No primeiro dia da 18.ª Conferência da ONU sobre Alterações Climáticas, que começou hoje em Doha com 17.000 participantes, Christina Figueres deixou o alerta: "A porta está a fechar-se rapidamente porque o ritmo e a dimensão da ação simplesmente não estão onde deviam estar".

Nos dias que antecederam a conferência, organizações internacionais como a ONU e o Banco Mundial e especialistas em clima deixaram alertas sobre as consequências de um falhanço dos esforços de mitigação das alterações climáticas.

Um aumento da temperatura média em quatro graus centígrados e o surgimento cada vez mais frequente de tempestades como o furacão "Sandy", que em outubro deixou 40 mortos e um rasto de destruição na costa leste dos Estados Unidos e em vários países das Caraíbas, foram apenas alguns dos cenários traçados.

"Todos estes relatórios concordam que é preferível agir já porque será mais seguro e menos caro do que adiar", disse Figueres, em conferência de imprensa.

O presidente da conferência, Abdullah al-Attiya, do Qatar, sublinhou o cariz histórico da reunião de Doha, que considerou ser de "importância crucial".

"Devemos trabalhar com seriedade nas próximas duas semanas... ser flexíveis e não nos perdermos em assuntos marginais", disse.

Conferência discute o futuro de Quioto

Em cima da mesa das negociações está o futuro do Protocolo de Quioto, o único pacto vinculativo para reduzir as emissões de dióxido de carbono.

O protocolo, cuja vigência termina a 31 de dezembro, obriga 40 países ricos e a União Europeia a uma redução média de 5% nas emissões de gases com efeitos de estufa, relativamente a valores de 1990, mas os críticos consideraram-no um falhanço por não incluir os três maiores emissores: os EUA nunca o ratificaram e a China e a Índia não estão abrangidas pelas metas obrigatórias.

Alcançar agora um acordo sobre um segundo período de vigência do protocolo de Quioto permitirá aos países focar-se em procurar consensos para um novo acordo, a assinar em 2015 e a entrar em vigor em 2020.

No entanto, são muitas as discordâncias sobre quanto tempo deve o segundo protocolo de Quioto durar e qual a dimensão das obrigações, pelo que os especialistas esperam poucos avanços da reunião de Doha, que se prolonga até 7 de dezembro.

A União Europeia, a Austrália e alguns países mais pequenos admitem assumir novos compromissos num segundo período de Quioto, mas a Nova Zelândia, o Canadá, o Japão e a Rússia rejeitam a ideia.

"Em Doha, os governos devem chegar a acordo sobre a continuação do protocolo de Quioto e fechar as lacunas que dão aos países um livre-trânsito para poluir durante anos", alertou Martin Kaiser, da organização ecologista Greenpeace.

"No final de um ano que viu os impactos das alterações climáticas devastar casas e famílias por todo o mundo, a necessidade de ação é óbvia e urgente", acrescentou.

Os negociadores - a que se juntarão, nos últimos quatro dias da conferência, ministros de mais de 100 países - deverão também delinear um plano de trabalho para chegar a um novo acordo climático nos próximos 36 meses.