Singapura como destino

Há um risco que corremos ao falar com Eduarda van den Berg sobre Singapura: é querermos mudar-nos também para lá o mais rapidamente possível.

Há um risco que corremos ao falar com Eduarda van den Berg sobre Singapura: é querermos mudar-nos também para lá o mais rapidamente possível.

O entusiasmo com que Eduarda van den Berg, 48 anos, fala de Singapura é contagiante. Cada palavra que usa para descrever a vida naquela cidade-estado do sudeste asiático aumenta em nós a vontade de fazer as malas e partir. A sua atração por este destino foi instantânea e ainda hoje recorda o que sentiu quando, em 2006, ali chegou pela primeira vez: “O que realmente me cativou de imediato foi a vegetação exuberante que nos acompanhou o caminho todo até chegarmos ao hotel. Lembro-me de olhar através da janela do táxi e de sentir uma grande frescura e tranquilidade.” E esta sensação que lhe ficou registada na memória tem uma justificação. Afinal, Singapura é conhecida como a “cidade jardim”.

A trabalhar como secretária na Australian International School, Eduarda van den Berg mudou-se para Singapura depois de ter vivido vários anos na África do Sul, de onde o marido é natural. Quando este foi convidado pela empresa onde trabalhava para mudar de país, não hesitaram e, juntos, decidiram ser “aventureiros e explorar novas fronteiras”. “Tivemos a sorte de poder ir primeiro dar uma vista de olhos a ver se nos sentíamos bem. Na altura, o meu marido já conhecia bastante bem Singapura, devido a viagens de trabalho, e ele sabia que eu ia apaixonar-me. E apaixonei-me mesmo.”

Cosmopolitismo e acolhimento

“Muito cosmopolita e repleta de diferentes culturas e nacionalidades.” É desta forma que descreve Singapura. E é isso que, nas suas palavras, acaba por tornar mais rápida a integração de quem vai de fora: “A adaptação foi muito fácil, até porque a influência ocidental é muito visível, o que acaba por funcionar como um catalisador para que os imigrantes se sintam imediatamente em casa.” A ajudar também está aquilo que designa por “grupos de apoio” de diferentes nacionalidades, resultado da miscelânea cultural existente.

A somar a tudo isto encontramos ainda a simpatia do povo. “As pessoas são extremamente amigáveis e acolhedoras, têm muito orgulho naquilo que são e adoram mostrar e partilhar a sua cultura”, diz. Admite que existem “uns poucos que olham para os estrangeiros como uma ameaça”, mas o que conta é que “a maioria encara-nos como família, como parte do clã”.

E se soubermos que os singapurenses têm, na sua génese, três grandes e distintas culturas – chinesa, malaia e indiana – mais facilmente compreendemos como esta hospitalidade é natural e genuína.

“Tudo funciona aqui!”

Talvez por ser natural de um país de personalidade mediterrânica como Portugal, Eduarda van den Berg exalta a “funcionalidade” de Singapura: “Tudo funciona aqui! Existem magníficas infraestruturas, os transportes públicos são bons e em conta, de tal forma que a maior parte das pessoas os usa.” Por outro lado, destaca a segurança que se sente nas ruas, onde é possível circular “em qualquer lado a qualquer hora da noite”. E diz que este aspeto é, para si que antes morou na África do Sul, “o paraíso”.

“É uma ilha muito moderna onde facilmente encontramos tudo aquilo que se possa imaginar”, aponta ainda em relação ao país asiático com maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), ocupando o quinto lugar a nível mundial, sendo apenas ultrapassado por países como a Noruega, Austrália, Suíça ou a Alemanha.

Na sua perspetiva, outro motivo de atração em Singapura é a localização geográfica, acabando por ser “muito fácil voar a preços acessíveis para outros destinos na Ásia e assim conseguir fazer férias fantásticas”.

O único senão parece ser o “elevado custo de vida”, que nas suas palavras “pode ser um problema para os locais e para alguns imigrantes”. Mas até para isso há soluções: “Há muitas praças de alimentação com comida local – os food courts – e mercearias onde é possível comer e fazer compras a preços baixos.”

Choque cultural

Tanto a nível profissional como pessoal, poucos foram os desafios que enfrentou na adaptação a Singapura. O marido foi recolocado pela empresa para a qual já trabalhava e ela beneficiou daquilo que designam por Letter of Consent, um documento passado pelo Governo com renovação a cada dois anos, que autoriza pessoas na sua situação a trabalhar.

Mas embora a adaptação tenha sido simples, reconhece que teve de aprender a lidar com alguns hábitos culturais que lhe eram estranhos. “Hoje compreendo completamente o significado de choque cultural’”, diz com sentido de humor, enumerando alguns exemplos. Um deles é o “singlish”, ou seja, o inglês falado com sotaque local e que é “muito difícil de entender por quem acaba de chegar”.

Outro aspeto que destaca passa pela proibição de pastilhas elásticas: “Não pensem sequer em trazer pastilha elástica para Singapura. Se forem apanhados no aeroporto podem acabar metidos em grandes sarilhos.” Cuspir na via pública também não é permitido, ao invés de arrotar depois da refeição, “que é sinónimo de satisfação para os chineses”. Da mesma forma, mastigam ruidosamente e cruzam as pernas em cima cadeira, enquanto estão à mesa, “mesmo quando comem fora”.

Outro hábito que a surpreendeu em Singapura foi a frequente utilização de táxis. “Ainda que haja carros particulares a circular nas estradas, os táxis são mesmo muito comuns e acessíveis, pelo que acabam por ser uma opção conveniente para muita gente. Por isso, onde quer que se vá, há sempre uma paragem de táxi e muita gente na fila à espera de um”, salienta.

Eduarda van den Berg demorou também a habituar-se às enchentes nos centros comerciais aos fins de semana, o programa preferido da maior parte das famílias locais. E ainda ao facto de ser considerado normal ter uma ou várias empregadas domésticas: “Para a maior parte das famílias locais é um símbolo de status.”

Da mesma forma, o clima de Singapura exige algum tempo de adaptação, já que “durante o dia as temperaturas atingem os 35° e 100% de humidade e à noite baixam apenas para os 28° com os mesmos 100% de humidade”. Ou seja, “é verão ano inteiro”. “As roupas andam sempre coladas ao corpo e o cabelo fica impossível de domar, por isso, as mulheres acabam por optar por cabelos curtos”, justifica. Também por isso, os singapurenses adoram ar condicionado, estando estes aparelhos disseminados por todo o lado, incluindo a generalidade das casas particulares.

Este é mesmo um dos temas que mais nostalgia lhe provoca: “Vindo eu de um país com quatro estações, imagine as saudades que tenho da neve e do tempo frio e de tudo o que está relacionado com isso.”

A não perder em Singapura

  • Museus – National Museum of Singapore, Singapore Arts Museum e National Gallery Singapore.
  • Chinese Peranakan Culture – Saber mais sobre a cultura dos descendentes de imigrantes chineses visitando a Baba House, a Katong Antique House e o Peranakan Museum.
  • China Town – Onde é possível passar horas sem nunca cansar.
  • Haw Par Villas – Ficar a conhecer algumas histórias associadas ao folclore e mitologia de Singapura.
  • Boat Quay e Clarke Quay – Experimentar a variedade de comida ocidental e oriental, bem como testemunhar a combinação da moderna e antiga arquitetura de Singapura
  • Sentosa Island – Com praias maravilhosas e garantia de diversão para todas as idades. Não esquecer de visitar o museu de história local – Images of Singapore.
  • Botanical Gardens e Gardens by the Bay – Jardins magníficos onde é possível fazer um piquenique ou apenas passear e apanhar ar puro.
  • Bukit Timah Nature Reserve – Fazer uma caminhada num dos muitos trilhos disponíveis. Orchard Road – Lojas de luxo, espaços de outlet, centros comerciais e hotéis de cinco estrelas.

Viaje diariamente de Lisboa para Singapura via Dubai.

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