A notícia é avançada hoje pelo jornal Público que teve acesso ao dossiê e fotografou vários documentos originais.

O antigo dirigente da Universidade disse ao jornal que tem o processo de José Sócrates desde “muito antes” da abertura do inquérito judicial que, em agosto de 2007, concluiu não ter havido “qualquer crime de falsificação de documento autêntico” na obtenção da licenciatura.

O processo é constituído por um conjunto de 17 documentos e se Rui Verde tinha, de facto, o processo em mãos, a procuradora-geral adjunta Cândida Almeida e a procuradora-adjunta Carla Dias estiveram a investigar o processo com base em fotocópias e não em documentos originais. Essa informação não foi, contundo, confirmada ao jornal.

A análise detalhada dos originais detidos por Rui Verde mostra pequenas diferenças de conteúdo relativamente às cópias tornadas públicas há quatro anos. 

Uma delas prende-se com a pauta relativa à prova de Inglês Técnico do antigo primeiro-ministro. Nem a cópia nem o original estão datadas, mas a cópia exibida aos jornalistas apresentava uma assinatura ilegível do “responsável pela classificação”. Já no exemplar de Rui Verde, a mesma pauta não tem qualquer assinatura.
Um outro documento que não coincide com as cópias mostradas aos jornalistas é a prova feita por Sócrates na mesma disciplina. De acordo com o que escreveram na altura as jornalistas do Expresso, as correções efetuadas por Luís Arouca nas três páginas do texto entregue por aquele aluno estão assinaladas a vermelho, mas no exemplar detido pelo antigo vice-reitor estão inscritas a lápis.

O antigo vice-reitor da Universidade Independente lança hoje um livro em que esclarece que as folhas originais do dossier de Sócrates não são aquelas que em março de 2007 foram divulgadas pela comunicação social, indica o mesmo jornal.

O "Processo 95385 - Como Sócrates e o poder político destruíram uma universidade" é uma obra da autoria de Rui  Verde onde se reproduzem todos os documentos que o autor identifica como sendo os originais.