Considerado um dos intelectuais mais polémicos e influentes do cenário internacional nos últimos 30 anos, Christopher Hitchens mudou-se para os Estados Unidos em 1981 e colaborou com as publicações mais prestigiadas dos dois lados do Atlântico: 'Vanity Fair', 'Slate', 'The Nation', 'The New York Review of Books', 'The Times' e 'National Geographic', entre outras.

A obra 'Deus não é grande' - que vendeu mais de 500 mil exemplares - colocou-o na linha da frente do 'novo ateísmo', ao descrever a religião como sendo "violenta, irracional, intolerante, aliada do racismo, investida de ignorância". Hitchens escreveu ainda obras célebres como 'Cartas a um jovem contestador', 'A vitória de Orwell', 'O julgamento de Kissinger' e 'Amor, pobreza e guerra'. Crítico acérrimo da religião, apoiante da guerra no Iraque, Hitchens era frequentemente referido como um dos quatro 'Cavaleiros do Apocalipse', juntamente com os ateístas Richard Dawkins, Sam Harris e Daniel Dennett. O diagnóstico do cancro chegou em junho de 2010. O escritor descobriu que estava doente pouco depois de publicar "Hitch-22", um livro de memórias que documentou a sua carreira, em que se tornou famoso por fumar e beber muito enquanto produzia incontáveis artigos e livros.

Graydon Carter, editor da revista Vanity Fair, recorda o escritor num texto publicado na edição online da revista. "Christopher Hitchens era sagaz, charmoso e perturbador, e para aqueles que o conheciam bem ele era uma dávida de, atrevo-me a dizer, Deus".

Christopher Hitchens esteve em Portugal há um ano como convidado do ciclo de conferências Livres Pensadores, em Lisboa. Numa rara aparição nos últimos meses, conta a edição online da revista Slate, Hitchens admitiu que o tempo estava a esgotar-se mas que não iria desisitir: "Não vou desistir enquanto não tiver absolutamente que o fazer".

Nascido em 1949 em Portsmouth (Reino Unido), Christopher Hitchens morreu na noite de quinta-feira no hospital MD Anderson Cancer Center, em Houston, vítima da mesma doença que levou o seu pai.