F1, Claire Williams: “O dinheiro em torno da F1 deveria ser suficiente para dez equipas serem competitivas”

Depois de ter caído para o nono lugar dos construtores em 2011 e 2013 a Williams luta para se chegar um pouco mais às equipas da frente

Claire Williams está consciente que a equipa que dirige não tem vindo a aproveitar da melhor forma os seus recursos, e que deveria estar mais perto das três equipas da frente, mas por outro lado, reconhece que nas condições atuais, só muito dificilmente poderá imiscuir-se entre as três grandes. O fosso acentuou-se nos últimos quatro anos, face aos desafios desta nova era turbo híbrida, mas a verdade é que a Williams anda há muito tempo a tentar recuperar o tempo perdido e sendo verdade que agora luta para, pelo menos chegar ao quarto lugar do Mundial de Construtores, o melhor que em condições normais conseguirá hoje em dia, essa possibilidade deve terminar este ano, pois na próxima época tanto a McLaren como a Renault deverão estar em condições para preencher mais duas vagas atrás das três primeiras equipas.

A Williams não tem atualmente um construtor por detrás, o que não lhe permite ter um orçamento semelhante aos da Mercedes, Ferrari ou Red Bull. De facto, os homens de Grove têm menos de metade dos valores que as equipas de ponta têm para gastar, uma barreira verdadeiramente inultrapassável:

“Da nossa perspetiva, como modelo de negócio, penso existem algumas preocupações que temos enquanto equipa independente, sobre o caminho que a Fórmula 1 poderá adotar, se não tomarmos conta da nossa direção neste momento. É evidente que temos os construtores na nossa categoria, que estão a despender grandes quantias de dinheiro e, depois, temos as equipas independentes no meio que nem sequer sonham em gastar esse tipo de valores na Fórmula 1 e a diferença de orçamentos está a criar as situações que temos de momento, em que temos de procurar todos os anos ‘budgets’ que nos permitam manter a sustentabilidade neste desporto”, começa por dizer a inglesa que está consciente de que o caminho da competitividade bate-se tanto em pista como fora dela.

Com o novo Acordo da Concórdia a ser negociado nos próximos anos, uma vez que o atual expira em 2020, Claire Williams sente que, com a chegada da Liberty, novas oportunidades se abrem para que exista uma divisão mais igualitária dos rendimentos gerados pela categoria máxima, algo que crê ser de extrema importância para a disciplina.

“Existe muito dinheiro a circular em torno da Fórmula 1 e deveria ser suficiente para que dez equipas pudessem competir de forma competitiva, sem que existisse quatro segundos a separá-las na grelha de partida. Do meu ponto de vista, gostaria que a Fórmula 1 seguisse a direção de um ponto de vista financeiro, de controle de custos e tetos orçamentais e isso, acredito, que traria à Fórmula 1 o interesse que é preciso, para além de a melhorar. Creio que todos queremos que a Fórmula 1 cresça e penso que os novos donos têm que tomar conta da situação”, sublinhou a mulher que gere os destinos da equipa.

Ainda assim, Williams reconhece que a batalha fora das pistas será tão dura como dentro dela, uma vez que, quem tem vantagens no campo financeiro, dificilmente a quererá perder, mas a filha de Frank Williams comunga da determinação do seu pai e aponta motivos fortes para que as estruturas independentes sejam acarinhadas. “Penso que seria muito difícil, ou será muito difícil, implementar de alguma forma um tecto orçamental. 150 milhões de dólares para equipas como a Ferrari, a Mercedes ou Red Bull obrigá-las-ia a reduzir as suas operações, mas no passado operámos nesse tipo de orçamentos e penso que dizer que essas equipas são o ADN deste desporto é incorrecto. Penso que equipas como a Williams estão na génese deste desporto e equipas como a Williams ou a Force India, as independentes que estão neste desporto há quarenta anos e produziram quantidades enormes de tecnologia que beneficiaram outras indústrias, também precisam ser protegidas. Da minha perspectiva, é claro, apoiaríamos o tecto orçamental, seja ele qual for, mas gostaria que fosse implementado o quanto antes”, anuiu a britânica.

Depois de anos longe dos lugares a que nos habituou e de ter voltado a iniciar uma deriva negativa após duas temporadas entre as grandes, a Williams parece estar atenta e ter em Claire Williams e Paddy Lowe as pedras basilares para se poder guindar definitivamente ao topo do segundo pelotão e a incomodar as estruturas maiores. Em pista, 2018 será um ano de capital importância para a formação e Grove, durante a qual se começará a sentir os efeitos da contratação e Lowe, mas fora dela as batalhas serão intensas e estender-se-ão por bastante mais tempo, requerendo a Williams a habilidade política que o seu pai exibiu em situações determinantes…