O mundo do off-road continua a ser afetado pelo surto de coronavírus, mas o Red Bull Romaniacs de 2020 está pronto para arrancar, com algumas alterações. O diretor da prova, Martin Freinademetz, explicou o porquê de não haver nenhum prólogo, briefings de vídeo e a possibilidade de a corrida ser adiada para agosto.

Com a Red Bull Romaniacs deste ano ainda provisoriamente marcada para 21 a 25 de julho, e com as constantes mudanças causadas pelo coronavírus, Martin Freinademetz e a sua equipa têm muitas coisas para resolver neste momento.

Sendo uma competição internacional e uma ronda programada do Campeonato Mundial de Enduro, o sucesso da prova depende em grande medida da participação de pilotos de diferentes países. “Se tivéssemos de cumprir quarentenas, não faria sentido fazer uma corrida”, disse Freinademetz, que espera que as restrições governamentais e os controlos fronteiriços mudem para que a corrida se realize.

“Ainda não conseguimos fazer um anúncio claro, porque queremos ter a certeza de que as ordens do governo vão ser cumpridas. Já discutiram este assunto no ministério romeno e classificam o desporto motorizado como não perigoso em termos de Covid-19. Isto deve-se ao uso de capacetes, luvas e ao facto de manterem distância social durante a corrida. Apesar de ter menos restrições do que outros desportos, ainda é preciso que o ministério divulgue as orientações no início de junho para que possa ser tomada uma decisão definitiva”, explicou o diretor da prova, acrescentando ainda que o maior problema neste momento são as fronteiras e a sua data de reabertura.

Dadas as circunstâncias atuais, Martin e a sua equipa continuam a fazer planos tão normais quanto possível, embora com algumas mudanças em curso, incluindo a não abertura do City Prologue nas ruas de Sibiu este ano.

“Apesar de ainda não ter sido nada anunciado sobre as multidões nos eventos desportivos, é evidente que não podemos correr o prólogo como é normal. Isso não faz sentido. Mesmo que pudéssemos ter espetadores, seriam muito poucos, por isso de 10.000 espetadores, seria preciso dizer a 9.500 que não podem entrar. Por isso, acrescentámos mais um dia de off-road com uma prova de contra-relógio para substituir o prólogo. Desta forma, cada piloto estabelecerá a sua posição de partida para o primeiro dia de off-road propriamente dito”, revelou Martin Freinademetz.

“Serão cerca de 15 ou 20 quilómetros e iremos deixar intervalos de partida suficientes para evitar qualquer fila de espera, que serão de dois ou três minutos . As cinco classes fazem cinco percursos e cada classe terá o nível de dificuldade que enfrentará nos próximos dias, apenas muito mais curto”.

Quanto à data de realização do evento, a incerteza continua presente. “Preferíamos fazer em julho, mas é difícil. Temos sido sempre muito positivos e, se as coisas se revelarem positivas, queremos estar prontos e é por isso que passamos tanto tempo nas pistas durante a primavera, afinando e certificando-nos de que tudo estará em ordem. Se for possível, estamos prontos para arrancar em julho, mas a situação não está muito favorável. Espero que até 1 de junho possamos ter praticamente toda a informação de que necessitamos relativamente à forma como o evento vai ser e vai funcionar. No entanto, penso que, para obter instruções claras sobre as restrições de viagem, poderemos ter de esperar até ao dia 15 de junho”, avançou o diretor da prova, dizendo ainda que a possibilidade de adiar tem como objetivo poder garantir que a grande maioria dos participantes possa estar presente.

“Temos a oportunidade de mudar as datas para o final de agosto e também para outubro, porque algumas fronteiras podem permanecer fechadas até lá. Podemos mudar-nos para perto do inverno aqui na Roménia e ser o último evento do campeonato, mas preferíamos fazer o evento no verão, ter dias mais longos, temperaturas mais quentes e estamos a trabalhar com o WESS nesta matéria”, disse Freinademetz.

Quanto à logística do evento, vários aspetos também terão de ser alterados. “Vamos simplesmente dar mais tempo às pessoas para que não haja muita gente presente quando tal não é necessário. Para todas as atividades em que normalmente temos um grande número de pessoas, todas juntas, criámos diferentes opções para que isso se possa evitar. Por exemplo, o briefing dos pilotos não precisa de acontecer numa sala com mais 500 pessoas. Pode ser feito a partir do próprio quarto dos pilotos. Já temos isto planeado”, explicou Martin Freinademetz, que continua a fazer tudo o que está ao seu alcance para que a corrida se mantenha na data prevista.

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Foto: Red Bull Romaniacs