Já não é novidade para ninguém que é forte a hipótese de Portugal, 24 anos depois, voltar a receber um Grande Prémio de Fórmula 1, embora essa decisão ainda esteja por tomar. Neste momento há três países na corrida, Alemanha, Itália e Portugal, mas com as dificuldades que a FOM e a FIA estão a ter em conseguir delinear um calendário, já se percebeu que pode não ser apenas um daqueles três países a receber uma corrida. Neste contexto, e apesar de ter que se deixar claro que não é ainda certo que seja Portugal a receber a corrida, as hipóteses são muito boas, e são reforçadas pela vontade da maioria das equipas, que destacam a localização, a pista, as grandes instalações que permitem uma maior distância de segurança, o clima, os hotéis e o menor impacto no país da Covid-19.
Mas isso já referimos em artigos separados. O que vamos agora aqui contar é todo o percurso que nos levou onde estamos agora, mais perto do que nunca em 24 anos para voltar a ter F1.
Por isso, falámos com Ni Amorim, Presidente da FPAK, entidade que deu o tiro de partida de toda esta situação: “Em finais de março, princípio de abril, quando verificámos que as fronteiras estavam fechadas, quer as da Europa, quer a intercontinentais, vimos logo que ia haver muitos problemas para se realizarem provas internacionais, e à medida que fomos vendo provas a ser canceladas, decidimos fazer uma carta ao presidente da FIA, Jean Todt, e ao Secretário Geral da FIA, Peter Bayer, a dizer que tínhamos circuitos em Portugal (ndr, Estoril e Portimão) homologados em grau 1, nomeadamente Portimão que é um circuito muito mais recente que o Estoril, que tem quase 50 anos, enquanto Portimão tem 12, portanto mais ajustado às necessidades atuais da Fórmula 1, do que o Estoril” começou por dizer Ni Amorim, que explicou depois todos os passos: “Se fosse preciso por consideração do promotor (ndr, a Formula One Management), de que se fosse necessário haver provas de substituição, Portugal estava aqui para se ver o que se poderia fazer.
Isto naturalmente articulei com o Paulo Pinheiro (ndr, administrador do AIA), dei conta da diligência que a FPAK fez, e decidimos esperar para ver o que poderia surgir. Em finais de de maio troquei impressões com o Paulo Pinheiro, e apercebemos-nos que a carta tinha surtido efeito porque as equipas de F1 falavam da hipótese Portimão. O promotor passou a olhar para Portimão como uma possibilidade para dar continuidade ao calendário do Campeonato do Mundo de Fórmula 1.
O Secretário de Estado do Desporto, João Paulo Rebelo, está por dentro de todo este dossier, desde que nós enviámos a carta.
Desde abril que o Governo está dentro do assunto, o Senhor Primeiro-Ministro (ndr, António Costa) teve uma reunião em Portimão na semana passada, quando a Presidente da Câmara Municipal de Portimão (ndr, Isilda Gomes) lhe deu conta desta possibilidade, e portanto neste momento o Governo – ainda ontem falei com o Secretário de Estado do Desporto, João Paulo Rebelo – está por dentro desta possibilidade, que por enquanto é uma possibilidade.
No entanto há aqui uma coisa curiosa, há uma sondagem que a Fórmula 1 fez no Twitter, em que internacionalmente estão a perguntar aos adeptos quem é que devia receber o Grande Prémio na Europa em 2020, Portugal, Alemanha ou Itália e Portugal vai largamente à frente na votação, se fosse em política tínhamos maioria absoluta (ndr, 84.295 votos, Portimão, 49.2%, Imola, 30.9%, Mugello, 12.3% e outro, 7.6%), o que denota uma forte expectativa dos adeptos para com Portugal que não tem um Grande Prémio de Fórmula 1 há 24 anos.
Portanto eu acho que estamos perante uma oportunidade de ouro, que dificilmente vai voltar a acontecer, porque aqui o que se trata é que o Autódromo Internacional do Algarve cumpra o caderno de encargos do promotor, que é sempre muito dinheiro, passa pelo reasfaltamento da pista, e passa também por um conjunto de alterações que eles querem ver introduzidas no circuito, para estarem de acordo com as melhores práticas internacionais. Mas estamos mas estamos de fora do pagamento do ‘fee’.
Ora, um país para receber uma prova de Fórmula 1, paga entre os 30 e 40 milhões de dólares para se poder candidatar a ter uma prova, e depois disso tem que ir para uma fila de espera, há países à frente, há países que esperaram anos para ter uma corrida de Fórmula 1 e portanto tudo isto somado, Portugal tem hipótese de ter um Grande Prémio de Fórmula 1 em Portugal.
Evidentemente que a experiência da vida diz-me que temos que esperar, que é cedo para dizer como tenho visto na comunicação social que Portugal vai ter o GP de Fórmula 1, ainda hoje vi (ndr, sábado, 13 de junho) um grande destaque num jornal com esse título, o que não é verdade. O que é verdade é que neste momento há três países e há possibilidades divididas entre cada um deles.
Portanto, estamos a ir a jogo, estamos na corrida, esta sondagem no Twitter é-nos, favorável, naturalmente, e sei que há responsáveis de equipas de Fórmula 1 que estão a fazer força para que seja Portugal a receber o Grande Prémio, com também da FOM.
Portanto, esta tudo isto é despoletado pela FPAK através duma carta que faz sem qualquer tipo de esperança, mas que sentiu que devia ter feito e em boa hora o fizemos, pois viemos despoletar todo um processo, que eu desconheço qual é o desfecho. Mas o facto de chegamos até aqui é muito bom. Isto claro que explodiu de repente, depois de Ross Brawn (ndr, Formula One Managing Director) da FOM ter dito que Portugal tem uma fortíssima possibilidade de vir a receber o Grande Prémio. A partir daí, isso está em todos os sites internacionais. De qualquer forma, eu acho que apesar de alguma imprensa estar a dar isto como um dado adquirido, não é essa a informação que eu tenho à data de hoje (sábado, 13 de junho). Temos vários fatores a nosso favor. As crises também trazem oportunidades, e esta é uma oportunidade absolutamente excecional, única nunca na vida, porque dificilmente o Governo iria pagar entre 30 a 40 milhões vários anos para ter Fórmula 1 em Portugal. É preciso ver que o Rali de Portugal pelos números que são públicos, custa três milhões e tal, e trinta e tal milhões são dez vezes mais, e isso seria impensável fazer sem o apoio do estado. Isso é uma opinião absolutamente consensual. Portanto, temos que ter fé, sou uma pessoa muito positiva, mas a vida também me diz que não nos podemos precipitar. Temos que esperar porque os lobbies na Alemanha são muito fortes, é um país construtor de automóveis é o país que a crise menos afeta neste momento na Europa, e portanto temos que ter alguma confiança, ” disse Ni Amorim, Presidente da FPAK, que está esperançado no regresso da Fórmula 1 a Portugal, mas sabe que não se pode cantar vitória.
Ainda hoje o nome de Portimão e Portugal se viram em grandes parangonas internacionais, em sites de grande relevância, pelo que, tal como sempre dissemos, havia fogo para lá do fumo, e agora resta esperar que o trabalho que foi feito até aqui, resultem no regresso da F1 a Portugal. Muitos preferem olhar para o copo meio vazio. Nós preferimos olhar para o meio cheio.