Portugal tem um manifesto pela igualdade de género

Michael Page Portugal e pelo Lisbon MBA criaram "Meritocracia, Igualdade e Diversidade para o Desenvolvimento e Competitividade", manifesto que quer promover a meritocracia e igualdade nas empresas.

Michael Page Portugal e pelo Lisbon MBA criaram "Meritocracia, Igualdade e Diversidade para o Desenvolvimento e Competitividade", manifesto que quer promover a meritocracia e igualdade nas empresas.

Segundo o Global Gender Gap Report do World Economic Forum, em 2016 os homens receberam, em média, mais 8.504 euros no seu rendimento anual do que as mulheres.Pixabay

A Michael Page e o The Lisbon MBA decidiram criar um manifesto de meritocracia e de estímulo à igualdade de género e de oportunidades, que tem como objetivo marcar uma posição na economia e, “contribuir para construir um modelo social e económico mais justo para Portugal”, explicam as duas entidades em comunicado. O “Meritocracia, Igualdade e Diversidade para o Desenvolvimento e Competitividade” pretende incentivar empresas a pôr em marcha boas práticas que tenham em consideração as assimetrias existentes entre homens e mulheres no mercado de trabalho. O documento foi assinado pelas duas entidades no final de junho.

“Com este manifesto queremos contribuir para a discussão de um tema muito relevante para a sociedade, o acesso igualitário e universal às oportunidades de trabalho e liderança organizacional. (…) O pressuposto não é o de que a mulher é, per si, melhor que o homem. A questão que defendemos é que as oportunidades devem sempre ser iguais para ambos e isso infelizmente não se verifica. A trajetória é contrária ao que se deseja, ou seja, à paridade”, detalha Anabela Possidónio, diretora executiva do The Lisbon MBA.

Em Portugal, de acordo com o Global Gender Gap Report 2016 do World Economic Forum, as mulheres recebem um salário anual de 20.431 euros e, os homens, em média 28.935 euros, ou seja, estes últimos ganham, em média, 8.504 euros mais do que os trabalhadores do sexo feminino.

Mas o manifesto não se trata só de organizar e fazer assinar um documento que previna descriminação por género: o que este manifesto quer é também tornar visível uma realidade. “Um outro tema a que pretendemos dar visibilidade é à flexibilidade, por forma a promover uma verdadeira conciliação entre a vida profissional, pessoal e familiar”, esclarece Anabela Possidónio.

Além do The Lisbon MBA, também a Michael Page Portugal faz parte da redação do manifesto. Joana Barros, senior marketing executive da empresa, acredita que pode dar ao mercado ferramentas que já usa internamente, nestes campos. “A Michael Page é uma empresa meritocrática, que promove a diversidade, inclusão e flexibilidade, quer internamente, quer nos processos de recrutamento junto dos clientes. Assim, este manifesto foi, para mim, o passo lógico a tomar: criar um documento oficial com estes valores e promovê-lo junto do mercado”, diz, em entrevista ao ECO.

Joana Barros assume que o documento é realista em matéria de ambição mas pode levar as pessoas a falarem mais abertamente sobre o tema. “Estamos conscientes de que não será este documento que irá mudar a realidade. E não temos pretensões nesse sentido. Mas, com a sua criação, queremos promover um debate efetivo e duradouro sobre a temática; alertar consciências enquanto empresa de recrutamento e instituição de ensino junto dos principais atores do mercado: estudantes, profissionais e empresas”, afirma.

Nos planos dos dois parceiros fundadores está alargar a rede de signatários a “diversas entidades” que fazer parte da rede de contactos. “O compromisso escrito, em formato de promessa, sem iniciativas no terreno seria desprovido de efeitos práticos. No caso do The Lisbon MBA não se trata apenas de seguir boas práticas, mas sobretudo de exercer um papel educativo junto da comunidade de alunos e alumni. (…) A génese do manifesto não é uma problemática relacionada com o género, mas, sim, uma questão de inexistência de uma política meritocrática nas empresas. No caso do The Lisbon MBA não creio que esta seja a questão mais premente. Para nós o grande desafio passa por atrair mais mulheres para os nossos programas, garantindo que se preparam para aceder a cargos de topo na gestão”, explica ainda Anabela.

O manifesto inclui ainda um programa de eventos e workshops sobre políticas meritocráticas e a igualdade de acesso às oportunidades dentro dos nossos programas (Executive MBA e International Full Time MBA), cujo calendário será anunciado em breve.

De acordo com os dois promotores, o manifesto defende a existência de três princípios-base:

  • Meritocracia
  • Igualdade
  • Flexibilidade

Assinando o manifesto, as entidades comprometem-se a:

  • Não discriminar com base em critérios de nacionalidade, sexo, orientação sexual, identidade de género, idade, etnia, deficiência, ideologia ou religião;
  • Adotar processos de recrutamento, seleção e promoção nas carreiras transparentes;
  • Respeitar cada ser humano como único e desenvolver um ambiente em que as opções e a identidade de cada pessoa sejam respeitadas, reconhecidas e valorizadas;
  • Criar um ambiente inclusivo e livre de preconceitos;
  • Encorajar e apoiar as pessoas a recorrer ao seu talento individual. Uma equipa diversificada e coesa fornece diversas perspetivas e pontos de vista para a organização, gerando criatividade, resolução de problemas e sustentabilidade;
  • Promover o equilíbrio entre mulheres e homens em todos os níveis hierárquicos;
  • Promover a motivação, a coesão e o crescimento, através do desenvolvimento de programas de diversidade e inclusão no local de trabalho;
  • Apoiar as pessoas através do desenvolvimento de planos de carreira transparentes, baseados em objetivos e resultados concretos e mensuráveis. Tal traduzir-se-á num aumento da motivação e participação, com base no reconhecimento dos resultados individuais e consequente produtividade e competitividade;
  • Trabalhar no sentido de permitir às pessoas iguais oportunidades de desenvolver as funções que melhor se adequam às suas competências e ambições, bem como formar e sensibilizar futuras lideranças para a importância do mérito, da igualdade, da inclusão, da não discriminação;
  • Desenvolver relações de confiança e fomentar a autonomia;
  • Promover uma cultura de combate às desigualdades sociais e económicas de forma transversal a todas as gerações.

Atualmente, o Dia Europeu da Igualdade Salarial é assinalado a 2 de novembro, data em que simbolicamente as mulheres deixariam de receber ordenados num ano, quando comparados os valores que auferem com os dos homens. A data definida pela União Europeia reflete o valor que os homens ganham, em média 13% superior ao das mulheres.

Notícia atualizada a 24 de julho com assinatura do manifesto.

De segunda a sábado,

consulte os especialistas em Desporto, Atualidade, Entretenimento, Tecnologia, Lifestyle e Motores.