Rui Gonçalves foi um dos estreantes portugueses na 43.ª edição do Dakar. O transmontano falou desta sua primeira participação no maior Rally do mundo.

Sabia que ia ser difícil e que ia ter pela frente muitos obstáculos para superar, atendendo a que era uma prova completamente diferente daquilo que eu já tinha feito, tanto no Motocross como no Enduro.”

A pandemia tornou ainda mais difícil a preparação de alguém que se ia estrear no Dakar e o transmontano não foi exceção: “Praticamente não consegui treinar no deserto. Na verdade o Dakar foi o meu primeiro Rally. Fiz apenas o Andalucia Rally que foi uma prova muito diferente e sem deserto.

Nunca tinha arrancado para uma etapa com o cronómetro a contar e onde tinha de andar rápido e navegar o melhor possível. Isso é muito complicado por isso houve algumas etapas menos boas” confessou o piloto de Vidago.

Por outro lado, “logo na primeira semana consegui uma etapa bastante boa, o que foi positivo para a minha motivação. Depois, fui evoluindo ao longo da prova mas tivemos alguns problemas mecânicos que tive de resolver, algo a que também não estava habituado.”

O episódio mais complicado para RG foi quando “tive um problema com um dos depósitos de gasolina tinha uma fuga e fiquei sem gasolina. Tive de esperar alguém que me pudesse desenrascar e depois tive de economizar ao máximo até final. A partir desse momento, a preocupação é apenas chegar ao final da etapa e não propriamente andar rápido ou conseguir um resultado.”

As quedas fazem parte do Dakar e o piloto da Sherco teve uma bastante forte a poucos dias do fim. “Deixou-me de certa forma abalado e muito dorido. Tive muito trabalho de fisioterapia para estar ao melhor nível nos dias seguintes mas foi muito difícil. A moto ficou toda empenada e arranquei muito de trás no dia seguinte. Já não apanhava tanto pó desde que competia em corridas amadorasMas aqui é o prato do dia!!!

Nas palavras do próprio Rui Gonçalves o Dakar é uma montanha russa de emoções e prova disso foi o bonito momento que protagonizou no final da prova num abraço longo e apertado com o seu amigo se longa data, Joaquim Rodrigues.

Para mim, este ano o Quim foi o vencedor do Dakar. Eu disse-lhe que ele era um guerreiro, que era muito forte. Ele fez muitos sacrifícios para chegar ao fim e tenho a certeza que o Paulo está muito orgulhoso. Tenho a certeza que era o que o Paulo queria que o Quim fizesse, chegar ao fim por ele.