Feira de Bolonha decorre de 19 a 22 de marçoFeira de Bolonha decorre de 19 a 22 de março

 A Feira do Livro Infantil de Bolonha, a mais importante a nível internacional para profissionais, arranca hoje em Itália e tem como país convidado Portugal. Depois da desistência da Austrália, Portugal assume lugar de destaque numa das mais importantes montras a nível editorial. O programa inclui mesas redondas com ilustradores portugueses, lançamento de livros, um stand com quase 150 livros infantis “made in Portugal” e uma exposição com trabalhos de 25 ilustradores. Dessa exposição, intitulada “Como as Cerejas”, fazem parte Madalena Matoso e Catarina Sobral.

 

Madalena Matoso, 37 anos, ilustradora premiada, recorda a primeira vez que foi à Feira de Bolonha, há quase dez anos: “A visita à feira foi intensa. É muito grande, com demasiadas coisas para ver; umas muito boas, outras muito más; umas muito comerciais, outras mais alternativas, há stands que parecem a disneylândia, outro que são uma mesa e uma cadeira. Há de tudo”, conta ao SAPO Notícias.

"A facilidade em trabalhar diretamente para outros países é muito grande e temos de aproveitar essa alternativa" Madalena Matoso, ilustradora

Nessa altura visitava a Feira apenas como ilustradora, ainda antes de ter lançado, em conjunto com Isabel Minhós Martins, a editora Planeta Tangerina. E por isso nessa época “via muito e mostrava muito pouco”, relata. “Há ilustradores que marcam reuniões com antecedência e levam os portfólios para mostrar, há também editoras que têm diretores de arte a ver trabalhos (e formam-se grandes filas de ilustradores com os portfólios debaixo do braço). Eu nunca senti muita vontade/coragem em mostrar os meus trabalhos. O que eu queria mesmo era ver coisas”.

Catarina Sobral, 27 anos, diz-nos que lá irá com o portfólio debaixo do braço.  “Fi-lo em Montreuil, no último Salon du livre et de la presse jeunesse e correu bem. Ao contrário de Bolonha, não é uma feira profissional e por isso tenho maiores expectativas agora. Sobretudo com a montra que vai ser a exposição dos ilustradores portugueses”. Em outubro do ano passado, Catarina escreveu e ilustrou o seu primeiro livro “Greve”, editado pela Orfeu Negro e já está a trabalhar num novo projeto.

A editora Planeta Tangerina, que começou a ir à Feira de Bolonha com “uma malinha de rodas” que levava de stand em stand, conta Madalena, partilhou nos últimos dois anos espaços com outras editoras. “Ali, o nosso objetivo como editora é vender os direitos dos livros para outros países.

"Há mais ilustradores, ilustradores com formação mais especializada, um público com maior educação estética" Catarina Sobral, ilustradora

Como somos autores e editores, quando um livro é vendido para outro país, estamos a divulgar o nosso trabalho duplamente. Temos tido muita sorte nesse processo. Por um lado temos muitos direitos de livros vendidos, por outro, os editores dos outros países têm-nos convidado para diferentes projetos”, explica Madalena. Este ano vão estar integrados no stand de Portugal mas vão lançar os dois livros mais recentes: "Ir e Vir", que já chegou às livrarias, e "Nunca Vi Uma Bicicleta e os Patos não Me Largam" que se vai estrear em Bolonha.

Se a passadeira vermelha para Portugal não servirá propriamente para colocar a ilustração portuguesa no mapa, poderá no entanto abrir novos horizontes, necessários mais do que nunca para se olhar para lá da crise.

“Em termos de criatividade julgo que não se vive uma época de crise. Em termos financeiro não sei se se pode dizer a mesma coisa... Mas em geral, tem havido um interesse maior pela ilustração, o que faz com que vão surgindo diferentes projetos e oportunidades de trabalho. A facilidade em trabalhar diretamente para outros países é muito grande e temos de aproveitar essa alternativa”, diz Madalena Matoso.

As “PME’s” da Ilustração, as pequenas e médias editoras de livros infantis, vão de vento em poupa? “Se temos essa sensação é porque há mais ilustradores, ilustradores com formação mais especializada, um público com maior educação estética, e um grande esforço das editoras, das Ilustrartes, das Palavras Andarilhas, etc.”, explica Catarina Sobral. “Mas isso não anula a nossa condição de país periférico. Se tomarmos como exemplo a França vemos que ainda não existe em Portugal uma verdadeira imprensa para crianças, crítica especializada, ensaios em português, uma secção de literatura infantil equiparável à da Biblioteca François-Mitterrand, a visibilidade e o apoio que os promotores da ilustração que referi merecem...”, remata.

 

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