"Os protestos do PCP não trazem novidades. No fundo, correspondem à tentativa de afirmar um projeto político radical não sintonizado com a realidade mais elementar das coisas e que, além disso, nunca foi vindicado nas urnas pelo povo soberano", afirmou o primeiro-ministro, num discurso durante o debate da moção de censura do PCP ao Governo, na Assembleia da República.

"Estes são factos que é conveniente não esquecer numa sociedade democrática como a nossa. Trata-se, portanto, mais do que uma moção de censura ao Governo, de uma moção de censura ao mundo, de uma moção de censura à realidade", acrescentou.

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, afirmou hoje que "a base social" que elegeu o Governo "há muito se esboroou" e que o chumbo da moção de censura "não derrotará, nem calará" a sua "expressão inequívoca" que alastra pelo país.

"Para alguns a moção de censura é inconsequente, mas a verdade é que a base social e eleitoral que elegeu esta maioria há muito se esboroou e que hoje o descontentamento e a consciência de que a política deste Governo continuará a agravar os problemas do país são sem dúvida maioritários", declarou o líder comunista.

O anúncio da moção de censura foi feito por Jerónimo de Sousa, no dia 16 de julho, no âmbito do debate quinzenal da Assembleia da República. "Uma moção de censura ao pacto de agressão, ao aumento da exploração, ao empobrecimento, à política de Governo e ao Governo que o executa, com a consciência que a rotura com esta política surge cada vez mais como um imperativo nacional", disse, na altura, Jerónimo de Sousa.