Em declarações à Agência Lusa, o administrador do Autódromo Internacional do Algarve, Paulo Pinheiro, revelou existir “muita vontade das equipas” de Fórmula 1 que Portugal integre o calendário do Mundial de 2020, mas adverte também que uma decisão só acontecerá “em meados de julho”.

“Sabemos que há muita vontade das equipas de que Portugal seja escolhido para o calendário e nós temos feito tudo o é necessário”, disse Paulo Pinheiro, no dia em que se ficou a saber do cancelamento de mais três corridas: Azerbaijão, Singapura e Japão, pelos mesmos motivos de sempre, a pandemia de covid-19.

Recorde-se que o diretor desportivo da F1, Ross Brawn, admitiu ontem que Portugal é um dos vários países que está a ser equacionado como alternativa para fazer parte do calendário do Mundial de 2020, caso falhem os promotores com os quais a Formula One Management já tinha contrato. Ross Brawn falou em Imola (Itália), Portimão (Portugal) e Hockenheim (Alemanha). A decisão será tomada até ao final de julho. Para Paulo Pinheiro, uma corrida em território nacional poderá acontecer “em setembro, outubro ou novembro”, mas o que “fará a diferença é a possibilidade, ou não, de haver público nas bancadas. Somos a hipótese que todos querem, pela localização, pela pista, pelas instalações grandes que permitem maior distância de segurança, pelo clima, pela hotelaria e pelo reduzido impacto da covid-19”, disse Paulo Pinheiro.

Recorde-se que depois da FIA e da FOM terem acordado um primeiro calendário-parcial de oito provas, a fase europeia, estão agora à procura da segunda fase que pensaram, a fase asiática e com o cancelamento de mais três corridas já perceberam que provavelmente vão precisar de provas europeias, onde é mais fácil organizar corridas. É nesse contexto que Portugal já é hipótese há muito tempo, e pelo que se percebeu depois das declarações de Ross Brawn, é hipótese ainda mais forte depois de estarem escolhidas as primeiras provas europeias. Esta sucessão de cancelamentos pode levar a que a segunda metade da temporada do Mundial de Fórmula 1 venha a realizar-se em circuitos que não integravam o calendário inicial de 2020, como é o caso do Autódromo Internacional do Algarve, Imola (Itália) e Hockenheim (Alemanha).

Como se sabe, foram muitos os calendários para o Campeonato do Mundo de Fórmula 1 deste ano que surgiram nos últimos tempos, antes da FOM ter optado pelas primeiras oito corridas europeias, e num deles, a que tivemos acesso, a pista situada nos arredores de Portimão aparecia como prova de reserva a Silverstone, caso um acordo entre o circuito britânico e a entidade que gere os aspetos comerciais da categoria máxima do desporto automóvel não tivesse chegado a bom porto, pois existiu um impasse nas negociações entre as duas partes, deixando em risco a realização do Grande Prémio da Grã-Bretanha e a segunda corrida de Silverstone, tendo sido equacionado substituir os dois eventos por outros no Autódromo Internacional do Algarve e no Hockenheimring.

Como se percebe, continuamos sem poder garantir que haverá este ano uma prova de Fórmula 1 no Autódromo Internacional do Algarve, mas podemos afiançar que essa continua a ser uma possibilidade real face à grande incerteza que a temporada deste ano da categoria máxima do desporto automóvel enfrenta.