Nascido a 5 de outubro de 1936, em Praga, numa família proprietária de estúdios de cinema e dezenas de edifícios na capital, Vaclav Havel foi impedido de estudar pelo regime comunista em nome da luta antiburguesa. Como tal, lançou-se no teatro, primeiro como maquinista e depois como autor do teatro do absurdo.

Negou sempre o exílio e depois da ocupação soviética da República Checa, em 1968, entrou em rutura com o regime para redigir o manifesto Carta 77, uma declaração de defesa política dos direitos humanos. Esta aventura levou-o a passar quatro anos na prisão onde escreveu as suas famosas "Cartas a Olga", a sua primeira mulher.

Primeiro presidente da Checoslováquia pós-comunista (1989-1992) e depois da República Checa (1993-2003), Havel liderou o processo de transição democrática do país, a entrada na NATO e os preparativos para a adesão à UE em 2004. Em 1996, após a morte da sua esposa Olga, tornou a casar com uma atriz vinte anos mais nova.

Em fevereiro de 2003, no final do mandato, e apesar da sua saúde frágil, o dramaturgo e ex-dissidente dedicou-se à luta pelos direitos humanos em Cuba, Bielorrússia, Birmânia e Rússia.

Voltou às letras em 2006, quando publicou as suas memórias políticas e uma obra de teatro, "A ponto de partir" que é também o título de seu primeiro filme, que estreou na República Checa a 14 de março deste ano.

Vaclav tinha uma saúde débil devido às sucessivas pneumonias contraídas nas prisões comunistas e ao vício do tabaco. Esteve várias vezes às portas da morte. Em dezembro de 1996 foi operado a um cancro no pulmão direito. Em abril de 1998 passou novamente pela sala de operações na Austrália devido a uma perfuração intestinal. Em agosto desse ano sofreu um ataque cardíaco.

No dia 8 de março deste ano, foi hospitalizado em Praga, devido a complicações respiratórias, quinze dias antes da estreia de seu filme.

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