João Bento, presidente da Getmin: “Tem havido encerramentos de estações desde sempre” nos CTT

O presidente da Getmin, o maior acionista dos CTT, desvaloriza o fecho de estações dos CTT, salientando que o importante é garantir que o serviço seja provido.

O presidente da Getmin, o maior acionista dos CTT, desvaloriza o fecho de estações dos CTT, salientando que o importante é garantir que o serviço seja provido.

“Tem havido encerramentos de estações desde sempre”. É desta forma que João Bento, presidente da Gestmin, holding de Manuel Champalimaud que é o maior acionista dos CTT com 11% do capital, reage à notícia avançada pelo ECO com a lista dos 22 balcões que a empresa dos Correios pretende fechar. Em entrevista ao Público [acesso condicionado], publicada nesta quarta-feira, João Bento salienta que o importante é garantir que o serviço seja provido.

Relativamente à forma de levar a cabo o encerramento de lojas, processo que a administração dos CTT pretende ver concluído até final de março, tal como avança o ECO em primeira-mão nesta quarta-feira, o presidente da Gestmin diz tratar-se de um trabalho técnico, que “tem de ser feito com muito cuidado”, salientando que “é preciso garantir é que se o serviço se não é provido de uma maneira, é provido de outra”. Neste âmbito, diz ainda que nos sítios em que os CTT acharem que a quebra da procura permite, a empresa vai trocar balcões de correios por postos.

Nesta entrevista, João Bento faz questão de salientar ainda que no plano de corte de postos de trabalho que os CTT pretendem levar a cabo “não há despedimentos”. “Há a não renovação de alguns contratos a termo, um processo natural de reformas e saídas e rescisões por mútuo acordo”, diz o presidente da Gestmin.

No que respeita à colocação do tema da nacionalização dos CTT em cima da mesa, João Bento não vê estranheza, mas diz não fazer sentido. “As pessoas têm direito às suas convicções ideológicas, mas não acredito nada que faça sentido que o Estado seja o operador postal em país nenhum”, refere a esse propósito.

Relativamente à criação pelo Governo de um grupo de trabalho para a avaliação da prestação do serviço universal não ver “nenhum inconveniente”, dizendo que “é bom que se possa esclarecer de forma objetiva o enorme equívoco que há, por exemplo, em relação aos temas da qualidade”.

Já no que diz respeito a um eventual prolongamento do contrato de concessão aos CTT para além de 2022, ano que termina a atual concessão, João Bento diz que este terá de ser “razoável” e “adequado àquilo que a sociedade considere aceitável”, advogando nesse sentido “preços mais altos e, se for caso disso, prazos diferentes”.

Nos CTT… numa lógica de muito longo prazo

Apesar do cenário conturbado pelo qual os CTT passam, João Bento diz que “a Gestmin não está nos CTT pelo dividendo e sim numa lógica de muito longo prazo”, mas antecipa mexidas na estrutura acionista da empresa dos Correios, em resultado da alteração da política de distribuição de dividendos. “Tivemos saídas brutais. Por exemplo a Allianz reduziu de 5% para 2% em menos de um mês… Achamos que esse processo ainda não acabou e que vai haver durante algum tempo uma substituição de acionistas”, antecipa João Bento.

No que respeita ao futuro da empresa, o presidente da Gestmin salienta “duas alavancas de crescimento muito interessantes: um banco de retalho que está a correr bem, e o negócio de encomendas”.

Já a “degradação da rentabilidade e do valor” dos CTT abre espaço a uma OPA sobre a empresa, acredita ainda João Bento.