Primeiro ensaio Kia Stinger GT V6: extraordinário!

Não enlouqueci nem bati com a cabeça em lado nenhum. O Stinger V6 é um carro fabuloso que poderá ser algo especial para a Kia, marca coreana – sim COREANA! – que começa a ser um enorme incómodo para os veteranos do Velho Continente como este Stinger comprova. Acreditem, o carro é mesmo muito bom!

Não enlouqueci nem bati com a cabeça em lado nenhum. O Stinger V6 é um carro fabuloso que poderá ser algo especial para a Kia, marca coreana – sim COREANA! – que começa a ser um enorme incómodo para os veteranos do Velho Continente como este Stinger comprova. Acreditem, o carro é mesmo muito bom!

Veloz, competente, confortável, enfim uma berlina familiar (cabem quatro pessoas sem grandes problemas) com aspirações desportivas que não deixa créditos por mãos alheias. Pode repetir até á exaustão que 80 mil euros por um Kia é muito dinheiro, mas isso mostra desconhecimento sobre o que a marca já cresceu ao longo destes anos e como este Stinger é bom.

Diria, antes de conduzir o Stinger V6, que a ideia de ter um Kia com um motor a gasolina com mais de três litros de cilindrada não passará pela cabeça de ninguém, mesmo que custe menos de 80 mil euros e esteja atafulhado de equipamento. Ahahahah, um Kia a custar 80 mil euros estará o caro leitor a rir-se à gargalhada. Esse dinheiro todo por um... Kia! Pois, mas depois de andar com o Stinger nas estradas que me levaram do Porto ao Peso da Régua... ficou clro na minha mente que, se tivesse esse dinheiro, daria sem hesitações. Eu sei que nem os sete anos de garantia e a oferta, no Stinger, de sete anos de toda a manutenção programada, serão suficientes para o convencer. Vamos então conhecer o Stinger.

Porque faz parte do grupo Hyundai, a Kia tem acesso a plataformas bem diferentes daquelas que usa na sua gama tradicional. A maior diferença dessas plataformas reside na tração traseira e no caso do Stinger, a casa coreana deitou mão á base utilizada no Genesis coupé. Para os motores, voltou a buscar na caixa de peças do grupo e encontrou o bloco 2.0 litros turbodiesel e turbo a gasolina (com 200 e 255 CV, respetivamente) e o V6 de 3.3 litros duplo turbo com 370 CV (o mesmo do Genesis). A caixa automática também é nova, uma unidade com conversor de binário e oito velocidades, feita pelo grupo Hyundai Kia, a carroçaria é feita em aço produzido pela Hyundai Steel que chega à Europa carregado em barcos feitos pela Hyundai.

Veja quanto lhe pode custar este Kia Stinger GT V6

GRANDE TURISMO

Portanto, foi fácil para os homens da Kia conceberem uma berlina Grande Turismo de quatro portas elegamte, dinâmica e tecnicamente evoluída, totalmente fora daquilo que a casa coreana tinha feito até agora. Mas isso só acontece porque Peter Schreyer e os seus comadados decidiram ir buscar Alber Biermann à divisão M da BMW e deram-lhe carta branca. De tal ordem que ele referiu aquando da revelação do Stinger á imprensa que “fizemos este carro com muito esforço, risco e dedicação, mas estamos fartos de de sermos sempre os segundos atrás dos grandes tubarões. Somo uma empresa de produção automóvel de classe mundial e tudo o que os europeus podem fazer...” Portanto, o Stinger é, descaradamente, um rival dos alemães, indo incomodar os tubarões nas suas águas.

Para isso tem um estilo que não deixa ninguém indiferente. Capot longo, perfil longilíneo (com o detalhe do arranjo das portas traseiras fazer a ligação ao Optima), frente agressiva, carroçaria rebaixada e alongada e detakhes no capot, na lateral e na traseira que rimam de forma perfeita com a definição do Stinger. Na minha opinião, uma das berlinas mais bonitas que conheço com sofisticação e a rigidez germânica a combinarem de forma perfeita. De certos ângulos, o carro parece mais um GT que uma berlina de elevadas prestações, o que só abona em favor da excelência do estilo criado por Gregory Guillaume debaixo da supervisão de Peter Schreyer.

INTERIOR DISTINTO

No interior, entramos em outro mundo que parece vindo de outra marca, sensação traída pelo volante multifunções conhecido de outro modelos da Kia. Tudo o resto é diferente, com grafismos e arrumação de comandos diferente. Felizmente que quem desenhou o interior do Stinger não se rendeu à minimização de controlos e foi generoso a instalar vários botões para várias ações e controlos. Contas feitas, um belíssimo interior, ali com uma inspiraçãozinha na Ferrari (as três saídas de ar do sistema de climatização numa espécie de lomba por baixo do ecrã flutuante de dimensões generosas) e uma qualidade acima do que a Kia faz em outros modelos da sua gama. Não tem a qualidade absoluta de um Premium, mas está muito próximo.

A posição de condução está bem mais baixa que no Optima, por exemplo, dando a clara sensação que estamos num desportivo e não numa berlina de grande turismo. Volante, banco e demais cimandos estão no local certo e temos todas as condições reunidas para explorar as capacidades do Stinger. Vamos a isso!

Daqui a uns dias vou publicar o ensaio completo ao kia Stinger na sua versão diesel com 200 CV, por isso escolhi a versão GT AWD com motor V6, tração integral e 370 CV debaixo do pé direito. Dizser só que o Stinger, em Portugal, não tem caixa de velocidades manual e a tração integral está disponível, apenas, para o V6.

O Stinger é todo feito em aço e com tanto equipamento não é propriamente leve (1730 kgs!) o que me deixou a pensar o que faráo motor diesel com tanta arroba para carregar. Mas isso terão de esperar para ler nos próximos dias.

Apesar do peso, a Kia diz que o Stinger V6 chega dos 0-100 km/h em 4,9 segundos. Não sei se é verdade, mas que este V6 de 3.3 litros tem alma até Almeida... ah isso tem! É verdade que é um pouco preguiçoso num primeiro momento, mas assim que começa a mudar de voz, sobe de rotação com uma pressa impressionante que, por vezes, até baralha o comando automático da caixa automática de 8 velocidades. É uma pena que não haja um modo puramente manual que deixe as patilhas do volante controlar como desejamos as passagens de caixa. Assim, temos ali um ou outra hesitação, nada de grave, porém.

A suspensão é adaptativa e no modo Sport endurece o suficiente para atacar as curvas das estradas do Douro com confiança, acrescida pela utilização de um generoso conjunto de travões da Brembo.

Bem sentados num banco que nos envolve e com tudo pronto, chegou a hora de... soltar o Stinger!

COMPORTAMENTO FABULOSO

Com piso seco e estrada muito enrolada, a tração integral não é de grande ajuda até porque em certas situações o carro ganha inércia no eixo dianteiro, mesmo que o sistema privilegie o eixo traseiro na hora de entregar a potência. Quando a estrada passa a ser mais larga e com curvas mais em apoio, a tração integral ajuda nos excessos. E é tão fácil cometer um excesso com o Stinger, pois a confiança que instila é enorme.

A aderência é sempre elevada (os pneus ajudam e muito), a carroçaria está muiti bem controlada não mexendo mais que o necessário. A excelência do comportamento faz-nos esquecer que este é um carro com quase três metros de distância entre eixos. Reaje de forma perfeita ás mudanças de direção, “engole” as irregularidades sem grandes queixumes e raramente o ESP entra em ação. Nos quilómetros que efetuei naquelas belíssima estradas, nunca o controlo de estabilidade ou tração se deram a conhecer. Impressionante!

E quando exageramos, temos várias opções. Ou nos penduramos nos Brembo e a coisa corre mais ou menos, fechamos a direção e o Stinger perde velocidade e entramos na curva, ou então procuramos os limites da estrada e com uma aceleradela vigorosa, o chassis rege de forma perfeita e com um sacão, recoloca o Stinger na trajetória certa. À saída das curvas, a capacidade de tração é fenomenal e somos catapultados para diante encurtando as já pequenas retas de forma impressionante.

Muito estável nas curvas rápidas em apoio, o Kia Stinger beneficia, ainda, de uma direção com o peso certo, precisão de ourives e alguma sensibilidade que nos permite perceber o que andam a fazer as rodas da frente. Arrisco-me a dizer que faz bem melhor que um BMW 440i, só ficando atrás do M4. Mas ai estamos a falar de outra coisa bem diferente.

Tudo isto é feito com uma naturalidade impressionante, um conforto inesperado e uma banda sonora que poderia ser mais “vivace”, mas a insonorização não deixa que o V6 rosne dentro do habitáculo. Uma pena!

Veredicto

Fantástica surpresa este Kia Stinger e depois de ter andado com a versão turbodiesel (o outro motor a gasolina não estava disponível), não me restam dúvidas em dizer que este é o melhor Stinger. Veloz, competente, confortável, enfim uma berlina familiar (cabem quatro pessoas sem grandes problemas) com aspirações desportivas que não deixa créditos por mãos alheias. Pode repetir até á exaustão que 80 mil euros por um Kia é muito dinheiro, mas isso mostra desconhecimento sobre o que a marca já cresceu ao longo destes anos e como este Stinger é bom. É mais caro que um BMW 440i Grancoupe (o seu mais direto rival), mas goleia o rival de Munique no que toca ao equipamento e, desfaçamos esse mito, os valores de retoma de um Kia estão praticamente ao nível dos modelos Premium. Além disso, a Kia oferece-lhe sete anos de garantia (sim, leu bem, 7 anos!) e sete anos de manutenção programada completamente grátis! Pena tenho eu de não ter o dinheiro para comprar um Stinger, pois quero lá saber do emblema da grelha... quero é divertir-me ao volante com segurança e conforto e ter um carro giro e que deixa muito boa gente a coçar a cabeça como foi possível ser “catado” por um Kia que depois de passar exibe uma traseira... à lá Maserati!

FICHA TÉCNICA

Kia Stinger GT V6

Motor 6 cilindros em V, injeção direta, duplo turbo, gasolina; Cilindrada (cm3) 3342; Diâmetro x curso (mm) 92 x 83,8; Taxa compressão 10,0; Potência máxima (cv/rpm) 370/6000; Binário máximo (Nm/rpm) 510/1300 - 4500; Transmissão e direcção Tração integral, caixa automática de 8 vel.; direção de pinhão e cremalheira, com assistência elétrica; Suspensão (fr/tr) Independente tipo McPherson; independente multibraços; Dimensões e pesos (mm) Comp./largura/altura  4830/1870/1400; distância entre eixos 2905; largura de vias (fr/tr) nd; travões fr/tr. Discos vent; Peso (kg) 1730; Capacidade da bagageira (l) 406; Depósito de combustível (l) nd; Pneus (fr/tr) 255/35 R19; Prestações e consumos aceleração 0-100 km/h (s) 4,9; velocidade máxima (km/h) 270; Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km) 8,5/14,2/10,6; emissões de CO2 (g/km) 244; Preço da versão ensaiada (Euros) 78.899