Quem segue a Baja de Portalegre há muitos anos sabe que o que aconteceu neste primeiro dia de prova é algo que no passado foi visto muitas vezes. Hoje em dia não há tantos “heróis da cauda do pelotão” como no passado, mas ainda assim o que passaram a maioria dos concorrentes foi algo a que não estão habituados. E como a segurança dos concorrentes é o fator mais importante, a Direção de Prova interrompeu a corrida. São outros tempos.

FOTOS ACP/Paulo Maria; Paulo Pacheco e João da Franca

Apenas nove concorrentes tinham chegado ao fim do Setor Seletivo, e nesse contexto Guillaume de Mévius, em Can Am Maverick X3, aproveitou bem as características do seu veículo, leve e ágil, e chegou ao fim do SS na frente. Se o piso estivesse seco, provavelmente somente um ou dois SSV estariam no Top 10 e nenhuma deles nos primeiros lugares. Mas com estas condições, estão cinco! O piloto belga superou as tremendas dificuldades sentidas no SS2 e deixou o segundo classificado, Pedro Dias da Silva, o melhor do CPTT, a 2m54,8s no final da primeira etapa da competição. Bernhard Ten Brinke, que está em Portalegre para lutar pela Taça do Mundo FIA de Bajas, ocupa a terceira posição, a 3m03,8s.

Os concorrentes encontraram condições muito exigentes em grande parte do percurso definido pelo Automóvel Club de Portugal para este primeiro dia de competição. Vários participantes recordaram edições passadas que criaram, em parte, a aura que rodeia a Baja Portalegre 500.

O primeiro teste foi curto. Os pilotos tiveram de competir nos pouco mais de três quilómetros do SS1. Aí, o líder da Taça do Mundo, Vladimir Vasiliev, foi o mais forte. Mas no segundo sector seletivo, tudo mudou. A chuva forte e ininterrupta fez com que algumas zonas da pista se tornassem intransitáveis. Deste modo, apenas nove equipas conseguiram concluir o sector. Entretanto, a Direção de Prova optou por interromper a competição e encaminhar os restantes concorrentes por ligação e posteriormente atribuir tempo nominais.

A nível competitivo, De Mévius foi o mais forte e subiu a primeiro. Dias da Silva e Ten Brinke foram o segundo e terceiro, respetivamente, e ocupam as mesmas posições na classificação geral. Na luta pela Taça do Mundo, o holandês tem vantagem sobre Vladimir Vasilyev, que é sétimo. Por sua vez, Ricardo Porém, que procura o quinto triunfo em Portalegre, ocupa o quinto lugar atrás de Aron Domzala.

Entre os principais nomes do Campeonato de Portugal de Todo-o-Terreno, enquanto Dias da Silva é segundo da geral, Alexandre Ré está em décimo e Nuno Matos ocupa o 12º posto absoluto. Paulo Rui Ferreira e Alexandre Franco não estão longe. João Ramos, que partiu com ambições de lutar pelo triunfo, é 15º, a quase 20 minutos do primeiro classificado, enquanto o novo campeão nacional de TT, Miguel Barbosa, abandonou no início de SS2 quando ficou sem direção assistida na Toyota Hilux. Também Tiago Reis, que em 2019 se sagrou campeão em Portalegre, ficou numa ribeira e a equipa estava a trabalhar para que o piloto regresse à competição no dia de amanhã.

Um pouco mais atrás de Ramos estão posicionados Nuno Madeira, Manuel Correia , André Amaral, Luís Dias e Victor Conceição, este com um Mini da X-Raid. Dos mais antigos, mas ainda assim muito competitivo. Fecha o top 20.

Como se percebe, este Portalegre tinha tudo para ser uma lotaria na luta pelo título, mas os regulamentos ditaram que Miguel Barbosa só precisou arrancar esta manhã para ser Campeão. Desistiu pouco depois…

Seja como for, há quem não ache que esta questão do título esteja resolvida, João Ramos e Tiago Reis, por exemplo, pois interpretam os regulamentos de forma distinta ao que a FPAK esclareceu ontem em comunicado. Um caso para seguir nos próximos tempos…

De resto, no T2, a luta vai ser grande pois estão ainda todos muito juntos. Lideram Georgino Pedroso e Carlos Silva (Isuzu D-Max), a 31:09.0 dos líderes, segundo lugar para João Ferreira e David Monteiro (Nissan Pathfinder R51), a 31:10.1 da frente. Seguem-se Nuno Tordo/António Serrão (Nissan Navara D22), a 31:15.1 e Nuno Corvo/José Camilo Martins (Nissan Pathfinder) a 31:40.3. Para Amanhã, as decisões, em mais dois Setores Seletivos.

No Evento Nacional, lideram Hugo Raposo e Fernando Mendes (Mercedes Proto X, T1) com 2.3s de avanço para Francisco Barreto e Sérgio Cerveira (Nissan Navara), que por sua vez lidera o T8. José Mendes e Jorge Baptista (Mitsubishi L200) são terceiros na frente de Michael Braun e Ivo Santos (Porsche Cayene Proto). Seguem-se Henrique e João Lourenço (Nissan Navara Offroad), Nuno Reis/Jorge Antunes (Nissan), João Franco/Pedro Inácio (Nissan Navara, T2).

Na Taça de Portugal de Todo o Terreno, no final do primeiro dia os líderes são João Paulo Oliveira e Pedro Cação (Nissan Terrano II), com 4:04.7 menos 24.2s que Tiago Santos e Tiago Dias (Land-Rover 90 TD5). Terceiro lugar para Pedro Valverde/ Vitor Martins (Renault Megane Proto 4X4) a :31.4, seguindo-se Joel Marrazes/Fábio Ribeiro (Nissan D12), a 38.5s, Joaquim Calado/João Calado (Nissan Terrano I) a 40.2, Ismael Prates Margarido (Nissan Terrano I) a 1:17.2, Jorge Coelho/Luís Tomás (Bowler L. Rover Discovery TD5 S Wildcat) a 1:29.2s e Lourenço Guimarães/Luís Areal (Nissan Terrano II) a 1:53.5s.