João Oliveira acredita que Centeno não mudará a natureza do Eurogrupo

O líder parlamentar do PCP duvida que, com a nomeação de Centeno, "a natureza do Eurogrupo e a natureza das imposições que têm sido feitas por parte da UE se alterem".

O líder parlamentar do PCP duvida que, com a nomeação de Centeno, "a natureza do Eurogrupo e a natureza das imposições que têm sido feitas por parte da UE se alterem".

João Oliveira, líder parlamentar do PCP, acredita que a nomeação de Mário Centeno para a liderança do Eurogrupo não trará grandes alterações. “Julgo que quem acreditar que o Mário Centeno pode mudar a natureza do Eurogrupo está a cair numa ilusão“, afirma em entrevista à SIC Notícias, esta manhã.

“A eleição de Mário Centeno para o Eurogrupo não é uma circunstância em que o homem consegue mudar o cargo”, afirmou o líder comunista, salientando que papel do órgão europeu naquilo que afirma ser o condicionamento da soberania dos países do bloco do ponto de vista orçamental “em função daquilo que as grandes potências europeias determinam”.

Para João Oliveira, Centeno vai “ler a cartilha de Bruxelas no Eurogrupo”. “O nosso ministro das Finanças assume as posições que a própria UE assume como suas e algumas das quais até determinadas pelo Eurogrupo.” O líder parlamentar do PCP dá o exemplo do Orçamento do Estado, nomeadamente do condicionamento orçamental àquilo que são as metas de Bruxelas e não às necessidades do país, confirmando as divergências com o Partido Socialista. “Há pontos de vista contraditórios” e algumas contradições, afirma, são “insanáveis”.

Quanto à possibilidade da “geringonça” permanecer de pé até 2019, João Oliveira refere que “este Governo, como qualquer outro, tem a sua duração condicionada pelas políticas que faz corresponderem mais ou menos aos interesses dos trabalhadores e do povo”. “Só depende das opções que o Governo quiser fazer, das opções que o PS quiser fazer“, acrescenta. O líder do Partido Comunista no Parlamento diz que “a posição conjunta não deve ser vista como uma bíblia porque não o é”.

Olhando para o Orçamento do Estado para 2018, João Oliveira avança que o documento “confirma que com a luta que os trabalhadores desenvolveram e com a intervenção do PCP foi possível levar mais longe a reposição de direitos e rendimentos e até aspetos que nunca tinham sido considerados”. Relembra o aumento das pensões, um compromisso que o PS não quis assumir, confessa.

João Oliveira relembra também a retirada dos duodécimos, no sentido de “defender os subsídios de férias e Natal”. “Os duodécimos visavam esconder por um lado um enorme aumento de impostos do anterior Governo, e visavam a prazo acabar com os subsídios.” Dividindo-os por 12 meses, as pessoas acabariam por esquecê-los, afirma.

A cerca de três anos do próximo congresso do Partido Comunista, João Oliveira dispensa comentários acerca da possível reforma de Jerónimo de Sousa: “Depende da avaliação que ele próprio faça e das circunstâncias em que ele próprio veja a sua capacidade para continuar a intervir com essas responsabilidades”. Quanto à possibilidade de vir a substituir Jerónimo, João Oliveira apenas diz que as suas responsabilidades “não se confundem com as do secretário-geral”. “Essa perspetiva está completamente posta de parte”, conclui.

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