Segundo o coletivo de juízes, não se provou nem a tese de rapto nem o encontro do menor com a prostituta que alegou ter estado com a criança no dia do seu desaparecimento.

Afonso Dias saiu, cerca das 17:20, do tribunal de Lousada, protegido por militares da GNR para evitar que fosse agredido por populares que se concentraram à porta do tribunal.

O clima nas imediações do tribunal ficou tenso depois do coletivo de juízes ter absolvido o arguido. “A justiça é uma vergonha”, “é injusto”, "a justiça não foi feita" foram algumas das palavras de ordem gritadas pelas várias dezenas de populares que se juntaram hoje à tarde à porta do tribunal e que obrigaram a GNR local a reforçar a segurança em redor do arguido.

Entretanto, o advogado de Afonso Dias manifestou-se satisfeito com absolvição do seu cliente, mas disse estar triste por esta ter sido tomada “tão tarde”. Questionado pelos jornalistas à porta do tribunal, o advogado Paulo Gomes afirmou: “o julgamento esclareceu sobre os factos que estavam na pronúncia. Era isso que estava em causa. Era sobre isso que tinha que esclarecer”.

Relação aceita renovação da prova ou anula julgamento, diz Sá Fernandes

O advogado de acusação no caso Rui Pedro defendeu hoje que, depois da absolvição de Afonso Dias do crime de rapto, o Tribunal da Relação aceita a renovação da prova ou anula o julgamento.

"Fundamentalmente [a decisão] baseia-se em declarações de inspectores da PJ que não quiseram verter para os autos as afirmações que aqui fizeram. O tribunal não credibilizou as declarações de Alcina Dias, credibilizou as declarações de inspetores da PJ que não poderia credibilizar", afirmou Ricardo Sá Fernandes.

O advogado da família de Rui Pedro sublinhou que o tribunal "entendeu que seria verdade que Alcina Dias teria estado com o menor, mas que não havia meios suficientes para concluir que o menor era Rui Pedro".

"Deu como provado tudo o que acusação sempre sustentou e a defesa sempre negou (...), mas concluiu que o encontro [de Alcina Dias] pode ter sido com outro rapaz e outro homem", afirmou Sá Fernandes, realçando que esta decisão "desvalorizou em absoluto as declarações de Alcina Dias" e "baseou-se apenas nas declaraçoes de inspetores da PJ que fizeram o triste espectáculo que puderam presenciar, que é absolutamente ilegal e implicará a anulação do julgamento".