A vantagem do candidato socialista François Hollande sobre o presidente Nicolas Sarkozy nas presidenciais de domingo, em França, diminuiu para 5 pontos percentuais, a menor margem até agora, segundo uma sondagem da Opinion Way realizada antes e depois do debate televiso de quarta-feira.

A empresa aponta para uma vitória de Hollande, com 52,5 por cento dos votos - 1,5 pontos percentuais a menos do que a sondagem de 24 de abril - enquanto o conservador Sarkozy aparece com 47,5 por cento.

Porém, a margem não conta ainda com a novidade de ontem: o ex-candidato às presidenciais francesas do Movimento Democrático (MoDem), Fraçois Bayrou, que obteve 9 por cento dos votos na primeira volta, anunciou que votará no candidato socialista François Hollande na segunda volta das eleições.

Tanja Börzel, professora e investigadora do Instituto Otto Suhr de Ciência Política da Universidade Freie de Berlim, afirma que será uma surpresa se François Hollande não sair vencedor no dia 6 de maio. A especialista garante que a eleição do candidato socialista pode trazer mais vantagens para o eixo franco-alemão, do que a reeleição de Nicolas Sarkozy.

“Se Hollande vencer, a cooperação franco-alemã não vai arrefecer. Muito pelo contrário, a relação entre os dois países será mais fácil em alguns aspetos”, assevera a especialista. “François Hollande é menos inseguro e agitado”, explica, “e muitas das medidas que ele defende já estão a ser discutidas pela União Europeia e algumas já foram aceites pelos estados-membros”, referindo-se ao Pacto de Crescimento, que será debatido em junho.

Tanja BörzelTanja BörzelFotografia: DR

Ideologicamente, a CDU (União Democrato-Cristã) de Merkel aproxima-se do UMP (União por um Movimento Popular) de Sarkozy. Até há pouco tempo, o casal "Merkozy" era tido como inseparável, com interesses mútuos.

“É um erro achar que a cooperação entre os dois países vai ser afetada caso Nicolas Sarkozy perca. Já toda a gente se esqueceu que a relação de Merkel e Sakozy não foi nada harmoniosa no início”, recorda. “O presidente francês apenas aproximou a sua política comunitária à estratégia alemã há alguns meses, em busca de apoio político e já com os olhos postos nas eleições”. “Para além de que Sarkozy pretende a renegociação do pacto Schengen”, algo que o governo alemão já disse estar fora de questão.

Apoio de Merkel foi "tiro pela culatra"

Relativamente ao apoio declarado de Angela Merkel a Sarkozy, em fevereiro, Tanja Börzel indica que foi um erro político. “A chanceler alemã prejudicou-o mais do que o ajudou”, “por isso recuou e não interferiu mais na campanha eleitoral”.

Sarkozy passou a ser visto em França como o “amiguinho da Alemanha”. “Alguns até lhe chamaram o poodle da Merkel e isso não foi uma estratégia inteligente por o governo alemão”, indica a especialista.

Sobre a recusa de Angela Merkel em conversar com François Hollande durante a campanha eleitoral, Tanja Börzel admite que isso foi outro “erro desnecessário”. “Mas não creio que estragará a relação entre ela e Hollande se ele for eleito”, salvaguarda.

O último cartucho

Na semana que precedeu a primeira volta das eleições presidenciais francesas, a 22 de abril, Hans Peter Friedrich e Claude Guéant, ambos ministros do Interior, na Alemanha e França respetivamente, reclamaram a possibilidade de restabelecer o controlo das fronteiras europeias na eventualidade de algum estado-membro não conseguir controlar um fluxo forte de imigrantes. Posição que na altura foi vista, segundo especialistas, como uma manobra política para refortalecer o apoio alemão a Sarkozy na véspera das eleições.

“Isto não é certamente a posição que o governo federal defende”, garante Börzel. O ministro do Interior alemão quis apoiar Sarkozy e ao mesmo tempo piscar o olho aos votantes da Bavária, que entre os alemães são os mais anti-imigrantes. “É uma forma de dar um sinal aos eleitores sobre a sua posição acerca do assunto da emigração, já que as eleições regionais estão próximas”, deduziu a especialista.

"De qualquer das formas", conclui a politóloga, "nada mudará substancialmente na Uniao Europeia." Se as sondagens se confirmarem, "a relação franco-alemã será praticamente igual."