Em Portugal, mais de 10 mil pessoas praticam o jogo – o ‘geocaching’ –, aberto a todas as idades e que consiste em encontrar ‘caches’ (o ‘tesouro’) escondidas no meio da natureza ou em zonas urbanas.

Todos os ‘geocachers’ têm de estar registados num site na internet em que colocam as coordenadas GPS das ‘caches’ que escondem, juntamente com o grau de dificuldade do trilho e se a ‘cache’ é ou não difícil de encontrar, entre outros dados.

Quando querem fazer um jogo, escolhem um trilho - que pode ir do mais simples, com uma hora, ao mais complexo, de um dia e com rapel ou escalada -, descarregam as coordenadas no GPS e partem à aventura sozinhos ou em grupo.

Dentro da ‘cache’ (que tanto pode ser um tupperware como uma pedra ou uma pinha falsa) está um livro de registos que tem de ser assinado por quem a descobre e brinquedos para as crianças que participem na ‘caçada’. Quando se tira o brinquedo, deixa-se outro no seu lugar, para a criança seguinte.

Depois, a ‘cache’ é guardada exatamente no mesmo sítio para que possa voltar a ser encontrada.

Todos os praticantes do jogo com quem a Lusa falou foram unânimes: o ‘geocaching’ é mais apelativo na natureza. “Todo o ‘geocacher’ tem por base gostar e amar a natureza. Quando vamos fazer uma ‘cache’ devemos ter a atenção de recolher o lixo que existe junto da ‘cache’ ou junto do trilho de forma a preservá-la”, disse à Lusa Nuno Veríssimo.

Praticante desde 2008, Nuno Veríssimo defendeu que o ‘geocaching’ é um bom meio para promover o país: “É possível conhecer o país através do ‘geocaching’ e o ‘geocaching’ consegue gerar dinheiro às regiões, porque comemos e dormimos nas zonas onde estão os trilhos que escolhemos”.

Nuno, que realiza o jogo com a mulher e o filho de dois anos, está a tentar falar com o Turismo de Portugal para promover o país na comunidade estrangeira de ‘geocaching’. “Há cerca de cinco milhões de pessoas a praticar o ‘geocaching’ em todo o mundo”, disse, acrescentando que “vêm muitos estrangeiros a Portugal praticar”.

O ‘geocacher’ está também a tentar criar a associação nacional para defender os praticantes de normas como a de se pagar uma taxa para pedir autorização para caminhar em zonas restritas dos parques naturais.

Com mais de duas mil ‘caches’ encontradas e 300 escondidas, uma das quais a 26 metros de profundidade nas Berlengas, criou há três anos uma empresa nesta área.

Carlos Figueira também é um adepto desde 2008 e não hesita em apontar os parques naturais como os “principais e mais difíceis palcos das ‘caches’”, nomeadamente os da Arrábida, Sintra, Serra da Estrela e Gerês.

Com um filho de cinco anos, que também já faz ‘geocaching’, Carlos Figueira criticou a taxa que o Governo cobra para se pedir autorização para aceder a zonas restritas do parque da margem sul do Tejo.

“Algumas pessoas foram multadas e foram retiradas algumas caches da zona da Arrábida por causa disso, porque as regras dizem que, quando não há permissão, as ‘caches’ são retiradas”, disse.

Praticante do jogo há seis anos, o jogador com o nome ‘touperdido’, que não quis revelar a sua identidade, diz que foi precisamente o fator natureza que o atraiu.

“Desde sempre que tenho um gosto enorme por tudo o que está relacionado com a natureza, sejam atividades, seja o conhecimento da fauna e flora. E com o ‘geocaching’ é possível associar tudo isso”, afirmou.

‘Touperdido’ também considera que este jogo poderia ser aproveitado para promover o turismo, porque existem no país “cerca de 16 mil caches, o que significa que existem locais para todos os gostos, seja com interesse paisagístico, histórico ou outros”.