“Através de clientes particulares, há peças em bastantes sítios”, conta à agência Lusa, indicando os Estados Unidos, Brasil, França, Itália, Inglaterra, Alemanha, Holanda, Bélgica e até os Emirados Árabes Unidos.

O seu atelier funciona na casa, junto à Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Graça do Divor, à entrada da pequena aldeia do mesmo nome, perto de Évora.

É aí, rodeado pela tranquilidade do campo, apenas perturbada pela ocasional celebração religiosa na vizinha igreja, que decorre esta aventura e para a qual João Bruno criou a marca “Água de Prata”.

O nome escolhido para “assinar” as peças advém do facto de, a curta distância, se situar a nascente da Água de Prata, que antigamente abastecia o aqueduto de Évora.

E a escolha da lã de Arraiolos, que aplica ao mobiliário que restaura e às estruturas de madeira que desenha e manda construir, surgiu de forma casual.

“Adaptei a uma peça de mobiliário, uma cadeira, um novo material, a lã de Arraiolos, até então de uso exclusivo da tapeçaria tradicional”, conta, recordando a primeira criação, cujo velho assento de buinho entrelaçado foi substituído por outra “teia”, formada de lã.

A partir daí, até porque estava “desiludido com o jornalismo”, João Bruno atirou as notícias para o passado e “abraçou” o artesanato: “No instante em que fiz a primeira peça, percebi que tinha um potencial em mãos”.

Das suas mãos começaram a “nascer” cadeiras, mesas, bancos, painéis de parede, que também podem ser cabeceiras de cama, e “puffs” feitos a partir do reaproveitamento de pneus e do desperdício de lã e materiais recicláveis.

No centro de tudo, num infindável jogo de cores, que pode ser personalizado à medida dos “gostos de cada pessoa”, está a lã de Arraiolos. Esta é uma “matéria-prima natural, cem por cento ecológica”, e que tem na forma como é fiada um dos seus pontos fortes.

“É um material completamente resistente”, que permite ser adaptado aos assentos, encostos e tampos do mobiliário da “Água de Prata” e que confere “resultados fantásticos”, diz João Bruno.

Os clientes têm sido conquistados, assim como os arquitetos de interiores, com quem colabora em encomendas específicas para casas, restaurantes ou pequenas unidades de turismo rural.

“A lã, sendo um material quente, uma matéria-prima natural, provoca uma sensação agradável nas pessoas. Portanto, automaticamente, as pessoas reagem positivamente a ela”, afiança.

A comunicação social, mundo a que antigamente João Bruno pertencia, tem acompanhado o seu trabalho e até “apareceu”, recentemente, na revista norte-americana Wallpaper. Atenção que, assegura, não o leva a sentir-se tentado em regressar à profissão de “tecelão” de notícias.