Dakar, Filipe Palmeiro: “Conceito para vencer? 4X4 ou buggy? É uma boa pergunta…”

Filipe Palmeiro dá-nos a sua visão do que pode ser a 40ª Edição do Dakar...

Filipe Palmeiro é um dos seis portugueses entre os carros e camiões este ano no Dakar. Novamente ao lado de Boris Garafulic, o experiente navegador vai tentar contribuir para que o chileno faça melhor que o 11º lugar obtido em 2012 e 2014, o que não se afigura tarefa fácil, já que o plantel voltou a crescer em termos de qualidade, revelou o piloto que se prepara para o seu 12º Dakar, onde a melhor classificação que obteve foi um nono lugar com o polaco Martin Kazmarcki.

AutoSport: que perspetivas tens para o Dakar deste ano?
Filipe Palmeiro: “Este ano tem-nos corrido bem, fizemos Portalegre e Marrocos, em Portalegre fomos terceiros, por isso no Dakar este ano vamos ver. No ano passado estava a correr bem, éramos sétimos classificados, até desistirmos com um problema técnico no carro. Acho que este ano vai ser mais difícil voltar aquela posição mas também não acho que seja impossível.”

AS: Tudo indica que a prova vai ser dura…
FP: “Penso que vai ser um Dakar complicado. Não será um Dakar daqueles em que dizemos que vai ser mais leve, ou vai haver mais pista. Este Dakar vai ser todo fora de pista, com muita areia, mesmo na Argentina, na fase final da prova, vai ser complicado, por isso acho que podemos ter aí algumas vantagens nas especiais mais difíceis. Como disse não vai ser fácil chegar à mesma posição, mas no contexto certo podemos lá chegar…”

AS: Achas que os 4X4 têm vantagem este ano?
FP: “Estive duas semanas a testar com novo buggy da X-Raid em Marrocos e segundo o que vi, tem muito potencial, mas por outro lado, na areia, quando corre mal corre mesmo mal. Enquanto com um 4×4 não é tão difícil arranjar-se uma solução e desatascar, quando um buggy ‘fica’, é mesmo complicado. Por outro lado, o buugy na areia, enquanto não para, não para mesmo, e isso é muito bom, mas se ali houver algum problema podem perder algum tempo e isso pode trazer alguma vantagem para o lado dos 4X4 pois este Dakar tem muita areia, é dos Dakar com mais areia de sempre.”

AS: Tens alguma ideia das etapas mais complicadas?
FP: “Acho que este ano vai ser mesmo super complicado em toda a prova, mas eles dizem que em termos de navegação há ali 2 ou 3 etapas ainda mais complicadas, com muita navegação em etapas com uma mistura de areia e outros percursos. Depois, tanto na Bolívia como na Argentina, vai haver aqueles cocktails que podem contribuir para dar grandes voltas à classificação.“

AS: O que achas do novo buggy da X-Raid?
FP: “Não sabemos ainda qual o nível competitivo do buggy da X-Raid, pois não há qualquer comparação em corrida, mas pelos testes que foram feitos até momento as indicações são mesmo muito boas. O carro está muito bem construído, é um carro feito com a experiência que já temos dos 4X4, penso que se conseguiu passar todo o know how para o buggy, e por isso esperamos um bom resultado. Eu acho está ali um bom conjunto, mas como qualquer novo projeto é sempre uma incógnita. Mesmo muito testados no Dakar é norma haver problemas de juventude. Fez-se muitos quilómetros em testes mas é sempre diferente em corrida.”

AS: Em que conceito apostarias para vencer? 4X4 ou buggy?
FP: “É uma boa pergunta! Fiz ainda poucos quilómetros com a nova especificação do Mini All4 Racing, mas o que fiz, fiquei muito bem impressionado, 100 kg faz muita diferença no nosso carro. Ainda por cima os carros de duas rodas motrizes também estão agora mais pesados, e eu acho que vai fazer diferença o peso que têm agora os buggy que têm mais 150 kg, o curso de suspensão também foi alterado e tudo isso faz uma grande diferença.”

AS: Queres explicar um pouco melhor como se navega?
FP: “O ano passado tivemos uma inovação que é os Waypoint Control. No fundo não tivemos uma seta a indicar onde estava o Waypoint, recebendo apenas um sinal de validação quando nos encontrávamos a 300 metros dele. Se não estivéssemos no local correto, não validávamos. Mas quando entravas nesse raio, ele não te encontrava a posição da nota. Outra mudança foi o desaparecimento da correção automática que existia anteriormente. Em cada Waypoint, o ‘trip’ do GPS corrigia automaticamente para a distância correta naquele local. Desde o ano passado isso passou só a ter lugar nos CP [Postos de Controlo] e no início e fim de cada etapa, obrigando-nos a ter mais atenção e a aferir mais vezes em que local nos encontrávamos. Até o ano passado, conseguíamos visualizar um traço que basicamente representava o desenho do percurso que tínhamos efetuado até um determinado ponto mas eles reduziram essa informação, que agora se cinge apenas ao último quilómetro percorrido. Quando navegávamos fora de pista, fazendo algum desvio de percurso, ou cruzando uma duna, montanha ou rio, sabíamos para onde teríamos que voltar para estarmos na mesma linha. Agora será muito mais difícil. Como só temos acesso ao último quilómetro, se a duna tiver sido percorrida há dois já não conseguiremos ver essa informação, que era muito útil para traçarmos uma linha reta quando a navegação terminava e tínhamos que ir para fora de pista”.

Filipe-Palmeiro-Boris-Garafulic-(2)

De segunda a sábado,

consulte os especialistas em Desporto, Atualidade, Entretenimento, Tecnologia, Lifestyle e Motores.