O comité Nobel recordou que a UE passa atualmente por "graves dificuldades económicas e agitação social considerável", mas prefere focar-se naquilo que considera o "mais importante resultado" da união: "O papel estabilizador da UE ajudou a transformar a maior parte da Europa de um continente de guerra num continente de paz". 

Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia: "Uma honra"

O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, disse hoje em Bruxelas que a atribuição do Prémio Nobel da Paz 2012 à União Europeia é "uma grande honra" para os seus 500 milhões de cidadãos, Estados-membros e instituições comunitárias.

"Devo dizer que, quanto acordei esta manhã, não esperava que fosse um dia tão bom. Foi com grande emoção que recebi as notícias da atribuição do Prémio Nobel da Paz à União Europeia", começou por dizer Durão Barroso, que se deslocou à sala de imprensa da Comissão Europeia para reagir ao anúncio da atribuição do galardão.

Segundo o presidente do executivo comunitário, trata-se de um "reconhecimento justificado para um projeto único", que começou por ser, antes de mais, um "projeto de paz", já que, "nas suas origens, a UE juntou nações que emergiam das ruínas da devastadora II Guerra Mundial e uniu-as num projeto de paz", fazendo-o em torno de "valores de respeito pela dignidade humana, liberdade, democracia, justiça, respeito pela lei e pelos direitos humanos”. 

Cavaco Silva, Presidente da Reública portuguesa: É preciso abdicar de "egoísmos nacionais"

"No nosso tempo, é essencial que a União continue a ser um modelo de paz e de cooperação solidária. Se os egoísmos nacionais tivessem prevalecido sobre o espírito fundador das Comunidades, a União Europeia não seria uma verdadeira união - e não teria alcançado hoje este Prémio Nobel da Paz, que a todos nos orgulha e enche de alegria", sublinhou, numa mensagem de felicitações às instituições europeias divulgada no sítio da Presidência da República.

Numa mensagem de felicitações enviada às instituições europeias, na sequência da atribuição à União Europeia do Prémio Nobel da Paz 2012, o Chefe de Estado português considerou que "no atual contexto histórico, a atribuição deste galardão tem um significado preciso, no plano simbólico e político".

"Só foi possível conquistar o Prémio Nobel da Paz porque a União Europeia, pela visão dos seus líderes e pela vontade dos seus povos, constitui um modelo de democracia, de paz e de coesão e um exemplo de harmonia para todo o mundo", defendeu Cavaco Silva.

Angela Merkel, chaceler alemã: "Uma decisão maravilhosa"

Para a chanceler alemã a atribuição do prémio Nobel da Paz à União Europeia é "uma decisão maravilhosa" e, simultaneamente, "um estímulo e um compromisso" para prosseguir o trabalho em prol da integração europeia.

Merkel voltou também a afirmar, tal como tem feito no decorrer da atual crise da dívida soberana, que o euro, a moeda única europeia, "é mais do que uma moeda, porque está sempre relacionado com a Europa, enquanto comunidade de paz e de valores".

O presidente do Conselho Europeu, Van Rompuy, afirmou hoje que a atribuição do prémio Nobel da Paz 2012 é o reconhecimento do trabalho da União Europeia (UE) como "pacificadora".

Herman Van Rompuy, presidente do Conselho Europeu: "Uma grande honra"
A atribuição do prémio Nobel da Paz 2012 "é o reconhecimento do trabalho da UE como pacificadora", afirmou presidente do Conselho Europeu em Helsínquia, numa declaração divulgada em Bruxelas.

"Tivemos duas guerras mundiais, guerras civis europeias. Pusemos um fim a esta situação e, com a UE, este tipo de guerras não pode voltar a acontecer. A UE é a instituição mais pacificadora criada na História mundial", acrescentou.

Jacques Delors, antigo presidente da Comissão Europeia: "Grande emoção"
Para o antigo presidente da Comissão Europeia Jacques Delors a distinção da União Europeia com o prémio Nobel da Paz é uma "uma mensagem moral e política".

"Moral na medida em reconhece países, que renunciando a atitudes do passado, fizeram a paz entre eles. E uma mensagem política num momento em que há muitas críticas, estatísticas e prognósticos desfavoráveis à Europa", disse Jacques Delors.

Jacques Delors expressou a sua "grande emoção" com a distinção, justificando que os "últimos três anos foram extremamente difíceis". "Este prémio mostra que os valores da solidariedade e da confiança podem levar a um mundo melhor", disse.

Mariano Rajoy, primeiro-ministro de Espanha: "Um estímulo"

O presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, considerou que o prémio Nobel da Paz concedido hoje à União Europeia é uma "excelente notícia" que serve de "estímulo" para avançar na união política, económica e monetária europeia.

Numa conversa informal com jornalistas durante a receção oferecida pelos reis por ocasião da Festa Nacional no palácio Real em Madrid, Rajoy afirmou já há algumas luzes no caminho para a solução da crise económica europeia.

O chefe do executivo insistiu na importância do prémio Nobel para valorizar o espaço de liberdade, democracia e direitos humanos que representa a UE.

Anders Fogh Rasmussen, secretário-geral da NATO: "Papel vital na cura das feridas da história"

"Gostaria de oferecer as minhas mais calorosas felicitações à União Europeia por ser agraciada com o Prémio Nobel da Paz", disse Rasmussen, numa mensagem hoje divulgada, em Bruxelas.
"A União Europeia desempenhou um papel vital na cura das feridas da história e na promoção da reconciliação, da paz e da cooperação na Europa", considerou Rasmussen, acrescentando que a UE tem também "contribuído para o progresso da liberdade, democracia e direitos humanos no continente europeu e para além deste". Rasmussen salientou também que a NATO e a UE partilham valores comuns, que ajudaram a moldar a nova Europa.

Presidência da República francesa: Prémio aumenta "responsabilidade"

A presidência da República francesa afirmou hoje, em comunicado, que a atribuição do Prémio Nobel da Paz 2012 à UE é “uma imensa honra”, mas “confere à Europa uma responsabilidade ainda maior, a da preservação da sua unidade”.

“A atribuição deste prémio Nobel é uma imensa honra, mas confere à Europa uma responsabilidade ainda maior, a da preservação da sua unidade, a da capacidade de promover o crescimento e o emprego, e a da solidariedade da qual deu provas aos seus membros”, declarou o Eliseu.

Com esta distinção, o Estado francês considera ainda que “cada europeu pode sentir orgulho pelo facto de ser membro de uma união que foi capaz de construir a paz entre povos que durante muito tempo estiveram em conflito, e de construir uma comunidade fundada nos valores da democracia, da liberdade e da solidariedade”. 

 

Notícia atualizada às 14h40