Daniil Kvyat: Sete anos para subir ao topo da F1… e cair de lá

Daniil Kvyat justificou a ida para a F1 no ano de estreia, mas a partir daí... patinou até cair!

A carreira de um piloto é feita de velocidade e quanto mais velocidade melhor. No entanto, não há regra sem exceção e Daniil Kvyat é um exemplo de uma ascensão meteórica e um queda igualmente espantosa. Neste momento, não sabemos se consegue levantar-se… na Williams!

Foi em 2010 que começou a pilotar monolugares, fruto dos bons resultados do ano anterior em que conseguiu o 3º posto no campeonato europeu de Karting (KF3) e o 2º lugar no WSK International Series. Começou na Formula BMW Pacific, mas com a sua entrada no programa da Red Bull, ingressou na serie europeia da mesma competição, terminando em 10º.

2011 e 2012 foram provavelmente os seus melhores anos ao nível de resultados, com um 3º lugar na Formula Renault 2.0 Eurocup e na UK Finals Series, além do vice-campeonato na Formula Renault 2.0 NEC. Participou ainda na Toyota Racing Series com um 4º lugar final, tudo isto em 2011. O ano seguinte continuou a ser de ouro para o jovem russo, com o vice-campeonato na Formula Renault 2.0 Eurocup e o título nos mesmo formulas, mas na serie Alps. Com estes resultados começou a ser olhado como um caso sério, algo que se confirmou no GP3 onde foi campeão em 2013. Já nesse ano testou pela Red Bull, e era piloto de reserva da Toro Rosso.

Webber iria pendurar o capacete no final desse ano, Vergne ou Ricciardo teriam uma chance na Red Bull e sobraria uma vaga para um jovem subir à Toro Rosso. Félix da Costa parecia a escolha óbvia, mas Helmut Marko ficou espantado com a capacidade do russo e não teve grandes dúvidas em escolhe-lo para subir à F1 em 2014. O primeiro ano no grande circo parecia dar razão a Marko… Kvyat foi o rookie do ano, foi melhor que Vergne em qualificação (12-7) e em corrida conseguiu igualar um francês já pouco motivado (6-6).

O pesadelo de Kvyat começou como um sonho perfeito. Depois de um ano de estreia promissor, ficou com a vaga de Vettel, que saiu surpreendentemente para a Ferrari. Vergne foi retirado do programa e entraram para a Toro Rosso Carlos Sainz Jr. e Max Verstappen, o seu carrasco.

O ano 2015 na Red Bull dificilmente pode ser considerado mau. Terminou em 7º, à frente de Ricciardo, com quem teve uma luta muito equilibrada (7-7 em corrida e 7-11 em qualificação, com vantagem para o australiano). Mas uma análise mais cuidada mostra que a sorte bafejou Kvyat e Ricciardo foi obrigado a desistir das corridas em Silverstone, Spa e Sochi, quando tinha fortes hipóteses de terminar no top5. Kvyat teve também desistências, mas quando se deram estava teoricamente fora do top 5 final na grande maioria das vezes. Alguns desempenhos de Kvyat deixavam no ar algumas dúvidas, mas eram as prestações de Verstappen que começavam a criar expetativa e, embora tenha empatado com Sainz em qualificação (8-8) e em corrida (5-5), dizimou o espanhol no número de pontos conquistados (49-18).

O jovem prodígio holandês estava a dar nas vistas e a Red Bull precisava de lhe dar motivos para ficar. Esse motivo surgiu em 2016, durante o GP da Rússia. Depois de ter conquistado o seu melhor resultado de sempre (2º lugar na China) e ter ficado com a alcunha de “Torpedo”, com o alto patrocínio de Vettel, depois de uma abordagem mais agressiva na curva 1, Daniil borrou a pintura e bateu duas vezes contra Vettel no “seu” GP. Ao contrário da proteção habitual (e justificada) por parte da equipa, como aconteceu em Austin, por exemplo, onde fez um pião desnecessário, foi simplesmente afastado da Red Bull e colocado de volta na Toro Rosso, tudo para que se abrisse a vaga para Verstappen subir à equipa principal. Muita gente questionou o timing e a forma como foi feito, mas a vitória em Barcelona na prova seguinte obrigou os críticos a baixar o tom.

Desde então o rendimento do russo caiu a pique e embora nunca tenha deslumbrado na F1, não voltou a mostrar a competitividade devida para este nível. Este ano foi afastado definitivamente da Red Bull e tem apenas um lugar à disposição na Williams, que não parece para já muito interessada nele.

Se sair da F1 este ano, fica com 2 pódios no seu currículo em 72 GP. Kvyat foi vítima das circunstâncias e o aparecimento de Verstappen definiu-lhe o destino. A forma como respondeu a este desafio não foi a melhor e pagou caro.

Kvyat mostrou que tinha muito potencial na Formula 2.0 e no GP3, mas a pressa em promovê-lo terá impedido o necessário processo de maturação. Na F1 nunca mostrou o virtuosismo que foi falado pelos responsáveis da Red Bull e comparando por exemplo a época de estreia do russo com a de Sainz, vemos que o espanhol mostrou muito mais na primeira época, tendo chegado com mais experiência. A pressa é inimiga da perfeição e Kvayt aprendeu isso, sem culpa e da pior forma.