Investigadores vão aconselhar hotéis a pouparem água e energia

Investigadores do LNEC estudam o consumo de energia e de água de hotéis portugueses e vão propor mudanças de procedimentos e adoção de novas tecnologias visando poupanças, de recursos e de dinheiro, disse hoje o coordenador do projeto.

O estudo Adapt ACT, para a adaptação às alterações climáticas no setor do turismo, é um dos cinco projetos apoiados pelo programa Adapt, destinado a Portugal, envolve técnicos do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e abrange 10 hotéis, em Lisboa e no Algarve, de oito grupos, que, no total, detêm mais de 100 unidades de quatro e cinco estrelas.

"O objetivo principal é, em conjunto com os hotéis, mostrarmos que boas e más soluções [existem] para que na planificação das intervenções possam escolher [soluções] sustentados no conhecimento", assim como analisar até que ponto estas unidades são vulneráveis aos aumentos de temperatura e às secas, avançou à agência Lusa Armando Pinto.

Com base nos cenários futuros das alterações climáticas, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), e na análise dos consumos de eletricidade, gás e água das unidades hoteleiras, os especialistas vão traçar níveis de referência, e propor procedimentos alternativos ou adoção de outras soluções tecnológicas visando a eficiência e a poupança de recursos e de dinheiro.

"Para cada hotel vamos dizer: este é o seu grau de adaptação às alterações climáticas e para melhorar, quer em termos de eficiência, quer em termos de adaptação para outro clima, estas serão medidas que nos parecem importantes", resumiu o investigador do LNEC.

Portugal, principalmente a zona costeira, é um dos países europeus mais vulneráveis às alterações climáticas, com o aumento da frequência de fenómenos extremos, como ondas de calor e concentração da precipitação em períodos curtos e espaçados no tempo.

Os especialistas sabem que, em dias muito quentes, os edifícios aquecem e aumentam os gastos de energia para arrefecer os espaços, por exemplo.

Nestes períodos quentes, "podem existir problemas na prestação do serviço do hotel e claramente existe também um aumento da fatura de energia, o que também vai colocar mais pressão sobre a rede de abastecimento de energia no ambiente urbano", explicou Armando Pinto.

Por outro lado, referiu, com a tendência para a redução da água disponível, devido à baixa precipitação e à seca, "a grande aposta é na utilização de dispositivos eficientes para se reduzir as necessidades" deste recurso utilizado para o consumo dos clientes, mas também na manutenção dos edifícios e dos espaços verdes.

Assim, além das soluções tecnológicas, como a opção por energias renováveis, da solar à fotovoltaica, ou pela substituição dos equipamentos de ar condicionado por outros mais eficientes, o projeto Adapt ACT vai aconselhar vegetação mais adequada às condições climatéricas.

Os responsáveis do projeto tentaram abranger hotéis com diferentes estratégias, equipamentos, instalações, "uns melhores, modernos, outros mais antigos, e provavelmente menos adaptados", uma amostra heterógenea que é relevante para a avaliação de diferentes tecnologias.

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