Miguel Oliveira fez esta tarde história para Portugal no MotoGP ao assegurar a primeira pole position da sua carreira no Mundial de Velocidade Motos, o MotoGP, isto depois de ter alcançado o seu primeiro triunfo na disciplina, na Áustria, há uns meses. O registo de 1m38,892s é o novo recorde do Autódromo Internacional do Algarve, nas motos, no que é mais um feito notável para o motociclismo nacional.

Todas as informações sobre o MotoGP, pode encontrá-las no nosso site ‘irmão’, o motosport.com.pt.

Mas como aqui no AutoSport, tratamos é de carros, vamos para uma curiosidade. Já sabíamos que a diferença existia, mas não havia essa informação relativa ao Autódromo Internacional do Algarve. Pois agora há. São 22,240s a diferença entre o registo da Pole-Position de Lewis Hamilton (Mercedes) nesta mesma pista, 1:16.652s, face aos 1:38.892s com que Miguel Oliveira (Red Bull KTM Tech 3) brindou hoje os seus adversários.
O que significa isto? Que os homens do MotoGP estão – mais ‘coisa’, menos ‘coisa’, a sair da curva 13 e a dirigir-se para a curva 14, a última antes da longa curva que dá acesso à reta da meta, quando os F1 cortam a meta, mesmo que rodem numa pista um pouco mais curta, pois na curva da torre VIP os F1 faze o gancho mais apertado e as motos, a versão anterior: 22,240s

E quais são, de um modo geral, as razões?
Na aceleração dos 0-100 Km/h, a diferença não é significativa, ambos chegam aos 100 Km/h em cerca de 2.5s. Até aos 200 km/h, o F1 chega lá em 5,1s, mas a moto precisa apenas de 4,7s. Contudo, aos 300 Km/h o Fórmula 1 já passou para a frente, pois a MotoGP precisa de 11,6s, mas o monolugar requer somente 10.4s. Mais milésimo, menos milésimo.

A velocidade máxima na reta do AIA foi alcançada por Jack Miller, na sua Ducati: 345.0 Km/h. Carlos Sainz levou o seu McLaren até aos 330.0 Km/h na reta do AIA. Não é em linha reta que o MotoGP perde para a F1, mas sim em tudo o que se segue.

Por ser pequena, a moto de MotoGP não tem a mínima hipótese de gerar a mesma carga aerodinâmica de um Fórmula 1, ainda mais as ‘bestas’ atuais, pelo que grande parte dos 22s é nas curvas que os F1 ganham às motos. Há zonas em curva em que nos F1 os pilotos aliviam apenas o pé, ou fazem a fundo, como a última curva, e as motos têm na maioria dos casos de travar.

A restante diferença, é nas travagens. Um F1 não tem rivais neste aspeto. O centro de gravidade muito baixo e melhor tração dão muita estabilidade aos F1 em travagem, a distâncias de travagem são muito curtas para as curvas, e esse é um dos problemas que resultam em poucas ultrapassagens.

Uma moto precisa de ser começada a travar cerca de 200 metros antes da curva 1, por exemplo, e o piloto precisa usar todo seu corpo enquanto trabalha com o guiador e os pedais. A diferença das MotoGP para um F1 aqui é abismal. No final, 22,240s.

Contudo, quando olhamos para as corridas, não há dúvidas onde tudo é – normalmente – mais emocionante. No MotoGP, onde cabem quatro motos, por vezes, cabe apenas um F1, e isso faz toda a diferença. Resumindo, são as duas competições motorizadas de pista mais entusiasmantes do mundo, cada uma à sua maneira.