“Sempre que há uma crise, o Governo também entra em crise”

Freitas do Amaral elogia "milagre político" de Costa ao alinhar interesses de Bruxelas, BE e PCP, mas diz que "Governo tem sido bom quando o mar está tranquilo". O problema é quando há tempestade.

Freitas do Amaral elogia "milagre político" de Costa ao alinhar interesses de Bruxelas, BE e PCP, mas diz que "Governo tem sido bom quando o mar está tranquilo". O problema é quando há tempestade.

Freitas do Amaral diz-se positivamente surpreendido com “o milagre político” do Governo de António Costa ao conseguir alinhar Bruxelas, Bloco de Esquerda e PCP, mas considera que o Executivo “tem sido bom quando o mar está tranquilo”. “Sempre que aparece uma tempestade no mar fica embaraçado e não sabe como reagir”, disse o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros.

Em entrevista à Antena 1, Freitas do Amaral deixa elogios ao Governo. “Fez o milagre político de por de acordo Bruxelas, o PCP e o BE, o que é uma coisa nunca vista, e que vai ficar na História”, ressalvou o responsável, sublinhando o crescimento económico que o país tem atravessado.

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Ainda assim, há aspetos na frente económica que deixam Freitas do Amaral menos positivo em relação à atuação do Executivo, nomeadamente na redução da dívida, que não está a acontecer a uma “velocidade suficiente”. “É o maior problema que Portugal tem em cima da sua cabeça”, o que deixa o país “à mercê de qualquer crise”. “É preciso reduzir as gorduras do Estado, mas os governos não sabem onde elas estão, nem perguntam às pessoas que sabem”, disse ainda.

Apesar de reconhecer estabilidade política na solução encontrada, Freitas do Amaral considera ainda que este Governo tem sido um bom Governo quando o mar está tranquilo, sempre que aparece uma tempestade no mar fica embaraçado e não sabe como reagir”.

O antigo ministro referia-se à atuação dos membros do executivo nos incêndios registados este ano em Portugal, ao roubo de material militar em Tancos e ao recente surto de legionella. “Sempre que há uma crise, o Governo também entra em crise”, disse.

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Por exemplo, em relação aos últimos fogos que provocaram mais de 40 mortes, depois do discurso do Presidente da República em Oliveira do Hospital, Freitas do Amaral diz que o Governo não precisava de ir logo mudar a ministra da Administração Interna”. “Isso foi a demonstração de que tinham algum peso na consciência. Mas o Governo ainda não aprendeu, ou ainda não sabe, como é que se reage a situações deste tipo”.

(Audio cortesia da Antena 1)