Em junho de 1997, as estantes da livraria Bloomsbury em Londres recebiam a primeira edição de “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, o primeiro de sete livros da saga assinada pela britânica J.K. Rowling que acompanha as façanhas do jovem feiticeiro e dos seus amigos, enquanto aprendem artes mágicas em Hogwarts e lutam contra o pérfido Voldemort. No ano passado, a saga Harry Potter atingia a marca dos 450 milhões de livros vendidos, tornando-se na série literária mais vendida de sempre. A passagem pela adolescência é tema central nas histórias, um fator que parece ter sido decisivo para a popularidade da saga. Milhões começaram a ler os livros em criança, atravessaram a adolescência com eles e alguns atingiram a maioridade ainda a lê-los. E dos livros, Harry Potter foi para o cinema com igual sucesso.

Ninguém bate os livros de J.K. Rowling nas estatísticas mas há outros que antecederam ou sucederam as páginas de Potter e que são fenómenos de popularidade junto do público mais jovem. 

Saga Crepúsculo

O vampiro Edward, o lobisomem Jacob, a adolescente humana Bella e o triângulo amoroso entre eles pôs jovens e as suas mães a arrancar cabelos um pouco por todo o mundo. Em três anos (entre 2005 e 2008), a autora Stephenie Meyer lançou quatro livros. Os quatro tiveram direito a adaptação cinematográfica e transformaram em estrelas instantâneas os atores Robert Pattinson, Kristen Stewart e Taylor Lautner. Em 2010, a série literária tinha vendido 116 milhões de cópias em todo o mundo e sido traduzida em 38 línguas.

Os Cinco

Enid Blyton escreveu algumas das mais populares séries juvenis da literatura britânica, entre elas “Noddy” ou “Os Sete”, mas “Os Cinco” (The Famous Five) são talvez o seu maior legado. Os 21 livros da série, que conta as aventuras de um grupo de amigos, foram publicados entre 1942 e 1963 e nos anos 70 foi marcante a popularíssima série de televisão com as histórias dos livros.  Hoje, continuam a ser reeditados e lidos por novas gerações.

Trilogia Os Jogos da Fome

A dúvida persiste: porque é que três livros sobre uma distopia pós-apocalíptica em que adolescentes são atirados para uma arena e têm de se matar até um só um sobreviver são classificados como literatura juvenil? E porque é que são um enorme sucesso junto dos “jovens adultos” (como lhes chamam os americanos)? A resposta não é clara mas os números falam por si. Em novembro de 2010, o primeiro livro da saga contabilizava 100 semanas consecutivas na lista de best-sellers do New York Times. Em Portugal, a febre só chegou com a estreia do filme que adapta a primeira obra de Suzanne Collins, mas está já nas mãos de muitos ávidos leitores.

Uma Aventura

É a série de literatura juvenil made in Portugal como mais sucesso desde sempre. Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada começaram a escrever os seus livros em 1980. Hoje, têm 54 aventuras publicadas e quatro são recomendadas  pelo Plano Nacional de Leitura. João, Chico, Pedro, as gémeas Teresa e Luísa e o cão Faial já passaram pela cabeceira de quase todos os jovens portugueses. Também estiveram na televisão, numa série de imagem real, e já tiveram direito a um filme, em 2009.

As Crónicas de Nárnia

São um clássico da literatura juvenil e continuam a ser muito populares, 62 anos depois da publicação do primeiro livro da saga. “As Crónicas de Nárnia” do autor irlandês C.S. Lewis, são os livros desta nossa lista que mais vezes foram adaptados ao teatro, à rádio, à televisão e ao cinema. Os sete livros passados no reino mágico de Nárnia, onde os animais falam e reinam e onde um grupo de jovens humanos vai parar através de um guarda-roupa, foram escritos entre 1949 e 1954. C. S. Lewis foi buscar a sua inspiração para a série de obras a várias mitologias, como a grega ou a romana, em livros que são uma espécie de Senhor dos Anéis para os mais novos.