2017 foi um ano bom para a Fórmula 1

O primeiro ano das novas regras na F1 foi bastante interessante, ainda que os resultados tenham ditado mais do mesmo...

Se olharmos apenas para os resultados da temporada de 2017 do Campeonato do Mundo de Fórmula 1, podemos ser levados que foi mais do mesmo, com títulos e domínio da Mercedes. Mas a equipa de Brackley teve que se aplicar a fundo para bater a ressurgida Ferrari que chegou a ser a força competitiva em pista.

Esta época era aguardada com grande expetativa, uma vez que a introdução de um novo pacote regulamentar para os chassis e para a aerodinâmica prometiam os carros mais rápidos de sempre, para além de monolugares mais apelativos esteticamente.

Os objetivos foram amplamente alcançados, com a esmagadora maioria dos recordes batidos e com os Fórmula 1 – mais largos, pneus maiores, asas mais baixas e largas – a evidenciarem uma agressividade e sensualidade que já não eram vistas desde o longínquo ano de 1997.

É evidente que nem tudo é positivo e, apesar da maior largura dos pneus, a aderência aerodinâmica ganhou maior preponderância, o que causou maiores dificuldades na realização de ultrapassagens.

No entanto, nem sempre isso foi um problema evidente, tendo sido possível assistir a ultrapassagens extraordinárias ao longo do ano, verdadeiramente conquistadas e não oferecidas pelo DRS, o que acabou por ser positivo. Mas em Abu Dhabi o problema agravou-se num traçado em que ultrapassar sempre foi quase uma impossibilidade – que o diga Fernando Alonso que perdeu um título em 2010 por não ter conseguido ultrapassar Vitaly Petrov.

Foi um bom ano para a Fórmula 1, na generalidade, assistimos a grandes batalhas em pista com protagonistas que são a fina flor do automobilismo mundial – Lewis Hamilton, Sebastian Vettel, Max Verstappen, Daniel Ricciardo, Fernando Alonso – ao volante dos carros mais rápidos do mundo e não raras as vezes foi possível ver a olho nu o elevado nível a que qualquer um opera – a forma como o holandês realizava os esses do Circuit Hermanos Rodríguez é um exemplo avassalador.

Tivemos heróis e vilões como é preciso em qualquer desporto – a Vettel assentou na perfeição o segundo papel com a sua atitude de Baku, ao passo que Verstappen se assume cada vez mais como o herói da juventude, Hamilton o herói dos adeptos e o Alonso “Homem que nunca desiste”.

No final, os resultados reflectem justamente quem foi melhor ao longo do ano – Hamilton foi mais forte que Vettel, que errou em demasia com profundo impacto na sua campanha, e a Mercedes, muito embora não tenha tido sempre o melhor carro, maximizou o material que tinha à sua disposição e, principalmente, demonstrou fiabilidade, aspecto em que a Ferrari falhou nos momentos decisivos.

Politicamente, viveu-se um ano de acalmia e, fora das pistas, o grande tema da temporada foi perceber se a McLaren aguentava a Honda por mais um ano ou não, que acabou em divórcio.

Foi a primeira época sob a égide da nova FOM, liderada pelos homens da Liberty, vivendo-se um período de “lua de mel”, com novas iniciativas na promoção da categoria e uma maior abertura da Fórmula 1 aos fãs e às redes sociais.

Mas no final de ano, quando as coisas começaram a ficar a sérias, com a apresentação de um esboço para o regulamento de motores de 2021 e o início das negociações para um novo “Acordo da Concórdia”, o “período azul” terminou rapidamente com a Ferrari, como habitualmente faz, ameaçar abandonar a categoria e a Mercedes e a Renault a mostrarem-se pouco satisfeitas com os caminhos apontados.

2018 promete ser apaixonante dentro das pistas, com Mercedes, Ferrari e Red Bull a poderem estar na luta pelas vitórias, mas fora delas também tudo está a compor-se para muitas movimentações… Mas é assim a Fórmula 1…

Jorge Girão

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