Que a Fórmula 1 é um negócio extremamente complexo, mas também muito lucrativo – quando as coisas correm bem, o que não é o caso do ano de 2020 – toda a gente sabe, mas nos meandros ‘políticos’ da questão há uma pessoa que, goste-se ou não, sabe mais ‘daquilo’ a dormir do que muita gente bem acordada. Trata-se de Helmut Marko, que agora em entrevista à Der Spiegel disse que os responsáveis de topo da Liberty Media, proprietária da F1, são muitas vezes “um pouco ingénuos”.

Tudo porque a Der Spiegel colocou Marko a comentar o facto da Fórmula 1 estar a desfazer-se do seu acordo com a emissora alemã RTL, de televisão gratuita, a favor de um negócio bem mais lucrativo de televisão por assinatura, Sky Sports. Marko admite que as audiências vão descer, mas revela o inevitável neste ‘trade off’: “A Sky está supostamente a pagar quatro vezes mais do que a RTL. As equipas beneficiam disso com a distribuição de dinheiro feita pela Liberty Media, mas a experiência mostra-nos que as audiências descem drasticamente na primeira fase após um mudança”, admitindo no entanto que com o tempo esses números voltam a subir devagar.
Quanto à Liberty: “São muito simples, mas por vezes também um pouco ingénuos. Eles ainda não compreendem todo o processo político da F1. Por exemplo, o facto de terem comprado uma empresa, onde não são os únicos donos da casa pois têm de fazer compromissos porque a FIA e as dez equipas também têm uma palavra a dizer”, disse.

Quanto às audiências da Fórmula 1, a questão é sempre a mesma. Em teoria, a Fórmula 1 nas televisões públicas, leia-se, ‘grátis’ chega a muito mais gente, mas a forma de gerar dinheiro é através da publicidade, e isto é muito mais difícil hoje em dia, do que ter garantidos valores pagos pelas “Sky da vida”. As operadoras investem duma maneira simples. Acreditam que o valor que pagam pelos direitos será compensado com os subscritores que conseguem, e ainda com a publicidade. Temos exemplos para todos os casos, seja em Portugal ou no estrangeiro.
Só o tempo revela se os investimentos são bons ou não. Para a Fórmula 1 é uma situação ‘win-win’. Vendem os direitos às operadoras que pagarem mais e ainda têm a F1TV para alimentar os que não prescindem da F1 e não querem pagar os valores das operadoras.