Tem o que é preciso para subir ao palco do Web Summit em 2018?

A edição deste ano contou com 1.200 oradores mas, o que os tornou elegíveis a falarem ao mundo nos palcos do Web Summit? Para o ano pode ser você, é só estar atento às inscrições.

A edição deste ano contou com 1.200 oradores mas, o que os tornou elegíveis a falarem ao mundo nos palcos do Web Summit? Para o ano pode ser você, é só estar atento às inscrições.

Subir ao palco de um dos maiores eventos de tecnologia do mundo é, com certeza, um sonho para muitos dos aficionados da área. Quer seja no palco principal ou nos palcos secundários, ser orador do Web Summit traz consigo um sentido de responsabilidade que este ano foi partilhado por mais de 1.200 pessoas, por entre políticos, presidentes executivos e, até humanoides.

Orgulhamo-nos de ter as principais vozes da tecnologia em palco nos nossos eventos“, afirmam os organizadores da conferência. Em entrevista ao ECO, Paddy Cosgrave assumiu também que “tivemos sorte” em conseguir juntar no mesmo palco nomes tão importantes como António Guterres, Margrethe Vestager ou Al Gore. Mas o que torna alguém elegível para falar ao mundo a partir do palco do Web Summit?

Analisando a lista completa dos oradores, os padrões são fáceis de identificar. Ainda que se encontrem muitos nomes governamentais e ligados ao jornalismo, a maior parte dos nomes estão relacionados aos movimentos de disrupção de uma certa indústria, conseguiu mudar a maneira como a sociedade age e encara certos temas ou teve sucesso num meio difícil por não ter deixado a racionalidade tolher o instinto.

Contribuir para a disrupção

Com o desenvolvimento da tecnologia, também o desporto sofreu algumas alterações. A bola deixou de rodar só nos campos de relva e passou para os campos virtuais, os golpes de luta passaram a ser arremessados com um comando e os cenários de guerra entraram nas nossas casas. Mas tal como acontecia antes, estes desportos virtuais, ou e-sports, passaram a mover multidões, a criar estrelas, a despertar emoções e os clubes não podiam deixar isso escapar. Foi o que pensou Tim Reichert, futebolista e criador da equipa de e-sports do Schalke 04. No Web Summit falou da importância de não ver esta modalidade como uma fase.

Mas de que serve ser disruptivo se ninguém sabe disso? Foi o que pensaram Taciana Mello e Fernanda Moura, que quiseram dar voz às mulheres comuns que apostaram nos seus sonhos e abriram negócios próprios. As brasileiras vieram à Web Summit apresentar o projeto Founders, parte da associação The Girls on the road, uma série de vários episódios que vai retratar a vida de empreendedoras de mais de 20 países. As gravações começaram em 2016 e continuam até onde a estrada as deixar.

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Não ter medo de mudar o mundo

Caitlyn Jenner foi Bruce Jenner até abril de 2015, um atleta olímpico medalhado e patriarca de uma das famílias de maior sucesso que este mundo (e talvez outros) já viu. Aos 65, sentiu que o tempo de negação e não-aceitação tinha de acabar. “Nasci com um corpo de homem e a alma de uma mulher”, afirmou Jenner numa entrevista ao The Telegraph, logo após a transição.

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Ainda que a pressão social e mediática de que era alvo na altura e que, de certa maneira possa ter aumentado, Caitlyn avançou e tornou-se também uma defensora dos direitos das mulheres e da comunidade LGBTQ, causa que traz também ao palco do Web Summit. Para além de ter falado sobre o valor da marca “Olímpico”, que se tem vindo a deteriorar ao longo do tempo, Jenner discutiu os limites da definição de género.

E se Jenner não sucumbiu à pressão social, Izzeldin Abuelaish não sucumbiu às balas, ao contrário do que aconteceu com as suas filhas. Este médico palestiniano, nascido e criado num campo de refugiados na Faixa de Gaza, tomou a causa da paz como sua quando, em 2009, as suas três filhas e uma sobrinha foram mortas por uma carga israelita à sua casa. Através da sua fundação Daughters for Life apoia a educação e formação de raparigas e trouxe à Web Summit a interceção entre a tecnologia e a justiça das zonas após conflitos.

Cortar com as definições

Talvez conheça o Martin Garrix dos palcos dos maiores festivais de música eletrónica do mundo e poderá ter ficado surpreendido quando o nome dele apareceu na lista de oradores de uma conferência de tecnologia. Aos 21 anos, Garrix é considerado o melhor DJ do momento, tendo ultrapassado profissionais com grandes currículos como David Guetta ou Steve Aoki. Como? Numa entrevista à Forbes o artista conta que o seu objetivo sempre foi fazer música e nunca desistiu, tendo assinado o primeiro contrato com uma discográfica aos 16 anos. Ao Web Summit veio discutir a relação entre música e tecnologia que, aliás, é uma das impulsoras do seu sucesso.

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A entrada de Andreja Pejić na indústria da moda não estará tão relacionada com intuição como estará com determinação. Andreja foi a primeira modelo transgénero a aparecer nas páginas da Vogue norte-americana e a primeira a conseguir assinar um contrato com uma grande empresa de cosméticos. Já antes da transição, Andrej era considerado o único modelo andrógeno da indústria, sendo contratados para posar tanto como modelo feminino como masculino. O próprio afirmava que vivia “entre géneros”.

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Em 2014, avançou para o feminino e estabeleceu como objetivo abrir caminho para todos e todas que, como ele, vivem entre definições. No palco dedicado à moda, no Web Summit, falou dos aspetos “feios” desta indústria da beleza, em que a palavra diversidade demorou alguns anos a poder ser proclamada.

Assim, se conseguiu mudar o rumo da indústria em que se movia, se o impacto que tem no mundo o tornou num sítio melhor para os restantes 7,6 mil milhões de cidadãos habitarem nele ou se o seu instinto e perseverança o mantiveram no caminho para atingir aquilo que sempre quis, poderá ser um dos próximos oradores do Web Summit. Brevemente, a organização estará à procura da equipa de sonho para 2018, não deixe a oportunidade escapar.