Paris Air Show é “montra que tem de ser aproveitada” por Portugal

O cluster português da aeronáutica, espaço e defesa (AED) tem um enorme potencial de crescimento, que contudo pode ser ensombrado pela falta de técnicos e pela pequena dimensão das empresas.

O cluster português da aeronáutica, espaço e defesa (AED) que está presente na maior feira do mundo da aeronáutica e aeroespacial, na edição de 2017 do Paris Air Show, que se realiza de 19 a 25 de junho, quer mostrar ao mundo as potencialidades da indústria portuguesa. Setor caracteriza-se por empresas de pequena dimensão pelo que a tendência, diz o presidente do AED é para que, no futuro, haja consolidação.

Paulo Chaves, presidente do AED adianta em declarações ao ECO que: “este evento que se realiza no parque de exposições de Le Bourget (Paris) é uma montra e que tem que ser aproveitada pela indústria”. Portugal participa neste evento “há mais de dez anos”.

Responsável por uma faturação que ronda os 1.700 milhões de euros, dos quais mais de 80% correspondem as exportações, e representando mais de 60 entidades e 18.000 empregos, o setor é tido com grande potencial de crescimento. Ainda recentemente, o ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral afirmava que: “o cluster da aeronáutica em Portugal tem um potencial de crescimento muito grande”.

Uma opinião partilhada pelo presidente do AED. Paulo Chaves diz que “o setor tem de facto um grande potencial de crescimento e é seguramente um dos setores em que há mais valor exportado“. E o presidente do AED explica o crescimento para cada setor.

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“Na aeronáutica temos um grande potencial de crescimento, porque felizmente cada vez mais pessoas viajam de avião, além de que tem pela frente um grande desafio tecnológico e que passa por transformar os aviões metálicos em material compósito. Também no setor do aeroespacial se verifica grande potencial de crescimento e uma enorme transformação e finalmente no setor da defesa, é inquestionável que a Europa tem gasto menos neste segmento do que outros pelo que tem que haver uma grande aposta, sobretudo em defesa inteligente”.

Para além da importância estratégica para o setor, o evento marca também o início das negociações entre o Estado português e a Embraer com vista à aquisição de cinco aeronaves KC-390, com opção de mais uma e um simulador de voo para instalação e operação em território nacional.

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Paulo Chaves adianta que não é possível falar de valores para este negócio uma vez que as negociações só agora terão início e serão entre o Estado e a Embraer.

Ainda na exposição serão assinados três protocolos de colaboração entre o cluster português e os clusters de Hamburgo (Alemanha) e os clusters de Ontário e Montreal (Canadá), principais polos da indústria aeronáutica da Europa e com o principal país no clube restrito de produtores de aviões do mundo.

Paulo Chaves diz que o “protocolo que vai ser assinado com Hamburgo é aquele que poderá trazer resultados mais imediatos uma vez que já existe um conhecimento da indústria portuguesa, já com o Canadá, um grande player mundial da indústria aeronáutica, o objetivo é mais exploratório“.

Falta de mão de obra

O potencial de crescimento do setor tem uma grande condicionante pela frente: falta de técnicos especializados.

Paulo Chaves diz que: “temos hoje uma situação híbrida, por um lado, os cursos de engenharia aeroespacial são a par de medicina os mais procurados, pelo que há muitas pessoas – licenciados – a entrar no setor, mas depois faltam técnicos”.

Para o presidente da AED a situação é tanto mais caricata, “na medida em que existem cursos de formação profissional, ministrados pelo IEFD, em Setúbal, Évora e Porto, com instalações do melhor que há na Europa, mas que apesar disso não captam pessoas de forma a encher esses cursos, isto apesar de terem emprego garantido“.

Paulo Chaves diz que “este é um problema que vamos ter que resolver porque de facto nos pode limitar no futuro”.

Mas este não é o único problema do setor. Paulo Chaves diz que outra limitação do setor tem a ver com a pequena dimensão das empresas e falta de capacidade financeira. Paulo Chaves diz no entanto que: “a associação pode ter aqui um papel fundamental, somos muitos e pequenos” e acrescenta: “penso que haverá alguma consolidação deste setor no futuro”.

“No fundo penso que iremos fazer o movimento que outros fizeram no passado, porque é um facto que nos atrasamos face a outros, temos muito que pedalar”, sublinha.