BCE mantém juros. Mas já não fala na possibilidade de aumentar estímulos à Zona Euro

Taxa de juro de referência vai manter-se em mínimos históricos, anunciou o BCE. Mas há alterações no discurso oficial: deixou cair a possibilidade de aumentar os estímulos monetários.

Taxa de juro de referência vai manter-se em mínimos históricos, anunciou o BCE. Mas há alterações no discurso oficial: deixou cair a possibilidade de aumentar os estímulos monetários.

Sem surpresas, o Conselho de Governadores do Banco Central Europeu (BCE) decidiu deixar inalterada a taxa de juro de referência em mínimos históricos na Zona Euro. Ainda assim, há alterações de substância no seu discurso face ao anterior: deixou cair a possibilidade de aumentar os estímulos monetários, abrindo cada vez mais a porta ao fim do programa de compra de dívida em setembro deste ano.

Em concreto, o comunicado do BCE deixou de incluir esta passagem: “Se as perspetivas passarem a ser menos favoráveis ou se as condições financeiras deixarem de ser consistentes com uma evolução no sentido de um ajustamento sustentado da trajetória de inflação, o Conselho do BCE está preparado para proceder a um aumento do programa de compra de ativos em termos de dimensão e/ou duração“.

Este era o sinal que o mercado estava à espera há algum tempo com o BCE a preparar o mercado para o fim do plano de aquisições de dívida dos Governos da Zona Euro iniciado há três anos e no âmbito do qual já adquiriu 32 mil milhões de euros em títulos de dívida pública de Portugal.

Atualmente, o banco central tem como meta comprar 30 mil milhões de euros em dívida todos os meses até setembro. Depois dessa data, aquilo que será investido em novas aquisições de títulos resultará do dinheiro que o BCE obtiver de reembolso com o vencimento das obrigações que detém na sua carteira.

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As atenções estão agora viradas para o discurso de Mario Draghi na conferência de imprensa que tem lugar dentro de menos de uma hora. O presidente do BCE deverá deixar pistas sobre aquilo que poderá ser o futuro da política monetária na região, incluindo os estímulos, numa altura em que a economia continua a dar sinais bastante positivos.

Os analistas antecipam que o italiano pode deixar mais claro a sua orientação em relação ao programa de quantitative easing que tem ajudado a conter o risco em alguns países. Outros temas como a evolução cambial ou a guerra comercial poderão ser introduzidos pelos jornalistas na sessão de perguntas a Draghi.

Na sua decisão de política monetária hoje conhecida, o Conselho do BCE decidiu que a taxa de juro aplicável às operações principais de refinanciamento e as taxas de juro aplicáveis à facilidade permanente de cedência de liquidez e à facilidade permanente de depósito permanecerão inalteradas em 0,00%, 0,25% e -0,40%, respetivamente.

(Notícia atualizada às 13h01)

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