Numa altura em que se prepara para ‘entregar’ a pasta a Stefano Domenicali, Chase Carey, CEO da Fórmula 1, adverte que a modalidade não se deve manter escrava do seu passado e os seus protagonistas devem permitir-se aceitar mudanças, quer seja no conceito, como por exemplo alterações no formato da qualificação, grelhas invertidas ou em termos gerais, alterações no formato dos fins de semana de Grande Prémio: “A maioria dos desportos, quando falam de mudanças, os fãs ‘hardcore’ resistem a essas mudanças”, disse, no mais recente podcast ‘Beyond the Grid’ do site oficial de F1.
“MLB (Major League Baseball), quando passou a existir um batedor designado, quase toda a gente não gostou, a NBA introduziu a linha de três pontos, os núcleos duros não gostaram. Na maioria desses casos, não todos, mas na maioria dos casos, essas mudanças acabaram por ser vistas como positivas, trazendo nova energia, trazendo uma nova perspetiva. Seja como for, penso que é preciso ter cuidado para que não se introduzam medidas erradas. Tem que se reconhecer a importância da história e a importância do que tornou este desporto especial, mas não podemos deixar que isso se torne um colete-de-forças que não permita considerar mudanças que possam melhorar verdadeiramente o desporto, para os adeptos.
Uma decisão sobre uma corrida de qualificação, penso que deve ser uma decisão de grupo. Do meu ponto de vista, não vamos impor isso.
Vamos tentar, discutir os prós e os contras, fazer o trabalho de casa apropriado, pensar nos benefícios e todas as restantes questões, e ter uma discussão honesta com todos. É aí que é importante ter um espírito de parceria e não olhar somente para os interesses pessoais, se é bom ou mau para mim como equipa, mas sim se é bom ou mau para o desporto, e fazer um julgamento informado. Será esta uma decisão que sentimos ser respeitadora do desporto e criar melhores corridas para os adeptos? No final das contas, é disto que se trata. Nem todos os fãs vão gostar, admite, “nunca se vai contentar 100%, e é por isso que temos de fazer o julgamento sendo algo que pensamos que irá melhorar o desporto”.
“Sem fazer parecer que estamos apenas a atirar ideias contra uma parede, deveríamos estar sempre a tentar ‘empurrar-nos’ para outras formas de tornar o desporto mais interessante e emocionante para os adeptos”.
Numa altura em que há equipas que continuam a opor-se à inversão das grelhas, no passado fim de semana no Grande Prémio do Eifel, em que não houver treinos livres de sexta-feira devido ao mau tempo, foram vários os pilotos e chefes de equipa a acolherem bem a ideia de um fim-de-semana de dois dias, tal como está programado para Imola, corrida que se realiza uma semana depois do Grande Prémio de Portugal de Fórmula 1.