Rui Rio: Regionalização “bem feita” diminui a despesa pública

O antigo presidente da Câmara do Porto disse este sábado que "no dia em que Portugal se predispuser a fazer um debate sério e sensato sobre a regionalização", o país dá "um passo em frente".

O antigo presidente da Câmara Municipal do Porto Rui Rio (PSD) disse este sábado que uma regionalização bem feita diminui a despesa pública e defendeu um debate sério e sensato sobre o tema em Portugal.

“Eu acredito que no dia em que Portugal se predispuser a fazer um debate sério e sensato sobre a regionalização, damos um passo em frente — ou podemos dar, se a coisa for bem feita — para ter uma despesa pública menor e uma despesa pública muito mais eficiente”, disse Rui Rio, em Pombal, durante um encontro de autarcas do PSD.

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Intervindo no II Congresso de Autarcas do PSD do distrito de Leiria, o também antigo vice-presidente social-democrata nas lideranças de Durão Barroso, Santana Lopes e Manuela Ferreira Leite, afirmou que a regionalização não aumenta a despesa pública “ao contrário do que muitos pensam e dizem”.

Rui Rio destacou a performance do poder local em Portugal ao nível económico e financeiro, mas também no desenvolvimento municipal, frisando que na dívida pública de cerca de 130% do Produto Interno Bruto (PIB) “a parte correspondente às câmaras municipais é de apenas 2,5%”.

“Quem deu cabo das finanças públicas deste país não foram as autarquias, foi a Administração Central. Quem é despesista é a Administração Central. Isto é absolutamente inequívoco”, argumentou. Para Rui Rio, em 40 anos de poder local democrático, as câmaras “endividaram-se pouco” e fizeram um trabalho “notável”. No entanto, admitiu que há câmaras “muito mal geridas”. “E há câmaras muito bem geridas e câmaras assim-assim, há de tudo. (…) E se tirássemos as 10 ou 20 piores, então é que isto [a dívida] ficava em nada”, frisou Rui Rio.

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Defendeu igualmente que quanto mais perto os políticos, como os autarcas, estão dos problemas, “maior é a capacidade para gerir bem os recursos disponíveis”. “Se estamos perto, conseguimos fazer mais com menos, se estamos muito longe dos problemas, erramos mais, fazemos menos e gastamos também mais. Se as finanças públicas estão como estão, não é [culpa] do poder local, ponto. Não é mesmo”, reforçou.