanhola e por isso era imperioso saber se Alejandro Mesonero-Romanos era, ou não, o “pai” do Leon. “O carro estava quase pronto” refere o designer, recordando que “ainda, assim, tive tempo para introduzir algumas alterações, nomeadamente, nos faróis e farolins e no interior. Já a versão de três portas foi desenhada a partir do zero (apenas a frente é igual ao cinco portas) e depois foi a vez da carrinha.”

Co-habitar num grupo tão grande como o Volkswagen afigura-se, para quem olha de fora, uma tarefa complicada, ainda por cima quando marcas como a Seat são “peixinhos dourados” num aquário onde estão os “tubarões” VW e Audi. “É verdade que não conseguimos sempre tudo o que queremos” afiança Mesonero-Romanos, porém “os orçamentos são ajustados ás dimensões de cada um e temos liberdade para dar palpites sobre os trabalhos de outras marcas. Ou seja, podemos dar um palpite sobre um Lamborghini e do lado deles um palpite sobre o nosso carro. E depois, as marcas acabam por se complementar. Fora as Audi e da VW, a Skoda é a marca mais racional, nós podemos ser mais emocionais (risos).”

Alejandro Mesonero-Romanos referiu que a SEAT estava pronta para um novo desafio. Não quis adiantar muitos pormenores, mas numa entrevista recente num órgão de comunicação espanhol (Expansion), o espanhol abriu mais o jogo. “Chegou a altura de passarmos ao patamar seguinte, que passemos a uma nova fase. Que é o que vai acontecer com o próximo Leon, mais sensual com um grafismo nos faróis que terão um estilo muito latino, mediterrâneo. Não será nada de disruptivo, mas sim evolutivo. Já passámos a fase em que tínhamos de chamar a atenção de qualquer forma. Este, de todos os carros que já desenhei, é aquele em que o aspeto final mais próximo fica dos desenhos iniciais. A versão de cinco portas está pronta, o carro chegará em 2019 e surgirá com mais duas carroçarias. Acho que vai surpreender!”

Apesar de realizado no seu trabalho, Alejandro Mesonero-Romanos não esquece o Laguna Coupe e tem o sonho de desenhar um novo coupe para a SEAT. Porém, reconhece que “estes só funcionam nas marcas Premium”, mostrando-se um amante dos crossover que considera serem “uma espécie de canivete suíço” porque oferecem tudo num único carro. Amante dos carros clássicos, o designer da SEAT olha para o futuro e a eletrificação está nos seus horizontes. Lembra que “pode haver o risco de uma banalização do automóvel” que se pode converter num eletrodoméstico. “Porém, acredito que o fator emocional continuará presente.”

Tendo como referências homens como Sergio Pininfarina, Nuccio Bertone, Giorgio Giugiaro ou Walter da Silva, Alejandro Mesonero-Romanos tem um particular apreço por Leonardo Fioravanti, autor de alguns dos mais bonitos Ferrari feitos até hoje, invejando a liberdade de desenho que todos beneficiaram.

A passagem de Alejandro Mesonero-Romanos foi curta, mas o espanhol confessou-se “apaixonado pelo país, pela luz deliciosa” que descobriu em Lisboa, dizendo mesmo que deveria convencer Luca di Meo, o CEO da SEAT a abrir um centro de estilo em Lisboa. Mudar-se-ia imediatamente para cá...

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