"A atual realidade migratória é uma realidade muito complexa que obriga políticos e as diversas comunidades e a sociedade em geral a discuti-la de uma forma muito séria, muito intensa [porque] não há mundo, não há desenvolvimento, sem migrantes", declarou José Cesário à imprensa, à margem de uma conferência sobre "Migrações Circulares na União Europeia: Parcerias para a mobilidade entre a Europa e países terceiros", na Associação Cabo-Verdiana de Lisboa.

Frisando que "hoje, os migrantes no mundo são mais de 230 milhões de pessoas", o responsável observou que "tal significa que, por mais tentativas que se façam para limitar a circulação de pessoas, é o próprio desenvolvimento que obriga a que assim seja".

Por outro lado, reconheceu a necessidade de encontrar soluções equilibradas em função das circunstâncias dos diversos países que compõem a Europa comunitária.

"Se me perguntarem abstratamente se sou defensor do máximo de abertura em termos dessa mobilidade, sou. Mas também tenho de compreender as especificidades de variadíssimos países e, portanto, hoje, estar num Governo, seja ele de que tipo for, e ser responsável político obriga sobretudo a fazer um grande equilíbrio, de maneira a podermos encontrar soluções que sejam do agrado quer daqueles que têm de circular, quer daqueles que estão em cada um dos países", explicou.

Inquirido sobre se os recentes atentados terroristas na Europa levaram a um recuo quanto à tendência de abertura do espaço europeu a cidadãos de países terceiros, o secretário de Estado respondeu que esses acontecimentos constituem "mais um problema" que a Europa tem de enfrentar.

"É evidente que não podemos meter a cabeça na areia e fazer de conta que nada se passa; evidentemente, estamos confrontados com mais um problema, não vale a pena fugir a ele. Esse problema existe, agudizou-se, influencia as opiniões públicas e acaba por influenciar as decisões políticas", admitiu.

"O que é que nós temos de fazer? Temos de discutir as questões de uma forma clara, temos de ser muito frontais e perceber aquilo que é bom para as economias e, particularmente, para as pessoas", sustentou.

Esse debate não pode, insistiu, "perder de vista uma coisa que é essencial na nossa sociedade, na sociedade ocidental particularmente: uma lógica humanista que tem de estar presente em todas as decisões".

ANC // JPS

Lusa/fim