Lançada no sábado por Nuno Luís Marreiros, a petição Pedido de Demissão do Presidente da República já ultrapassou largamente o número de assinaturas necessárias para que chegue à Assembleia da República.

O desempregado de 35 anos garante que "seja pela minha mão, ou pela mão de outros signatários que já manifestaram a sua disponibilidade para o fazer, a petição irá mesmo seguir para a Assembleia da República".

Admitindo que o resultado final não seja mesmo o objetivo a que se propõe, ou seja, a demissão do chefe de Estado, Nuno Luís Marreiros disse acreditar que poderá ser vista como "uma primeira manifestação da participação dos cidadãos na vida política".

"Há muitas críticas à falta de participação dos cidadãos, por isso este pode ser um exemplo de participação ordeira e sem recurso a manifestações violentas, uma forma de mostrar que os portugueses estão descontentes com a atuação do Presidente da República", acrescentou.

No texto da petição são recordadas as declarações do chefe de Estado na sexta-feira, quando Cavaco Silva afirmou que aquilo que vai receber como reforma "quase de certeza que não vai chegar para pagar" as suas despesas.

"Estas declarações estão a inundar de estupefação e incredulidade uma população que viu o mesmo Presidente promulgar um Orçamento de Estado que elimina o 13.º e 14.º meses para os reformados com rendimento mensal de 600 euros", lê-se no texto da petição.

Perante "tão grande falta de senso e de respeito para com a População Portuguesa", é ainda referido na petição, o Presidente da República "não reúne mais condições nem pode perante tais declarações continuar a representar a população Portuguesa".

"Peso isto bem como o medíocre desempenho do senhor Presidente da República face à sua diminuta intervenção nos assuntos fundamentais e fraturantes da sociedade portuguesa, os cidadãos abaixo assinados vêm por este modo transmitir que não se sentem representados, nem para tal reconhecem autoridade ao senhor Aníbal António Cavaco Silva e pedem a sua imediata demissão do cargo de Presidente da República Portuguesa", é ainda referido.

Uma petição tem se ser subscrita por mais de quatro mil cidadãos para ser apreciada no plenário da Assembleia da República. No entanto, o presidente da comissão de Assuntos Constitucionais, Fernando Negrão, afirmou que a petição pedindo a demissão do Presidente da República é de "objeto impossível" porque "a Constituição não o permite".

O Presidente da República "só pode ser demitido por si próprio, renunciando, ou em caso de morte ou incapacidade", afirmou. "O Presidente da República não responde perante nenhum outro órgão de soberania".

"Indignados" com Cavaco juntaram-se para dar "uma moedinha" ao chefe de Estado

Dezenas de pessoas concentraram-se ontem em frente ao Palácio de Belém, "indignados" com as declarações do Presidente da República sobre as suas pensões, e deixaram "uma moedinha" para "ajudar" o chefe de Estado a pagar as despesas.

O protesto culminou com uma tentativa frustrada por parte dos manifestantes de entregar ao chefe de Estado as moedas recolhidas num pano preto. "A esmola fica à porta", gritaram os manifestantes, depois de terem sido impedidos de entrar no Palácio de Belém.