A ver a dobrar em 2020? Apesar dos boatos de fim de semana, que davam como quase certa a escolha de Alex Márquez para o lugar deixado vago na Honda Repsol pela retirada de Lorenzo, a confirmação da mesma foi um choque.

No entanto, até o facto de que se sabia que a Alpine Stars tinha feito um fato com cores Repsol para o irmão de Marc Márquez indicava que, depois de ser falar de Nakagami (imposição dos Japoneses) Crutchlow (melhores resultados com a Honda a seguir a Marc) ou Zarco (rápida adaptação a uma moto difícil) indicava o actual campeão de Moto2 como escolha acertada…

De resto, o futuro rookie de 23 anos apenas segue as pegadas de todos os outros campeões do mundo de Moto2 – Toni Elias, Stefan Bradl, Márquez, Pol Espargaró, Zarco, Franco Morbidelli e Pecco Bagnaia – na subida para a MotoGP.

Só que Alex fá-lo na equipa de topo no paddock, a Honda Repsol – que é a equipa de topo no paddock justamente por causa, e provavelmente só por causa, do seu irmão Marc, cuja possível influência na escolha não pode ser descontada da equação… e se Marc, que já indicara que para a renovação do seu contrato, 16 milhões de Euros eram só o ponto de partida das conversações, batesse o pé?

Em vista dos resultados dos últimos anos, a Honda não se pode dar ao luxo de o contrariar, pois ninguém mais tem a capacidade de ganhar, corrida sim, corrida sim, com a RC213V… lembrando que, aparte uma (hoje em dia rara em corrida) queda de Marc no Texas, o seu pior resultado de 2019 foi… segundo!

O que aconteceria se Marc deixasse a Honda? Alguém faria frente a Quartararo, que no seu ano de rookie fez seis poles e ficou em segundo (sempre atrás de Marc!) cinco vezes? Quantas vezes ganhariam Dovizioso, Viñales, ou até Miller ou Petrucci? Ou Marc numa outra moto? E os conhecimentos (secretos) que ele levaria para outra marca da forma de fazer uma MotoGP funcionar a topo?

Certamente, Alex não é Marc. Mas de resto, há alguém que seja? As motos de MotoGP nunca foram tão iguais –leia-se equalizadas pelas regras da Dorna que impõem um ECU e electrónica comum- como agora, mas Márquez mais velho terminou a temporada 151 pontos à frente de Andrea Dovizioso da Ducati e com o dobro dos pontos do terceiro colocado Maverick Viñales da Yamaha- o que quer dizer que se podia ter dado ao luxo de nem aparecer nas últimas 6 corridas e ainda ganhar o Campeonato! Ao todo, averbou 12 vitórias e seis segundos lugares em 19 corridas. Nunca ninguém teve uma temporada assim, nem Doohan nos seus anos dourados!

Os irmãos Márquez sempre vieram como um pacote familiar – com os mesmos patrocinadores pessoais, os mesmos capacetes, os mesmos fatos, botas e luvas, e por aí adiante. E agora, pelos vistos, vão andar na mesma moto.

Já há quem diga que o extraordinário domínio de Marc foi à custa de muito cabedal raspado e não se fez num dia, e que Alex é muito diferente e poderá ser outro Lorenzo, não conseguindo confiança na temperamental RCV para obter resultados dignos de nota… mas mesmo que a genética falhe, enquanto o outro irmão for capaz de ganhar, e o golpe mediático é tal que provavelmente é auto-sustentável em termos financeiros só do ponto de vista da mediatização, quem se vai importar com isso ? A Honda provavelmente não!