BCE diz ter um sistema de pagamentos melhor que a blockchain

Pela voz de Yves Mersch, o BCE aumenta as expectativas em relação ao seu novo sistema de pagamentos. Promete ser mais rápido e mais barato que a blockchain.

Pela voz de Yves Mersch, o BCE aumenta as expectativas em relação ao seu novo sistema de pagamentos. Promete ser mais rápido e mais barato que a blockchain.

Com a blockchain a ser apontada como o futuro dos pagamentos, o Banco Central Europeu (BCE) já deu sinais de que não vai deixar que isto aconteça sem dar alguma luta. Em entrevista citada pela Bloomberg, Yves Mersch, membro executivo do BCE, afirmou que o regulador vai conseguir fazer bem melhor com o seu TIPS – Target Instant Payments Settlement.

O BCE prepara-se para lançar um novo sistema de pagamento, o TIPS, em novembro deste ano, que permitirá realizar transações em tempo real. “O TIPS demora dez segundos e custa 0,2 cêntimos. As transações com DLT [blockchain] custam, no melhor cenário, 30 euros e demoram, pelo menos, uma hora”, afirmou Mersch.

“Temos o objetivo de criar sistemas de pagamento eficientes e é pela eficiência que vamos optar. Não estamos vinculados a tecnologias, estamos vinculados a resultados”, apontou ainda o membro do BCE. Para além de trazer o tempo de espera entre as transferências e as receções para valores atuais — como acontece com os emails ou as notícias –, esta tecnologia promete ainda fazer com que seja possível utilizar o dinheiro instantaneamente.

Moedas virtuais trazem problemas “entre mundos”

Mersch aproveitou também esta circunstância para confirmar que o Banco Central Europeu está atento às moedas virtuais e que prevê já riscos para a economia. “Se temos cada vez mais pontes entre o mundo virtual e o mundo real e, de repente, há um colapso no mundo virtual, isso poderá drenar a liquidez do mundo real”, afirmou ainda Mersch. “Isto torna-se uma preocupação para o banco central.”

Ainda que os reguladores tenham tratado as criptomoedas como um ativo especulativo até há pouco tempo, a mais recente escalada e consequente trambolhão da bitcoin e suas irmãs levou muitos órgãos a passarem a tê-las debaixo de olho. “Precisamos de mais informação”, admitiu agora Yves Mersch.

O responsável do BCE apontou ainda medidas que estarão em cima da mesa: “Para mim, uma das obrigações deveria ser forçar as plataformas desreguladas a reportar as transações de uma forma harmonizada aos repositórios para que tivéssemos acesso à informação — e de maneira a criar uma melhor resposta”, considerou.

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