O Campeonato do Mundo de MotoGP de 2020 está parado desde o teste do Qatar no final de Fevereiro, mas o carrossel das transferências de pilotos parece ter começado a girar ainda mais cedo que o habitual este ano.

O verão chegou e há muita atividade no campo dos contratos para 2021. Esta é a prova, se alguma prova fosse necessária, de que é preciso mais do que um bloqueio para parar o inevitável, quer as corridas estejam a ser disputadas ou não.

O grande jogo do “quem vai para aonde” da “Silly Season” tem vindo a ganhar ímpeto. bem antes do primeiro encontro no paddock de Jerez daqui a duas semanas.

Mas como saber quem está em forma em 2020, quando as únicas pistas para a forma atual dos pilotos veio do mundo virtual da PlayStation?

Seja como for, as negociações têm de ter lugar para haver novos contratos celebrados. A maioria dos principais atores já tinha assinado: Marc Márquez assinou com a Honda mais cedo, até final de 2024, num contrato inédito e multi-milionário; Maverick Viñales e Fabio Quartararo também foram anunciados como a futura dupla de fábrica da Yamaha antes do início da temporada; Para Rossi, por seu lado, parece estar reservado um lugar na Yamaha Petronas, ao lado do seu protegido Franco Morbidelli.

A Suzuki prolongou os contratos  com Alex Rins e Joan Mir durante a paragem. Na Ducati, Jack Miller ganhou a sua promoção à equipa de fábrica à custa de Petrucci, que sabe-se agora, vai estar na KTM Tech3 e Jorge Martin vem das Moto2 para a Pramac.

Fica Johann Zarco à espreita da oportunidade enquanto batalha na secundária Ducati Avintia com Tito Rabat.

Na Aprilia, Aleix Espargaró, que agora tem de acreditar ainda mais que a moto deu um passo em frente, parece prestes a ficar.

A Aprilia, a equipa de fábrica menos cotada, pois tem levado nas calças até da mais jovem KTM, parece estar a atrair interesse para outro lado. Uma vez que não houve ainda corridas em que o fabricante italiano pudesse ter demonstrado as suas repetidas melhorias, o atual interesse na marca deve ser devido a uma combinação de ambição e simplesmente à disponibilidade atual.

Primeiro, a Aprilia já viveu tempos gloriosos de GP no passado, e segundo, Andrea Iannone foi castigado com uma suspensão de 18 meses que deixa o seu lugar vago.

A verdade é que o atual contrato de Iannone expira após a temporada de 2020, isto é, ainda antes do fim da suspensão. O piloto procura uma absolvição no Tribunal Internacional de Arbitragem do Desporto (CAS), enquanto a Aprilia insiste que continuam a apoiar o seu filho problemático por boas razões.

No entanto, continua a ser questionável se o fabricante de Noale o aceitaria de volta no próximo ano, depois de uma temporada pouco impressionante em 2019, com a exceção de Phillip Island, onde estabeleceu a melhor performance da temporada com um 6º lugar.

Questionável o suficiente para reforçar os rumores de que Cal Crutchlow está interessado na Aprilia. Agora muito mais, depois da outra opção, a de substituir Pol Espargaró na KTM, já não estar disponível, pois sabemos agora que o lugar foi dado a Miguel Oliveira.

Mas porque é que o três-vezes vencedor em GP, o Crutchlow, está à procura de um novo emprego? Isso não é fácil de responder, e a situação mudou continuamente nas últimas semanas.

Originalmente, parecia lógico que o home de Coventry ficasse onde está agora, na equipa satélite da Honda LCR, com um contrato com a HRC. Mas a surpreendente decisão da Honda de trazer Pol Espargaró expulsou o atual piloto de fábrica Alex Márquez da equipa, mesmo antes de fazer a sua estreia no MotoGP.

Para apaziguar o irmão mais velho Marc, no entanto, Alex será acomodado na LCR, onde o segundo lugar já é ocupado pelo favorito da Honda (e importante veículo Japonês para os patrocinadores) Takaaki Nakagami. O team manager Lucio Cecchinello pode não ter outra escolha senão separar-se de Crutchlow.

A porta da KTM já se fechou, porque depois de uma visita bem-sucedida à Áustria, o vencedor de Mugello Danilo Petrucci, que estava de saída da Ducati, assinou com a marca, ainda que se tenha tornado claro depois que “Petrux” não vai substituir Pol Espargaró diretamente. Em vez disso, Miguel Oliveira, da Tech3, vai juntar-se à equipa de fábrica, onde vai andar ao lado de Brad Binder (cuja estreia foi adiada pelo Corona, tal como a de Alex Márquez).

Petrucci trará a sua vasta experiência à equipa cliente, ao lado de outro rookie à espera, Iker Lecuona, embora a KTM já tenha dito que todos os 4 pilotos KTM terão o mesmo material.

Tudo isto foi o que provavelmente levou Cal a dar uma olhadela ao último lugar de fábrica teoricamente disponível, na Aprilia. O que vem apimentar ainda mais o jogo é que, para já, o suspenso Iannone será substituído pelo piloto de testes Bradley Smith, pelo menos nos primeiros Grande Prémios. Como britânico, Smith sempre foi uma referência para Cal, que certamente gostaria de uma comparação direta. Mas, e se Smith se der bem no seu regresso à MotoGP na máquina de Noale?

Depois entrou em jogo outro fator: Nakagami poderia ser empurrado para a revitalizada equipa de fábrica de Superbike da Honda.

Do outro lado do paddock está a prorrogação de contrato de Dovizioso, que também se lesionou numa prova de motocross no domingo. Está longe de garantido que continuará com a Ducati, depois da sua taxa de sucesso (apenas duas vitórias em GP em 2019, mais seis em 2017) que está a diminuir e, ao mesmo tempo, o piloto sente que o seu compromisso com Borgo Panigale não é suficientemente apreciado.

No entanto, há poucas alternativas para “Dovi”, que com 32 anos também já vê o fim da carreira aproximar-se.

E Lorenzo? Jorge tomou uma decisão drástica ao terminar prematuramente a sua aventura na Honda e anunciar a sua reforma no final da temporada de 2019, mas rapidamente regressou, ainda que apenas como piloto de testes da Yamaha, fazendo no entanto saber nos últimos dias que “escutaria uma proposta com interesse”. Se Dovi hesitar, pode até aparecer com a Ducati de novo. Tudo perdoado e esquecido, desde que seja pelo preço certo.

Confusos? Então deem-se por bem não serem um piloto de MotoGP à procura de emprego!