Pagar a um gestor para investir na bolsa? É gastar dinheiro

Estudo da CMVM sugere que mais vale ter dinheiro aplicado num fundo de ações passivo porque os gestores que mais reconfiguram as suas carteiras são os mais penalizados em termos de rentabilidade.

Estudo da CMVM sugere que mais vale ter dinheiro aplicado num fundo de ações passivo porque os gestores que mais reconfiguram as suas carteiras são os mais penalizados em termos de rentabilidade.

Fundos que mais mexem na carteira de ações são os mais penalizados em termos de rentabilidade, diz estudo da CMVM.

ECO - Economia Online

Tem dinheiro aplicado em fundos de investimento em ações nacionais? Um estudo mostrou que a rentabilidade destes fundos é essencialmente explicada pelo retorno da bolsa portuguesa. Conclusão: está a pagar comissões ao seu gestor de fundos desnecessariamente, sugere a investigação levada a cabo pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Um estudo publicado esta quarta-feira no site do regulador dos mercados analisou o desempenho de 23 fundos de investimento abertos nacionais entre 2001 e 2015. Estes fundos investiam principal ou exclusivamente em ações nacionais admitidas a negociação no Eurolist by Euronext Lisbon. E os resultados surpreendem de alguma forma.

Primeiro, porque talvez esteja a pagar as comissões de gestão do fundo de investimento desnecessariamente enquanto podia estar a investir diretamente na bolsa ou, pelo menos, a aplicar o seu dinheiro num fundo passivo. “A rentabilidade dos fundos de investimento em ações nacionais continua a ser essencialmente explicada pelo retorno do mercado“, concluiu o estudo, lembrando que a taxa global de encargos média dos 23 fundos analisados foi de cerca de 2% por ano, “o que é um valor muito acima do cobrado por fundos de gestão passiva”.

Depois, porque “os resultados questionam a ideia de que os fundos beneficiam de economias de escala na gestão”. Isto porque a pesquisa da CMVM chegou à conclusão de que “a dimensão dos fundos tem um efeito negativo na rentabilidade, quer antes quer depois da crise financeira internacional”.

Por outro lado, o estudo, que visou analisar “O ativismo da gestão e a rentabilidade dos fundos de ações nacionais“, demonstrou que, na verdade, é contraproducente proceder a uma gestão ativa da carteira. “Foram utilizados dois indicadores para medir o ativismo, o turnover corrigido das carteiras e o indicador Finger-Kreiner. O uso destes indicadores contém valor acrescentado uma vez que os fundos que, em simultâneo, mais negoceiam e mais reconfiguram as suas carteiras são penalizados em termos de rentabilidade”.

Concluiu o estudo que uma maior rentabilidade está, por isso, associada a características como a estabilidade da carteira de ações, a reduzida dimensão do fundo, incorrer em custos de transação para reconfigurar a carteira apenas quando necessário (em caso de alteração de benchmark, por exemplo) e a um comissionamento mais reduzido.