Carlos Vieira: “É pá, nem que fosse o Ogier…”

“Nós chegamos aos ralis esta época muito melhor preparados do que chegámos o ano passado".

Durante a apresentação da equipa, Sérgio Ribeiro, CEO da Hyundai Portugal contou uma história que diz muito de quem é Carlos Vieira. Quando este lhe disse que o seu companheiro de equipa ira ser Armindo Araújo, respondeu que “É pá, nem que fosse o Ogier…”. É mesmo assim, o Carlos Vieira, um jovem simples, mas com um força interior que poucos lhe reconheciam de início. Recordo-me do seu entusiasmo no final do Rali de Mortágua, quando se viu abrir uma janela de oportunidade, e da sua ‘explosão’ no final do Rali do Algarve. Agora, mesmo pouco à vontade perante tamanha plateia, como sempre, é nos troços que gosta de falar e mostrar ao que vai.

Na verdade, é quase incrível que Carlos Vieira chegue a Campeão Nacional de Ralis apenas com 23 ralis com um carro da categoria R5 (os outros seis fê-lo de Porsche 997 GT3). Mas foi exatamente isso que aconteceu, um carreira fulgurante nos ralis, em que velocidade nunca foi problema. Ela apareceu em 2017 e com ela o título nacional, totalmente inesperado pelo piloto, como diz várias vezes. Portanto, não é surpresa nenhuma que tenha sido ele o escolhido para a nova equipa oficial dos ralis portugueses, o Team Hyundai Portugal. Este ano, logo se verá o que acontece:

“Gostava de agradecer à Hyundai pela aposta que fez em mim, antes da última prova tudo isto era irreal para mim, o ano passado tive que lutar para ganhar as ultimas provas e consegui. Era um piloto diferente pois fui considerado um outsider. Comecei a minha carreira nos automóveis só em 2010, não tinha qualquer background de corridas, e foi tudo à minha custa, com uma oportunidade que me deram em 2010. Levei algumas vitórias para casa e foi daí que nasceu a vontade do meu pai para me deixar correr, todos os anos mudei de categoria e de automóvel, e todos os anos obtive vitórias e em quase todos os anos, títulos. Em 2012 lutei pelo campeonato à geral de velocidade, e fomos campeões, 2013 fiz uma carreira curta na Europa nos GT, mas também com bons resultados, 2014 foi o meu último ano na velocidade. 2015 convidaram-me para fazer ralis, as coisas não correram muito bem mas eu sempre fui combativo e gosto de ganhar, e por isso decidi ficar nos ralis para mostrar que era capaz de ganhar. Em 2016 também não correu bem, tive muitos acidentes, estive para desistir, mas em 2017 fomos campeões e hoje estamos aqui com a Hyundai Portugal. Para mim é um orgulho. É uma carreira bastante curta mas é um privilégio estar aqui neste ‘chapéu’ da Hyundai Portugal”.

É um desafio ter Armindo Araújo na mesma equipa?
“Nos circuitos consegui ganhar aos melhores, e agora nos ralis o Armindo é uma motivação adicional, uma alegria para todos os adeptos e para a comunidade das pessoas que seguem os ralis. Nós pilotos agradecemos que estes nomes estejam no campeonato para mim eu acho que o Armindo veio trazer, como é lógico, uma credibilidade diferente ao campeonato, e com certeza irá trazer também muitos adeptos. É um colega de equipa e como toda a gente sabe, é também o primeiro adversário. É sempre importante trabalharmos para ganharmos a esse Hyundai, e ele ficar em segundo…”

Sentes ainda mais motivação esta época?
“Nós chegamos aos ralis esta época muito melhor preparados do que chegámos o ano passado. Já sabemos o que temos de fazer, temos as coisas bem treinadas, 2015 e 2016 foram anos difíceis, mas consegui superar, conseguimos ser campeões o que não era o objetivo, felizmente conseguimos chegar ao título, mas sabíamos que o nosso ano era a partir daqui, e agora temos todas as condições para discutir as primeiras posições do campeonato.”

Vais ficar com a mesma equipa, quando testas o carro?
“Sim, continuamos com a Sports & You, é a equipa que gere a minha carreira. Vamos ter para a semana dois dias de testes e tentar afiná-lo da melhor forma possível. Para isso também contamos com a Hyundai Motorsport”.

Começas logo com uma prova complicada…
“Quanto ao Rallye Serras de Fafe, nunca terminei até aqui nas duas vezes que o fiz, mas vamos à procura do máximo de pontos possíveis, e depois atacar ao máximo nas provas em que nos sentirmos mais à vontade”.

Quais achas serão os principais adversários este ano?
“Da minha parte e mesmo que não estivesse integrado na minha equipa, o Armindo será certamente uma força de motivação para todos os outros pilotos. De resto, e apesar de não ter havido grandes confirmações, o Zé Pedro Fontes será um grande adversário como sempre, o Miguel Barbosa tem tido uma evolução muito boa, estará este ano muito competitivo, o Pedro Meireles que discutiu connosco o título do ano passado, será um piloto muito competitivo, aguerrido, há uns mais fortes mas outros podem fazer mossa”.

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