Kris Meeke: “O ‘nervosismo’ do carro não foi o nosso maior problema este ano”

Kris Meeke mete os pontos nos 'i' em algumas situações e revela o que sempre pensámos. Nem ele, nem o carro são tão maus quanto pintaram...

Apesar das coisas estarem a correr bastante bem no Rali da Catalunha, fruto de uma liderança de 13.5s face a Ott Tanak ao cabo de nove especiais, Kris Meeke tinha falado com o AutoSport antes da prova, sobre os problemas que tem havido esta época na Citroën Racing. Pelo discurso, percebe-se a sua mágoa perante algumas coisas que sucederam, por exemplo, o facto de ter sido deixado de fora da equipa, e chamado Andreas Mikkelsen, bem como com todas as trocas posteriores, e o efeito que isso teve no ambiente da equipa. Pelo que se percebe, nem o carro é tão mau como chegou a parecer, nem o seu principal piloto foi o culpado de todos os males, como em determinado momento muitos pensaram: “O que precisamos na equipa é mais estabilidade. E agora temos o Christophe Besse, o nosso novo Diretor técnico. Conheço do tempo em que ele esteve na Citroën no passado. Ele esteve fora, nas pistas, e agora voltou aos ralis. E parece-me ser uma boa influência, é muito calmo, e ponderado no que à engenharia dos carros diz respeito. Quanto ao resto, com tanta mudança a meio da época, ninguém sabia muito bem o que estava a acontecer. E isso afetou o espírito e a moral de todos. Quanto a mim só quero estabilidade para me sentir confiante novamente” começou por dizer Kris Meeke, antes de ir bem mais fundo na questão, deixando recados bem claros nas entrelinhas, e em alguns casos, perfeitamente bem direcionados:

“Temos trabalho pela frente para fazer, mas o importante é sentir-me confortável. E isso vem de todos os pequenos detalhes. Se estiveres confiante no carro, transpareces confiança na equipa, tudo começa aí. E há várias razões para ter perdido a confiança. Por exemplo, ter sido trocado sem uma grande razão, e aí ficas sem perceber o que está a acontecer ou quem está no controlo. Na Córsega e Alemanha mostrámos quão rápidos podemos ser no asfalto. O carro é igualmente rápido nos pisos de terra, liderámos em Portugal, liderámos na Sardenha. Estivemos muito perto do Elfyn (Evans) na Argentina (ndr, o galês da M-Sport, lutou pela vitória com Neuville até ao derradeiro troço) antes de termos problemas. Houve muitas pequenas coisas. E o ‘nervosismo’ do carro não foi o nosso maior problema este ano.”

“Há alturas em que cometemos um erro, e em todas as vezes, simplesmente fui responsabilizado por eles. Também existiram alguns problemas mecânicos. Todos os pilotos que guiaram o carro em piso de terra disseram que não se sentiram seguros a pilotá-lo. Precisas de um carro que esteja moldado a ti. Quando pilotas um carro de ralis a este nível precisas que ele faça exatamente o que lhe dizes para fazer, e não que o carro te diga o que vai fazer. É um problema complicado. Quando conseguimos obter resultados não significa que tudo tenha estado bem, mas deu a oportunidade a algumas pessoas na equipa dizerem que estava tudo bem com o carro. Simplesmente precisamos duma visão calma das coisas, recuperar a confiança e continuar a tentar perceber como podemos conseguir essa maior confiança nos pisos de terra, temos que criar uma janela maior de afinação no carro. O Christophe (Besse) só está a trabalhar há duas ou três semanas, mas devo dizer que não é só uma questão que nos tem dado dores de cabeça. Tivemos vários problemas mecânicos, eu cometi alguns erros e nós precisamos de trabalhar e ganhar confiança com o carro em determinadas condições”, disse Kris Meeke.

Pelo que se percebe, há alguma ressentimento em Kris Meeke, que revela agora publicamente algo que sempre pensámos. Enquanto Craig Breen e Stéphane Lefebvre, sem tanta pressão de resultado, poderiam não andar tanto nos limites, Kris Meeke, como primeiro piloto, tinha que lutar pelas vitórias e por isso foi ele que tentava andar para lá do que o C3 WRC estava preparado para fazer. Daí que tenha sido Meeke a ter todos aqueles acidentes. Todos sabemos que o piloto britânico sempre foi muito suscetível a acidente, mais do que a média dos pilotos, mas o que se viu este ano foi um exagero e uma espécie de bola de neve. Quanto mais tentava, mais batia…

Martin Holmes c/JLA