Tony Skillington faz parte da FIM há quase trinta anos e é Diretor da Comissão de Motocross desde 2014. Foi há um ano que lhe foi entregue o cargo de CEO e agora enfrenta a difícil tarefa de lidar da melhor forma com o surto de coronavírus.

Em tempos complicados como os que vivemos atualmente, a FIM está a segurar as rédeas do desporto motorizado mas, tal como acontece com muitos outros negócios, não está nem vai ser fácil.

“Estamos completamente fechados e todos os calendários estão completamente cancelados ou adiados” afirmou Skillington. “Estamos numa situação precária, porque os nossos contratos nunca se prepararam para um coronavírus. O nosso negócio mais rentável é a Dorna, com o MotoGP, e estamos numa situação de estagnação, porque não sabemos como isto vai ter impacto nas finanças futuras da FIM”.

Com a situação de incerteza que atravessamos, é praticamente impossível prever quando é que vão voltar a haver corridas neste ano e qual a percentagem dos campeonatos que poderá ser realizada.

“Como qualquer negócio, nós temos despesas e precisamos de um rendimento para as cobrir. Nós temos uma reserva, mas como ninguém a está a fazer crescer, ela pode desaparecer rapidamente. Não é só o dinheiro, porque o dinheiro é para treinar e todas as outras coisas, como por exemplo promover o desporto”, disse o CEO da FIM, avançando ainda que está em cima da mesa a possibilidade de procurar financiamento do governo.

“Isso é algo que estamos a ver mas, de momento, não sabemos como esta situação vai acabar. Estamos no processo de tentar descobrir qual será o próximo passo. Acho que não vamos chegar ao final de abril e tudo vai desaparecer. Na minha opinião, isto é algo que vai durar meses. Acho que 2020 pode ser sofrer uma anulação completa. Se os diferentes campeonatos conseguirem cumprir metade das datas será uma sorte. Acho que, ao terem sido cancelados os Jogos Olímpicos, ficou percetível que isto é algo a longo prazo”, esclareceu Tony Skillington.

Os efeitos desta pandemia serão, sem dúvida, devastadores para muitos negócios e o desporto parece ser um deles. O CEO da FIM não está otimista quanto ao regresso às competições em 2020 e, segundo o próprio, mesmo que isso aconteça, o regresso à normalidade será bastante lento.

“Primeiro que tudo, isto vai ter um efeito negativo nas pessoas que viajam e na confiança do público em grandes eventos. Este vai ser um problema durante algum tempo. Quem organiza um evento precisa de público e, pelo menos nesse sentido, 2020 vai ser um desastre. Penso que quando vimos o calendário da Fórmula 1 e o calendário do MotoGP serem alterados e os eventos cancelados e adiados, só então percebemos o quão sério isto era”.

Quanto aos diferentes calendários, a incerteza mantém-se. Todos os países estão a seguir os seus próprios protocolos e planos de emergência e, mesmo que se tente procurar uma data segura para o arranque das corridas, é sempre questionável.

É precisamente essa a ideia reforçada por Tony Skillington que sublinha que “ninguém tem a certeza de quando é que os governos nacionais abrem tudo novamente”.

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Foto: FIM